POESIA AO AMANHECER – 252 – por Manuel Simões

poesiaamanhecer

FERNANDO ILHARCO MORGADO

( 1929 )

ESPIRAL (fragmento)

Cantamos.

O canto eleva-se

parte do homem

atravessa

o espaço as nuvens

que mudam de corpo

no céu

pintado de azul.

Cantamos.

E o canto eleva-se

no espaço

que nasce do homem.

Esperamos.

O tempo é de pedra

tudo rapidamente

é demorado.

Mas a terra gira,

da terra nascem

todas as paisagens,

da terra nascem

as mãos e os frutos

os rios e os sexos.

(…)

Acordamos.

Tudo recomeça

em cada aurora.

Da noite

abrimos os olhos

com que acordamos.

E corremos

a inventar

mais um dia.

(de “Cantos do Exílio”)

Conheceu o exílio em Paris desde 1964 a 1980, com uma estadia no Brasil de 1972 a 1976. Da sua extensa obra poética destacam-se os volumes: “As Vozes e a Madrugada” (1955), “Entre Sombras e Claridades” (1968), “Cantos do Exílio” (197), “Margem Luminosa” (1989), “Colina das Palavras” (1999), “Respiração do Mundo” (2004), “O Peso da Luz” (2008), “No Rumor da Terra” (2010).

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