RETRATOS COM HISTÓRIAS – AMÁLIA RODRIGUES – POR EDUARDO GAGEIRO

Imagem1

Imagem2

Amália Rodrigues. 1971. É a diva. Parece uma cena de cinema.

O que se pode dizer de Amália que não tenha sido já dito? Intérprete excepcional, escolhia o seu repertório com critério e inteligência. Eliminou o fosso que remetia o fado para o guéto da música popular urbana – introduziu poemas de grande qualidade como letras de fados – Camões, Bocage, Pedro Homem de Mello, Alexandre O’Neill, Manuel Alegre, Ary dos Santos, David Mourão-Ferreira…  Escudando-se na modéstia dos seus recursos culturais, foi adquirindo cultura e saber, foi educando a sensibilidade. Alguns poemas de sua autoria revelam uma razoável capacidade literária, como por exemplo «Lágrima». Há quem pretenda denegrir a sua imagem, afirmando que colaborou com o regime salazarista e até com a polícia política. Há quem a considere uma resistente antifascista. Não sabemos. Antes do 25 de Abril, no seu círculo de amizades incluíam-se opositores ao regime. Há quem diga que ajudava famílias de presos políticos.  Em 1943, a pedido de António Ferro, responsável pela propaganda do Estado Novo, e do embaixador Pedro Teotónio Pereira, cantou em Madrid, capital de um Estado espanhol fascistizado. Quando, em 1966, o seu compositor e amigo Alain Oulman foi preso pela polícia política, exerceu toda a sua influência para que o músico fosse libertado e posto na fronteira. Ainda durante a ditadura, cantou composições de José Afonso… Enfim, entre as duas lendas há algo de objectivo e indesmentível – o seu talento, a sua forma única de interpretar. Como diz Eduardo Gageiro – «É a diva». (CL/MS)

———-

Nota – O texto mais pequeno, colocado logo abaixo da fotografia, é da autoria de Eduardo Gageiro. O texto mais extenso, é o comentário de Carlos Loures e  Manuel Simões.

Leave a Reply