PAI POBRE, FILHO POBRE? por clara castilho

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É o que nos diz uma informação à comunicação social, que o Instituto Nacional de Estatística, em Maio, no dia internacional da família, difundiu, sobre “Como são as famílias em Portugal e que riscos económicos enfrentam”. É impossível sintetizar, mas é fácil de encontrar no site do instituto.

Com o Censos de 2011, ficamos a saber que em Portugal as famílias são hoje mais numerosas. Confuso?  É  que cada uma tem menos elementos, há muitas separações, logo mais famílias unipessoais . E qual a ligação com a pobreza? E com o desemprego?

Pawla KuczynskiegoPaula Kuzynskiego

Em 2001 8,5% das famílias clássicas tinham algum desempregado, e em 2011 esta proporção aumentou para 14,3%. Considerando os núcleos familiares unipessoais, entre 2001 e 2011 a proporção de desempregados aumentou de 2,2% para 4,9%.

Em 2011, 3,1% das pessoas que viviam em agregados familiares e 8,4% das pessoas pobres, não tinham capacidade para ter uma refeição de carne ou peixe pelo menos de 2 em 2 dias. Cerca de ¼ das pessoas e quase metade das que viviam em agregados em risco de pobreza referiram que não tinham meios para manterem a casa adequadamente aquecida.

Qual a relação com a família de origem? Constata-se que 42% das pessoas com 25-59 anos em risco de pobreza em 2010 referiram ter vivido enquanto adolescentes em famílias cuja situação financeira consideraram ser má ou muito má; 55,7% referiram ter vivido numa família com dificuldades financeiras para fazer face a despesas necessárias.

Em Portugal, a pobreza relativa é de 16,2% no segmento dos 0 aos 17 anos, quando a média nos 34 países da OCDE para os quais existem dados é de 13,3%. Dos 18 aos25 anos, a situação inverte-se, com a pobreza relativa a marcar 11,7% em Portugal, contra 13,6% no conjunto da OCDE. Dos 26 aos 40, é quase equiparável no país e no total dos países da organização, ligeiramente acima dos 9%.

Nos segmentos dos 41-50 e dos 51-65 anos, Portugal revela uma percentagem média de pobreza relativa superior à da OCDE, para depois inverter a tendência entre os 66 e os 75 anos (7,6% contra 11,3%). A partir dos 76 anos, a taxa relativa de pobreza em Portugal é de 12,6%, quando na média da organização ascende a 14,8%. Ou seja, apesar de ser inferior à média dos restantes países, volta a subir para percentagens só vistas abaixo dos 18 anos.

O relatório da Social Watch  sobre o nosso país –  Portugal Social Watch Report 2013 – também se manifesta sobre a situação preocupante e propõe soluções. O Social Watch  é uma coligação internacional de organizações da Sociedade Civil que monitoriza os compromissos e avanços efectivos das políticas de erradicação da pobreza e equidade de género dos governos e organismos internacionais. Anualmente é produzido um relatório “Social Watch/Observatório da Cidadania” que inclui informação apenas de alguns países em que existem “watchers”. As partes relativas a esses países são fruto de investigação dos “watchers” locais. A Oikos a única instituição portuguesa membro desta coligação

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