Num artigo de Domenico Mario Nuti ficámos a saber o nível de corrupção actual na Itália, onde com o descalabro eleitoral que Bruxelas não quer entender, quem ganhou foi Berlusconi. E ganhou por três razões:
- Mantém como Presidente da República Giorgio Napolitano e que Nuti descreve e ilustra com factos como sendo um homem que não deve muita coisa à ética mas a quem Berlusconi deve muito.
- Como vice-primeiro ministro tem-se nomeado a mão direita de Berlusconi, Angelino Alfano.
- Como primeiro ministro temos Enrico Letta, filho de um antigo ministro de Berlusconi.
Este é, em síntese, o quadro em Itália, mas a pergunta que se deve colocar é a seguinte: e em Portugal? O que sabemos da intervenção do Presidente da República , a quem Sousa Tavares apelidou de palhaço, com um insulto à dignidade dos palhaços artistas, com a sua última intervenção é no mínimo um espanto. Falou antes em eleições para 2014 com um governo dito de salvação nacional bem amarrado a um acordo que a pressão de Bruxelas faria aprovar e a mostrar que estaríamos perante uma equivalência funcional do fascismo, pois então, com um tal acordo as eleições deixariam de ser necessárias. O acordo não se verifica, felizmente, e o Presidente desfaz então a hipótese de eleições em 2014. Quem entende? A provar que Miguel Sousa Tavares insultou os palhaços na pessoa do Presidente, pois os palhaços, esses, entendem-se e fazem-nos rir, a nós e aos nosso filhos ou netos, e com ensinam-nos a amar a vida, enquanto este apenas nos faz revoltar ou até chorar. E tudo continua na mesma!
Sabe-se da nomeação do governo e com os diabos, com um Ministro dos Negócios Estrangeiros de 73 anos. Rui Machete, e que terá passado pela Sociedade Lusa de Negócios, proprietária do BPN e que deveria ser proprietária dos buracos financeiros deste banco, mas pior do que isso, com um seu filho no Tribunal Constitucional, Pedro Machete, cooptado entre os pares, sem que isso seja considerado conflito de interesses! Nada acontece e a imprensa nada diz! Porquê este silêncio? Comprada? Ignorante? Ou sou eu que estou errado? Mas o curioso é que estamos com mais uma pessoa que passou pelo BPN a ir para o governo. Lembram-se do Franquelim Alves? Lembram com certeza, mas como diz o povo de quem sou filho, diz-me com quem nadas e dir-te-ei quem és. Ora são homens do Presidente, os homens em questão, são milhares de milhões que os pobres deste país hão-de ter de pagar e que desonestamente terão desaparecido, e o povo então descreve a ética do nosso Presidente de acordo com a sua regra acima enunciada. Mas o Presidente diz que gente mais séria que ele não há! Será então o sentimento popular que está errado, será a percepção do real do nosso Presidente que já não tem nada de real, ou será então o quê? Sinceramente, não entendo.
Deixem-me fazer uma pergunta: ninguém se interessa pelos pequenos comerciantes e pelos pequenos industriais contra a maquinaria absurda da burocracia a que são submetidos quando muitos deles ainda são iletrados. Não há um jornalista que seja capaz de acompanhar um camionista desde a carga até ao destino e presenciar a carga burocrática a que são estes operadores submetidos? Mas a pergunta não é essa. A pergunta é a seguinte: a quem pertencem as empresas principais fornecedoras dos milhares de equipamentos necessários para satisfazer esta pressão burocrática? A quem pertencem, a quem pertenceram?
Será então que estes exemplos nos mostram todos eles que estaremos a caminho da situação italiana?
Um leitor meu a quem enviei pessoalmente o texto com a pergunta, “ diz-te alguma coisa” respondeu-me o texto que se segue e que mais não faz do que alargar o peso ou a importância da pergunta acima, de quem é que anda a ganhar com a máquina burocrática instalada sobre os pequenos empresários. Quem ganha?
O seu texto é o seguinte:
“Diz muito… Há uma reflexão a fazer e que estranhamente, ou talvez não, não aparece.
Não posso deixar de lhe dar seguimento, com algumas ideias que me surgiram espontaneamente…
….
Onde está a simplificação, a apregoada redução dos custos de contexto?
Equipamentos para a Administração Pública e para os obrigados fiscais…e inerentes aplicações informáticas e suas actualizações.
Seja o e-factura, seja o controlo dos bens em circulação, para além de tudo o mais..
Os fins (armazenar informação de um modo absurdo – foi anunciado que já estariam no sistema, só em seis meses de vida do modelo, mais de 1,5 milhar de milhões de facturas – para quê?), será que justificam os meios (armazenar informação tem custos elevados, naturalmente)?
Quanto custa tudo isto? Qual o contributo para a despesa pública? Quem são os fornecedores? Qual o papel do Tribunal de Contas?
Não estando sós no mundo, e sabendo-se existirem Países que são referência a nível da eficiência dos respectivos fiscais (com reduzida percentagem de economia paralela), que não é, infelizmente, o nosso caso, qual o País ou Países onde estes modelos já foram/estão a ser aplicados?
Não estaremos a caminho de morrer da cura?
Assiste-se por outro lado, a emissões massivas de notificações para os contribuintes, seja pelo IRS, seja pelo IUC, seja pelo IMI, tudo em simultâneo, o que leva à deslocação agregada de milhares de contribuintes aos Serviços de Finanças, exigindo resposta rápida de Serviços carenciados de recursos humanos e estes da adequada e atempada formação, o que leva a um crescimento de litigância e conflitualidade, para além dos dias/meses ou mesmo anos de trabalho, em valores acumulados, que se perdem pura e simplesmente em filas de espera (isto num País onde é fundamental aumentar a produtividade!!!). Onde está o respeito pelos contribuintes? Onde está o planeamento? Coisas elementares na nossa vida em sociedade, do funcionamento das organizações. Quem é/são os responsáveis? Claro que depois fala-se da ineficiência da administração pública, atacando-se os seus funcionários, que mais não são, assim como os demais contribuintes, que vítimas de todo o processo…”
Esta é a resposta do meu amigo de longa data e meu antigo aluno igualmente, e esta termina exactamente aqui.
Júlio Marques Mota

Quais as falhas éticas do presidente italiano, G. Napolitano ? Letta é mau primeiro-ministro porque é filho de um ex-ministro de Berlusconi ?