Cidade – luz, sombra e palavras – 2 – Amesterdão – fotografias por Fábio Roque

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 AMESTERDÃO – A CIDADE E O PORTO

Amsterdam II

NO PORTO DE AMESTERDÃO, por JACQUES BREL

 

NO PORTO DE AMESTERDÃO

No porto de Amesterdão

Há marinheiros que cantam

Sonhos que os atormentam

Ao largo de Amesterdão

No porto de Amesterdão

Há marinheiros adormecidos

Como pendões esquecidos

No cais da solidão

No porto de Amesterdão

Há marinheiros sem ilusão

Cheios de cerveja e pancada

Ao romper da madrugada

Mas no porto de Amesterdão

Há marinheiros que nascem

Com os calores que crescem

De langores da vastidão

 

 

 

No porto de Amesterdão

Há marinheiros que comem

Em toalhas muito brancas

Peixes que escorrem

Mostram-vos os  dentes

Para morder na fortuna

Fazer encolher a lua

Devorar as espias

E cheira a bacalhau

Em toda a fritada

Pelas mãos grandes chamada

Para se porem a pau

Levantam-se a rir

Com ruídos de ventania

Fecham a berguilha

E saem a arrotar

 

No porto de Amesterdão

Há marinheiros que dançam

Roçando a pança

Das mulheres que dançam

Rodam e dançam

Como sóis vomitados

Nos sons rachados

De um acordeão rançoso

Torcem o pescoço

Para ouvirem o riso

Até que sem aviso

O acordeão acaba

Então com um gesto largo

Com uma postura altiva

Levam a sua batávica

Até à luz mais viva

 

No porto de Amesterdão

Há marinheiros que bebem

Bebem  e voltam a beber

Bebem mais ainda

Bebem à saúde

Das putas de Amesterdão

De Hamburgo ou de outro lado

Pois bebem às senhoras

Que lhes dão o seu lindo corpo

Que lhes deixam a sua virtude

E por uma moeda de ouro

E quando beberam tudo

Põem-se de nariz para o céu

E mijam como eu choro

Sobre as mulheres infiéis

No porto de Amesterdão

No porto de Amesterdão

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