
E se em vez de pormos um vídeo muito bonito e enternecedor que anda correndo as redes sociais, nos indignássemos por as pessoas com esta síndroma precisarem de um dia para falarem delas?
E indignarmo-nos por ouvirmos professores dizer: “Tenho uma monguinhas na minha sala. É bestial, porque tenho menos alunos e ela não dá trabalho nenhum, é uma querida. O pior é o M. que não para quieto, risca os cadernos e atira coisas aos colegas…” A inclusão que dizem defender anda nisto… A Declaração de Salamanca é desvirtuada e, se o ensino “inclusivo” até foi em frente em certos aspectos, as medidas de “cortes” nas verbas para gastar no ensino, fazem voltar atrás. E, claro, também o valor pedagógico e moral de cada um que se confronta com estas situações entra em jogo.
Uma pessoa com síndrome de Down é vista como uma pessoa com deficiência. Neste momento, “no papel”, já são dadas certas condições para que as crianças possam estar integradas na escola regular. Quando numa turma está uma criança com estas características, a turma tem um número menor de alunos. Pressupõe-se que irá exigir, por parte dos professores uma maior atenção.
De qualquer forma, não se espera muito destas crianças. Se aprenderem a serem autónomos na vida, andarem de autocarro, fazerem algumas comprar, lerem o essencial, já se fica contente. Lembremos a importante acções dos familiares que se organizaram, após 25 de Abril de 74, para criarem instituições onde seus filhos – com estas características ou outras “deficiências” – pudessem encontrar uma resposta de escolarização e de integração social.
De acordo com dados da associação Pais 21, em Portugal, um em cada 800 bebés nasce com trissomia 21. Verifica-se um recuo no número de nascimentos de bebés portadores, já que quando a doença é detectada nos fetos, 95% dos pais optam por uma interrupção voluntária da gravidez, de acordo com a mesma associação. Estima-se que em Portugal entre 12 a 15 mil pessoas sejam portadoras da doença, segundo a Associação de Portadores de Trissomia 21 do Algarve.
Já aqui falei de vários casos, considerados de sucesso, em que conseguiram protagonizar uma vida pessoal, integrada na sociedade, muitas vezes na área da cultura – teatro, cinema.
Por exemplo, de Pablo Pineda Ferrer que foi o primeiro licenciado europeu com síndrome de Down em Espanha e que quando se quis candidatar a exercer a sua profissão de pedagogo e não deixaram.
(http://aviagemdosargonautas.net/2014/01/16/sindrome-de-down-e-possivel-ter-se-so-um-bocadinho-por-clara-castilho/)
Por exemplo, de um pai que desejamdo o melhor para o seu filho, demonstrou a admiração e amor que sente por ele, criando um livro de banda desenhada em que o heroi, Ollie, é um menino de três anos de idade e é portador de Síndrome de Down. O nome da história é “Metaphase” e no aplicativo Comixology é uma das dez histórias gratuitas mais lidas entre os meses de Maio e Junho. Tem uma previsão de lançamento em versão impressa para Janeiro de 2014.
(http://aviagemdosargonautas.net/2013/10/24/a-homenagem-de-um-pai-a-seu-filho-diferente-ollieum-heroi-de-banda-desenhada-por-clara-castilho/
Também sobre os cortes nos subsídios de educação especial.
http://aviagemdosargonautas.net/2014/03/12/corte-de-subsidio-de-educacao-especial-um-novo-factor-da-exclusao-social-por-clara-castilho/
E sobre a capacidade de estes cidadãos poderem estar ao mesmo nível de toda a gente, em áreas de cinema e teatro.
http://aviagemdosargonautas.net/2013/04/12/cada-um-especial-a-sua-maneira-jovens-com-sindrome-de-down-em-prova-de-fogo-por-clara-castilho/
Enfim, uma luta a continuar! Deixo a minha admiração por todos os pais que continuam a amar e apostar nas capacidades dos seus filhos e a procurar uma vida digna para eles. Deixo a minha admiração por todos os profissionais que não deixam de acreditar que se pode ir sempre mais longe.