RETRATOS, IMAGENS, SÍNTESE DOS EFEITOS DA CRISE DA ZONA EURO SOBRE CADA PAÍS

Saltam as rolhas do caro champagne em Lisboa porque a crise acabou, disparam-se os primeiros tiros de bazuca a partir dos mercados financeiros porque a crise se intensificou

Júlio Marques Mota

Parte II

(continuação)

Olhando para os principais componentes da inflação da zona euro, a saber, bens alimentares, álcool e tabaco é esperado que estes produtos tenham a mais elevada taxa anual em Dezembro (1,8%, em comparação com 1,6% em Novembro), seguido pelos serviços (1,0%, em comparação com 1,4% em Novembro), bens industriais não energéticos (0.2%, estável em comparação com Novembro) e energia (0,0%, comparado com 1,1% em Novembro).”

Tabela AInflação anual da zona euro e seus componentes (%)

bazuca - V

Uma outra fonte de preocupação é o enfraquecimento da inflação nos países do Norte da zona do euro, particularmente na Alemanha. Até agora, poder-se-ia argumentar com Mário Draghi aliás, que a estabilidade de preços ou de deflação que afecta certos países do Sul como a Espanha, Grécia e Chipre seriam fenómenos “saudáveis”, como ele mesmo Mario Draghi disse, na medida em que se trata de um ajustamento relacionado com a descida dos níveis de vida destes países. Mas sabe-se agora que a Alemanha irá ter uma taxa de inflação de 1,2% em Dezembro. Portanto, um valor bem fraco para a primeira economia da Europa. Daqui resulta o risco de que as empresas alemãs tentem compensar o enfraquecimento do aumento do preço por uma moderação ainda maior que enfraqueceria assim o pilar central no crescimento económico alemão que é esperado para 2014. O risco de uma espiral deflacionária, portanto, não pode ser excluído, uma vez que até aqui se reduz o principal motor da principal economia da zona euro .

Mas no mundo de Bruxelas e de Frankfurt nada acontece, nenhum sinal quanto ao perigo de deflação na Europa. Draghi martela até à saturação que a zona euro não é o Japão. E assegura que a zona euro tem os melhores fundamentais do mundo, o que nos fará necessariamente sorrir. Evidentemente a Europa não é o Japão, evidentemente a Europa assemelha-se cada vez mais ao Japão com a diferença de que este não consegue sair da recessão enquanto a Europa recusa sair dela. Fica bem claro neste ponto a vontade de com o presente texto de Tortus se querer ter quanto a Portugal um objectivo bem específico de que falaremos depois.

Retomemos o âmbito do Hedge fund Tortus.

Veja-se a Figura V

A partir da apresentação feita pelo Hedge fund Tortus Capital (com o seu excesso aleatório de capitais a descoberto, estes são pontos sérios que o leitor compreende):

A fadiga da austeridade é um fardo que as pessoas carregam com muito desagrado, e este é o peso das políticas de ajustamento. Os políticos e o Tribunal Constitucional atestam tudo isto.

Os portugueses suportam com um forte sentimento de injustiça o peso total do ajustamento enquanto os especuladores ganham com isso.

  1. O Povo sofre a carga como sendo uma injustiça (representado pela seta a vermelho na Figura V)
  2. Os especuladores ganham (representado pela seta a verde na Figura V)

Figura V – Consequências das políticas de austeridade

bazuca - VI

Da Figura VI depreende-se que:

As empresas estão a entrar em situações de incumprimento e de falência em massa, portanto, não podem sustentar o fardo da dívida, que leva a um ciclo vicioso de desalavancagem.

As empresas portuguesas estão a pagar taxas de juros significativamente mais altas do que os seus parceiros na zona euro (6,2% em Portugal contra 3,8 para os países da zona euro).

Figura VI Novas taxas de juro dos empréstimos

bazuca - VII(continua) 

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Para ler a Parte I deste texto de Júlio Marques Mota, publicada ontem em A Viagem dos Argonautas, vá a:

RETRATOS, IMAGENS, SÍNTESE DOS EFEITOS DA CRISE DA ZONA EURO SOBRE CADA PAÍS

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