Ali a São Bento, na Fundação Mário Soares, podemos apreciar 30 imagens captadas pelo fotojornalista Carlos Gil, que morreu em 2001, mas nos deixou tantos relatos importantes de tantos acontecimentos a que assistiu. Ali expostos, sobre acontecimentos e “personagens” do 25 de Abril e dos meses que se lhe seguiram.
Carlos Gil tinha 35 anos no 25 de Abril e trabalhava na Flama. Começou a fotografar em Timor-Leste em 1964. Publicou textos e fotografias em inúmeros jornais estrangeiros. Foi editor fotográfico, entre outras, das Revistas Mais, Sábado e Tempo Livre. Cobriu conflitos armados e guerras de guerrilha, do Sahara Ocidental a El Salvador, passando pelo Iraque.
O caricaturista António criou uma versão alternativa dos famosos painéis de São Vicente, uma obra do pintor Nuno Gonçalves datada do século XV. “Os painéis de Nuno Gonçalves são simétricos e eu respeitei essa simetria: de um lado eram os civis, do outro eram os militares. Agora, passados 40 anos do 25 de Abril, querendo homenagear essa gente, o Alfredo Caldeira pensou em juntar esse desenho que tem 60 personagens com as fotografias de Carlos Gil, que entretanto faleceu e que foi um grande repórter daquele tempo”, explicou António.

Diz Alfredo Caldeira, comissário da exposição: “ambos viveram intensamente estes anos que se seguiram ao 25 de Abril marcando pela presença, retratando os seus acontecimentos e muitas das suas figuras – de modos diferentes mas, pensamos, complementares”.[…] Juntar a fotografia e o cartoom não será, eventualmente, uma solução óbvia mas cremos que nos permite revisitar muitos dos acontecimentos mais marcantes da Revolução de Abril, desafiando os visitantes a melhor compreender quem fez, o quê, onde, quando e porquê”.
Mais uma iniciativa que pretende dar a sua visão do que aconteceu. Fotografar uma pessoa e não outra, um acontecimento e não outro, é tomar uma posição. Desenhar um cartoom sobre um acontecimento é tomar uma posição. Carlos Gil traz-nos as personagens políticas, mas também as da cultura, o que é um facto interessante – cantores, realizadores de cinema, teatro. Quanto ao exposto por António, confesso que me delicio com quase todos dos seus cartooms. Que não vi ali. É pena. A sua ironia, sarcasmo e crítica pouco perpassam no que está apresentado.
Existe um DVD – “A Revolução de Abril no olhar de Carlos Gil”, com produção e realização de Ivan Dias, autoria de Adelino Gomes e direcção de fotografia de Daniel Gil, que vale a pena comprar.
A exposição “Rostos da Revolução” pode ser visitada até finais de Maio. A entrada é gratuita.

