Reportando ao do projecto Epiteen que ontem abordei, alguns resultados já foram divulgados, relacionados com jovens que agora têm 21 anos. Os investigadores advertem que não há um perfil, um padrão único e que não se pode perder a oportunidade de intervir cedo porque há muitos comportamentos relacionados uns com os outros. Mas que são preocupantes, lá isso são.
Vejamos:
– 64 % dos jovens já se embriagaram em média sete vezes no último ano.
– 41 % já experimentaram droga.
– 40 % destes jovens são fumadores.
– A violência começa maioritariamente durante a adolescência e quase sempre dentro das escolas.
– 18% dos jovens até aos 21 anos já agrediu fisicamente e pelo menos uma vez o seu namorado ou namorada.
– 30% dos jovens relataram, pelo menos, um caso de coerção sexual.
A coordenadora do estudo, Elisabete Ramos, especificou em relação a estes dados: «Estamos a falar de coisas como de alguma forma obrigar o parceiro a ter relações sexuais quando não queria ou por exemplo insultos no âmbito de uma discussão». E acrescentou: “os adolescentes que se envolveram em lutas física aos 17 anos apresentavam uma maior probabilidade de se envolverem em actos de violência no relacionamento íntimo aos 21 anos”, sendo esta “uma das grandes mais-valias deste trabalho que acompanha estes jovens e assim conseguimos perceber a relação entre as coisas”.
Se já sabemos tudo isto, vamos ficar de braços cruzados? Que tipo de intervenções são necessárias para contrariar estas tendências? Como mudar as atitudes destes jovens?
As três primeiras conclusões que referi dizem respeito a campanhas de saúde pública e que poderão vir a ter respostas positivas. Não sei o que os responsáveis por estes sectores estão a preparar. E não me venham com a desculpa da falta de verbas! O maior trunfo é a divulgação, a comunicação e a reflexão.
As outras conclusões referem-se a forma de ver a vida e as relações humanas, mais especificamente as questões de género. Vêm de muito de trás, de todo o ambiente familiar em que se viveu, de toda a educação que se recebeu. A mudanças neste campo são muito mais lentas… mas não podemos desanimar e desistir!


