EDITORIAL – PORTUGAL E A GRANDE GUERRA

Imagem2Assinala-se este ano o centenário da eclosão da Primeira Grande Guerra. Portugal foi uma das nações beligerantes, sendo o envolvimento português no conflito atribuído pela maioria dos historiadores quase exclusivamente ao objectivo de poder preservar o seu império colonial. Na realidade, mesmo antes da declaração de guerra à Alemanha, tinham já sido enviadas tropas para as colónias africanas ameaçadas pelos alemães.  Mas nem só dos alemães vinha o perigo…

Era opinião consensual entre as chamadas «grandes potências» – a Grã-Bretanha, a decrépita França e a emergente Alemanha, construída à custa da humilhação  francesa e hegemonizada pela Prússia, que Portugal possuía um império colonial demasiado grande para a  sua capacidade colonizadora e, sobretudo, sem um poder militar que lhe permitisse defendê-lo. Portanto, às incursões germânicas em Moçambique e Angola, juntava-se a cobiça de estados  “amigos”, como era o caso de França e do Reino Unido. E a ameaça de Espanha. A Alemanha procurava ocupar militarmente os territórios. A Inglaterra, na sua qualidade de aliado e protector, pretendia no rescaldo da guerra, usar as colónias portuguesas como territórios seus, negociando-os com as outras potências vencedoras. França, Bélgica, Itália, esperavam obter alguma vantagem no saque. Espanha, que não entrou na guerra, representava um perigo diferente – não ameaçava as colónias, mas sim a absorção de Portugal.

Quando em Março de 1916 o apresamento de todos os navios alemães surtos em portos portugueses determinou a declaração oficial de guerra, muitas foram as críticas ao Governo da República. Recorde-se que os dois maiores partidos, o Democrático, liderado por Afonso Costa, e o Republicano Evolucionista, de António José de Almeida, se aliaram uma semana após a Alemanha ter declarado guerra a Portugal, constituindo um governo de salvação nacional – o “Ministério da União Sagrada”. E em 1917, as primeiras tropas do Corpo Expedicionário Português eram enviadas para a Flandres. A mobilização quase atingiu os 200 mil soldados e as baixas ascenderam a 10 mil mortos e muitos milhares de feridos. Iremos, neste ano do centenário da Primeira Grande Guerra, dedicar alguns artigos a este tema. Procuraremos obter respostas para a pergunta – Por que razão, ou razões, Portugal entrou na guerra?

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