EDITORIAL – Fazei todo o mal que puderdes e passai depressa.

Imagem2As  acusações de incompetência, insensibilidade e de desonestidade contra o governo de Passos Coelho chovem de todos os quadrantes. Este executivo já demonstrou ser imune a críticas, venham elas de onde vierem. Já demonstrou que não se prende com ninharias tais como a Constituição. Nem sequer as afirmações dos seus membros, por mais peremptórias que pareçam ser são de algum modo vinculativas. O que é irrevogável, revoga-se.

Na abertura da conferência Em defesa da Constituição, da Democracia e do Estado social, que se realizou na noite de quinta-feira na Aula Magna da Reitoria da Universidade de Lisboa, Mário Soares aconselhou o Presidente da República e o Governo a demitirem-se, fazendo-o, enquanto é tempo de irem para suas casas pelo seu pé e evitarem desse modo uma onda de violência.

Em Boticas, ontem, sexta-feira, Marinho e Pinto  pediu a demissão do Governo por praticar uma política de “mentira e terra queimada” e estar composto por lóbis, sobretudo na justiça. “Este Governo é composto de lóbis e a senhora ministra representa um lóbi muito específico daquele partido, está lá e todos sabemos quem ele é, eles andam aí, e representa um sector da clientela muito poderoso daquele partido, ligado à banca, ligado a certos interesses muito concretos de Lisboa”, afirmou fora do âmbito da reunião que teve com o vice-presidente do município de Boticas. Segundo o ex-bastonário da Ordem dos Advogados, o encerramento de tribunais tem por detrás o favorecimento de “grandes negócios e grandes grupos e interesses privados”, o que é “vergonhoso e escandaloso”.”Estas medidas são tomadas por pessoas que não saem de Lisboa, não conhecem o país, não conhecem o interior do país”(…) “vivem toda a vida num ambiente luxuoso, nos grandes centros urbanos, por isso, não conhecem a realidade do país”.O novo mapa judiciário foi, na opinião de Marinho e Pinto, feito por burocratas do Ministério da Justiça que tratam os tribunais como peças de xadrez nos gabinetes.

Paula Teixeira da Cruz, a ministra da Justiça, foi vaiada junto a tribunal do Porto por uma meia centena de pessoas  concentradas ontem de manhã à porta do Tribunal Central Administrativo do Norte, no Porto, em protesto contra as políticas do Governo, tendo vaiado a ministra à sua chegada. Porém, com um desprezo olímpico pelas críticas, o tandem presidência -governo prossegue a sua obra de destruição. Quando sair, seja pelo seu pé, seja empurrado por uma onda justiceira, o País estará irreconhecível. Como dizia o poeta António José Forte Não estranheis os sinais, não estranheis este povo que oculta a cabeça nas entranhas dos mortos. Fazei todo o mal que puderdes e passai depressa”.

1 Comment

  1. Interessante ideia! Este país precisa mesmo de se reinventar, o que fará no momento em que todos percerbermos que somos nós os agentes da mudança e não um punhado de possidónios falhos de idéias que se revezam entre si na dança das eleições, ou das cadeiras, se preferir… lol…

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