O MENINO E O PAPAGAIO – por José Fernando Magalhães

Um Café na Internet

O MENINO E O PAPAGAIO I

.A vontade comandava-lhe o sonho e este regia-lhe a vida, que nunca fora fácil nem doce nem bonita, e enquanto pensava olhava a sua mão frágil que com a guita bem esticada segurava o papagaio voador que bem lá no alto rodopiava sem parar, olhava para cima e pensava em como gostaria de se ver lá em cima, ouvindo o ruído suave do vento, um ou outro pio de uma qualquer companheira de viagem e vendo tudo na sua real dimensão, tudo pequenino, muito pequenino, quais formiguinhas na sua labuta diária, mas não era assim, as coisas tinham o tamanho que tinham, e como que para lhe provar isso, de vez em quando o vento soprava mais forte e ele quase não conseguia segurar o cordel que lhe magoava as mãos, ora uma ora outra, que se iam revezando no esforço, com a mestria a que já estava habituado, que sempre assim fora toda a vida, sempre tivera que lutar para ter alguma coisa e a luta por vezes era renhida embora fosse bom chegar ao fim e ganhar, não como desta vez em que se sentia perdido e tonto, sozinho com o papagaio pela primeira vez, que quase não conseguira pô-lo no ar, e era domingo como das outras vezes, mas ao contrário dessas estava só, com uma lágrima por companhia.

O MENINO E O PAPAGAIO II .

Rodava sem parar fazendo desenhos lindos e estranhos, comandado pelas mãos pouco sábias do menino, e sentia-se feliz quando, olhando para baixo lhe notava o sorriso no rosto concentrado, de vez em quando dava-lhe um safanão como que para lhe lembrar que era ele que mandava, mas a culpa não lhe pertencia e não era assim que ele queria, era do vento que por vezes soprava forte, e quando assim era, as mãos do menino sofriam com a sediela a aperta-las cada vez mais e o sorriso transformava-se num misto de perseverança e ainda de mais concentração até que amainado o vento o voo era simples e o sorriso voltava mostrando a felicidade que lhe enchia a alma, que era a primeira vez que comandava sozinho depois das lições domingueiras do pai, que orgulho ele iria ter quando lhe mostrasse como era capaz e que lindas figuras conseguia fazer, e o papagaio voador olhava-o e ajudava-o fazendo mais uma pirueta e pensando em como é bom conseguir fazer sorrir uma criança.

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