UMA CARTA DO PORTO – Por José Magalhães (6)

PARQUES, JARDINS E MIRADOUROS

Na verdade não sei se nas outras cidades do nosso País, e mesmo em outras por esse mundo espalhadas, há, percentualmente, tantos metros quadrados de parques e jardins públicos como há no Porto.

Na realidade, no Porto há uma imensidade de jardins, temos cerca de 17 metros quadrados de área verde por cada habitante, o que começa a estar perto da média europeia. Há jardins pequenos, jardins médios, grandes e até muito grandes, e temos o maior parque urbano de Portugal com 83 hectares que se estendem até ao mar. A existência de tantos e tão bons parques e jardins dá-nos uma razoavelmente boa qualidade de vida (no que a este assunto diz respeito, claro).

Mas alguns, já me referi ao pequeno e lindíssimo jardim “das oliveiras” cuja utilização pelos munícipes não é permitida, andam escondidos dos olhares e do uso quotidiano dos Portuenses, e fazem parte dos Tesouros Escondidos na Cidade.

Como é usual e tipicamente Português, não há na cidade sinalização adequada para os sítios, atalhos e caminhos, pelo que, e apesar de já termos melhorado muito essa informação nos últimos anos, temos miradouros escondidos, igrejas  e capelas que poucos conhecem, jardins lindíssimos que só alguns frequentam e o mais que se verá.

 

TESOUROS ESCONDIDOS NA CIDADE

Passeio das virtudes

Vista do Passeio das Virtudes

Vista do Passeio das Virtudes

O Passeio das Virtudes foi, em tempos idos, um dos mais famosos locais da cidade. Fora, até finais do século XV, conhecido como o Jazigo dos Judeus (Almocávar) por ser ali que eles eram sepultados.

Era um local pedregoso e cheio de precipícios que se estendia desde a Muralha Fernandina até à praia de Miragaia, mas após a expulsão dos Judeus no século XVI foi arranjado e ajardinado.

Construiu-se mais tarde, nos finais do século XVIII, o paredão das Virtudes.

Lamentavelmente desde há muitos anos que o paredão tem umas grades altas, para assim impedirem os suicidas de concretizarem actos tresloucados.

Nos séculos XVII e XVIII passaram pelo Passeio das Virtudes, e passearam, as mais belas donzelas do burgo, senhoras e senhorinhas casadoiras, janotas e peraltas, fidalgos, desembargadores e frades, e não havia na cidade sítio mais ameno e agradável do que este.

Hoje, como então, os nossos olhos gozam de uma só vez a esplêndida vista sobre a cidade e o rio, embora já sem a beleza dos campos e das campinas, dos montes e das quintas e palácios que na altura abundavam.

Para além do passeio ajardinado e do miradouro que lhe está associado, há uma fonte.

A Fonte de N. Senhora das Virtudes ou do Rio Frio.

Fonte das virtudes

Fonte das virtudes

A fonte, de estilo barroco, foi construída nos princípios do século XVII (1619) e foi considerada a mais importante que a cidade tinha na altura.

Apesar do nome que ostentava, Fonte do Rio Frio, rapidamente passou a ser conhecida pela das Virtudes, supostamente por causa das curas medicinais das águas da fonte, muito embora nos finais de século XIX já quase ninguém a utilizasse, encontrando-se a fonte, nessa altura, ao abandono. Hoje recuperada, é umas das mais bonitas fontes do Porto.

 

Parque das Virtudes

Jardim Municipal do Horto das Virtudes

O parque das Virtudes é um dos mais bonitos parque do Porto. Construído em socalcos, de quase toda a parte se tem uma vista maravilhosa sobre o casario, a Alfândega, o rio e Vila Nova de Gaia. Mesmo a seu lado, escondida lá em baixo, com uma entrada encostada à Fonte das Virtudes,  está instalada uma escola, a de Miragaia, construída em socalcos, em obediência ao terreno acidentado onde está implantada, que foi desenhada pelo Arquitecto José Miguel Regueiras.

Paredão das Virtudes - Em primeiro plano a Escola desenhada por José Miguel Regueiras

Paredão das Virtudes – Em primeiro plano a Escola desenhada por José Miguel Regueiras

O Parque das Virtudes quase passa despercebido.

A cerca de 200 metros de uma das suas entradas, na calçada das Virtudes, tem na realidade uma placa a indicar que “para ali” está um parque.

A outra entrada, é uma desgraça.

Não tem placa indicativa alguma, o portão, se se poder chamar portão àquilo, está desengonçado e meio desfeito e o parque começa, sem qualquer dignidade, com uma parte cimentada onde se vêm por vezes alguns carros estacionados.

Mas, se se entrar por esta “porta”, pela Rua Azevedo de Albuquerque, ao fim de cerca de cem metros a beleza da paisagem toma conta de nós e tudo esquecemos.

Vistas do Jardim/Parque das Virtudes

Vistas do Jardim/Parque das Virtudes

 

Bataria da Vitória

– Foi aqui, foi mesmo aqui, que o senhor D. Pedro, Rei de Portugal e quarto de seu nome, quase levou um tiro, vindo das bandas de Gaia – assim nos diria o saudoso historiador José Hermano Saraiva na sua peculiar forma de nos contar factos da história.

De facto, reza a lenda que um tiro vindo da outra banda quase teria acertado no Rei, quando este olhava as movimentações das tropas de D. Miguel. Durante o Cerco do Porto, era este um local estratégico e privilegiado pelo nosso Rei para observar o “inimigo” e, mais importante até, para se mostrar, e demonstrar que a cidade continuava bem e de boa saúde.

A Bataria da Vitória fica ao fundo da Rua de S. Bento da Vitória e, outrora local público, é hoje lugar privado, desprezado e votado ao abandono. Mas já nos tempos do início do século XX assim o era. De facto, este local magnífico da nossa cidade, foi alindado logo após as lutas do Cerco. Ali tinha sido instalada pelos Liberais uma bataria defensiva, e após o seu desmantelamento, a Câmara mandou arranjar o espaço. Mas, e como é hábito em muito do que se faz por cá, já nessa altura assim era, nunca mais ninguém lhe ligou ou preservou, e passou, com o passar do tempo, a ser local menos recomendável para que as “pessoas de bem” por lá estivessem.

Hoje, as “vistas” continuam lindas e é um dos locais da cidade a não perder de visitar enquanto os donos do espaço não decidirem arranjá-lo e proibir a entrada a “pessoas estranhas ao local”.

Bataria da Vitória

Bataria da Vitória

 

MÚSICA CLÁSSICA NA BAIXA

Praça das Cardosas

Na novíssima Praça da cidade, houve no passado Domingo, Música.

Desta vez a 1ª Avenida, trouxe-nos a Camerate Ensemble da Banda Sinfónica Portuguesa, para interpretarem obras de Mendelssohn, Debussy, Florent Schmitt e Willem Van Otterloo, sob a direcção de José Eduardo Gomes. Concerto memorável que nos alegrou os sentidos.

Mais uma vez a cultura desceu até nós.

FESTIVAL DAS FRANCESINHAS

Francesinha

Francesinha

As francesinhas fazem já parte da nossa cultura. Desde a sua “invenção” nos anos 50, e não, como brinquei aqui, no tempo das Invasões Francesas, que a pouco e pouco ganharam terreno, a ponto de se fazerem já festivais em sua honra.

Desta feita a festa é na baixa, na Praça D. João I.

Na Quinta-feira passada começou mais uma edição do “Francesinha na Baixa”, e ainda vai a tempo de lá ir pois que fica a saber que a iguaria, um dos pratos mais famosos do Porto, vai ser servida até 13 de Outubro.

A iniciativa conta com a colaboração de cinco reputados restaurantes da cidade, o BB Gourmet, o Capa Negra, a Cufra, o Porto Beer e o Santiago.

A francesinha já tem imensas variantes que poderemos encontrar com facilidade, francesinha de carne assada, com bife, de linguiça de porco preto, com vitela fumada, com camarão, de carnes brancas, vegetariana, com e sem ovo, “especial”, em “pão de cruz”, e por aí fora. É um sem número de possibilidades e propostas diferentes.

Sempre a partir do meio-dia.

Não falte!

Não é para nos gabarmos, coisa que até nem é muito bonita de se fazer, mas o Porto é uma das cidades mais antigas do Mundo, e também uma das mais originais, invulgares e bonitas.

Somos uma sedução para quem nos visita, e uma das razões para que tal aconteça é a de nunca deixarmos de ser quem somos. Somos assim, somos genuínos.

Para além de quatro especialidades gastronómicas locais e únicas no Mundo, Francesinhas, Bacalhau à Braz, Bacalhau à Zé do Pipo e Tripas à Moda do Porto, temos imensos locais, construções e figuras públicas, que se encontram entre os 10 mais belos ou importantes do Planeta na respectiva categoria.

E, não se esqueçam, o Porto está na moda, com um crescimento turístico (medido pelo aumento do número de passageiros no Aeroporto Sá Carneiro) de cerca de 10% ao ano. Temos o Mundo aqui, mesmo à nossa beira, ligados que estamos, por avião, a mais de sessenta destinos diferentes.

 

Não perca mais tempo, venha visitar-nos!

About José Magalhães

Escrevo e fotografo pelo imenso prazer que daí tiro

2 comments

  1. maria celeste ramos

    Obrigada – eu não sabia – maria celeste ramos – arqtªpaisagista-Lisboa

    Gostar

  2. Pingback: UMA CARTA DO PORTO – Por José Magalhães (6) | joanvergall

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