O NOVO NACIONALISMO ECONÓMICO, 2ª PARTE: O NOVO GRANDE JOGO. Por SATYAJIT DAS.

Selecção e tradução por Júlio Marques Mota

The New Economic Nationalism, Part 2: The New Great Game

SEGUNDA PARTE

Satyajit Das, 13 de Setembro de 2013

O desespero europeu

A escalada da dívida soberana e os problemas do sector bancário favorecem uma certa introspecção pela parte dos europeus.

As economias nacionais da Europa são individualmente pequenas quando vistas em termos relativos com os EUA. Mas como uma entidade integrada, a União Europeia (“UE”), incluindo os 17 membros do Euro que partilham de uma moeda comum, constitui mais de 25% do PIB global, a EU torna-se a maior unidade económica do mundo.

A UE é uma economia mais aberta, sendo o maior exportador e importador de bens e serviços do mundo. Mas cerca de 75% do seu comércio é realizado entre os seus Estados-membros, apoiados pela remoção das barreiras ao comércio e pela moeda comum. Por exemplo, a Alemanha, a maior economia da UE e um dos maiores exportadores do mundo, vende mais 60% dos seus produtos no mercado europeu, sendo grande parte deste dentro da zona Euro.

A UE é largamente auto-suficiente em alimentos. Tal como nos EUA, esta posição está baseada, em parte, em subsídios, em esquemas de preços mínimos e de restrições comerciais que favorecem os agricultores.

A UE é um importador líquido de energia, embora acordos estratégicos mutuamente benéficos feitos com a Rússia e outros países ricos contíguos sobre a energia possam fornecer segurança de abastecimento. Significativo potencial de gás natural que se encontra no mar Mediterrâneo oriental pode surgir como uma fonte de energia para a Europa.

A necessidade de uma maior integração para poder lidar com os seus problemas de dívida pode ser o catalisador da mudança para a autarquia.

Como um todo, a balança corrente da zona do Euro é quase equilibrada, a sua balança comercial apresenta um ligeiro excedente, o défice orçamental global é modesto e o nível agregado de dívida pública apesar de alta é passível de se considerar dentro de um nível governável. Mas na zona Euro existem disparidades significativas entre os seus membros individualmente em termos de níveis de rendimento, finanças públicas, contas externas e os níveis da dívida. Uma maior integração ajudaria a resolver alguns destas disparidades.

No entanto, para isso seria necessário uma transferência de riqueza líquida das nações mais ricas para os Estados-membros mais fracos. Os Estados membros de reconhecidamente maior crédito e mais fortes também teriam que subscrever os empréstimos das nações mais fracas. Atualmente há uma oposição significativa para tal articulação dos vários passivos, previsivelmente a partir dos Estados credores líquidos, tais como Alemanha, a Finlândia e a Holanda.

Mas mesmo sem acordo quanto à emissão conjunta das obrigações da zona Euro, de facto, a mutualização da dívida virá a ter o seu lugar. Como é necessário mais financiamento para as nações mais fracas, isto significa deslocar-se o apoio a ser- lhes concedido para as instituições oficiais como o Banco Central Europeu (BCE) e para os fundos de resgate. Por esta via, aumenta o compromisso dos países mais fortes, especialmente, de países como a Alemanha e a França e, implicitamente, estes assumem as responsabilidades dos membros mais fracos da zona do Euro.

Se esta se fragmenta, então a zona Euro vai transformar-se numa versão em ponto pequeno da original, provavelmente consistindo das nações mais fortes da zona Euro, ou seja, constituída apenas pelos países mais importantes e alguns dos países mais pequenos. Cuidando-se dos enormes prejuízos e de uma diminuição significativa da riqueza, os sobreviventes serão possivelmente sensibilizados para defender a criação de políticas em defesa de regimes autárcicos para restaurar a saúde das suas economias.

Independentemente das suas escolhas políticas, a Europa enfrenta um período prolongado de estagnação económica que irá funcionar à margem ou independentemente da questão da carga do serviço da dívida e empenhar-se-à na realização de mudanças estruturais importantes para corrigir os desequilíbrios criados. Durante esta transição, a Europa será forçada a concentrar-se no plano interno, poupar, ligando poupança à riqueza necessária para absorver as grandes e necessárias depreciações da dívida. Explícitos ou implícitos controlos de capital e restrições comerciais serão medidas no plano político e naturalmente poderão ajudar a este ajustamento, marcando-se uma intensificação na viragem para uma economia mais fechada.

(continua)

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Para ler a Primeira Parte deste trabalho de Satyajat Das, publicada ontem em A Viagem dos Argonautas, vá a:

http://aviagemdosargonautas.net/2013/10/03/o-novo-nacionalismo-economico-2a-parte-o-novo-grande-jogo-por-satyajit-das/

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