RETRATOS, IMAGENS, SÍNTESE DOS EFEITOS DA CRISE DA ZONA EURO SOBRE CADA PAÍS

Selecção e tradução por Júlio Marques Mota

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A Alemanha à procura de braços estrangeiros  para dinamizar a sua economia

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TEXTO DISPONIBILIZADO POR PHILIPPE MURER, MEMBRO DO BUREAU DU FORUM DÉMOCRATIQUE, PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO MANIFESTE POUR UN DÉBAT SUR LE LIBRE ÉCHANGE

Para preencher a sua penúria em mão-de-obra a Alemanha  abriu a via a uma imigração escolhida, propondo um certo número de profissões mediamente qualificadas a trabalhadores fora da União Europeia .

Pela primeira vez, a maior economia da União Europeia  publicou uma lista  reagrupando 18 sectores à procura de pessoal. Do canalizador  ao enfermeiro passando pelo condutor de comboio, pelos trabalhadores nos serviços de cuidados de saúde para  as casas de apoio aos pensionistas  doentes até aos especialistas em mecânica: estas são as profissões  que poderão exercer os imigrados não-europeus, se o quiserem.

Depois de  ter facilitado a obtenção de uma autorização de residência para o pessoal altamente qualificado no ano passado, Berlim quer agora permitir  às pessoas que trabalham nas ocupações intermediárias que se possam instalar  mais facilmente na Alemanha. A condição de entrada para estrangeiros interessados será a de apresentarem  um diploma  profissional nas áreas acima citadas. Até agora, a Alemanha passava  por acordos bilaterais entre agências de emprego, quando precisava de um certo tipo de pessoal, disse um porta-voz do Ministério da economia. Este foi particularmente o caso para os cuidadores de saúde e para o pessoal originário da Croácia ou das Filipinas, disse ele. ‘ Trata-se de  uma pequena revolução, porque pela primeira vez a Alemanha na verdade abre moderadamente as portas a pessoal mediamente qualificado “, disse Thomas Liebig, economista com a OCDE. De acordo com um estudo realizado por esta organização, e apresentado em Fevereiro passado, a  Alemanha era um dos países da OCDE com menos barreiras à imigração dos  trabalhadores altamente qualificados”, mas a dos  trabalhadores sem um grau universitário era “difícil”. Em particular, sublinha então a OCDE, a Alemanha acolhia anualmente cerca de 25.000 trabalhadores imigrantes vindos de diversos países fora da União Europeia e fora da Associação Europeia de Comércio livre, que representa aproximadamente 0,02% da população. No entanto, a Austrália, a Dinamarca, o Canadá e o Reino Unido registam  números de cinco a dez vezes

A Alemanha aceita  a imigração como uma solução para o  seu problema demográfico.

Alemanha,  o mais  velho país da Europa com uma natalidade baixa  e com 42% da população de mais de 50 anos, toma pouco a pouco consciência  da urgência da situação. Mesmo se ela faz com que as pessoas mais velhas trabalhem  mais tempo, a Alemanha aceita agora a imigração como uma  das soluções para o problema demográfico. Está-se pois muito longe  do  famoso slogan eleitoral controverso de um dos caciques  do partido democrata cristão, Jürgen Rüttgers, que apelava , em 2000, aos alemães para terem  mais filhos, ao invés de contratarem  cientistas de informática indianos.

A Alemanha abre agora os braços e não apenas para os trabalhadores de países europeus em crise ou da Europa Oriental. Num site intitulado ‘Make it Germany ‘, os ministérios da Economia e do Trabalho, bem como a agência de emprego, informam   em inglês e alemão, sobre as oportunidades de trabalho, com imagens de um africano ou de um asiático. “E, no verão passado, a Alemanha decidiu permitir que permaneçam na Alemanha os jovens não saídos da UE,  depois de concluída a sua formação, jovens estes  que vieram fazer  um estágio no país”, observa Thomas Liebig.   São sobretudo as PME, espinha dorsal da  economia alemã, que estão a começar a ficar sem mão de obra, como o mostra a lista de profissões publicada segunda-feira, onde se sublinha a falta de especialistas em electrónica .

No entanto, a língua alemã continua a ser uma barreira, e a maioria dos requerentes à imigração   não a dominam ainda  quando eles chegam ao país. De acordo com Karl Brenke, economista no DIW Berlin Institut, esta política de abertura na realidade esconde uma nova pressão sobre os salários. “Não há nenhuma falta de força de trabalho na Alemanha”, disse ele, citando ”  o pessoal médico alemão  que prefere exercer a sua actividade  na Escandinávia ou na Suíça, onde os salários e as condições de trabalho são melhores. “Este apelo a  imigração é uma maneira de fazer descer os  salários”, assegura  ele.

(Em conjunto com a AFP)

Texto disponível em : www.lefigaro.fr/…/20002-20130723ARTFIG00402

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