INSTITUTO NACIONAL DE ESTATÍSTICA FORNECE DADOS ACTUAIS SOBRE A FAMÍLIA por clara castilho

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 As famílias têm hoje uma dimensão significativamente menor do que há 50 anos. Apesar de o casal continuar a ser a forma predominante de organização familiar, o seu peso estatístico recuou, em particular o dos casais com filhos. Em contrapartida, ganharam importância os casais sem filhos, as famílias monoparentais e as pessoas a viver sós.

Em simultâneo, acentuaram-se as tendências de mudança relativamente à vida em casal com o aumento das uniões de facto, dos nascimentos fora do casamento e da recomposição familiar. A taxa de fecundidade atingiu níveis muito preocupantes e a esperança média de vida aumentou. Estas transformações implicaram uma mudança progressiva e persistente em direção a novas formas de viver em família.

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Em 1960 o índice sintético de fecundidade era de 3,2 filhos por mulher, 91% dos casamentos realizavam-se sob a égide da religião católica e, por lei, a mulher era responsável pelo governo da casa e devia obediência ao marido. Apenas 18% das mulheres entre os 15-65 anos estavam inseridas formalmente no mercado de trabalho.

As famílias eram de maior dimensão, em média, 3,8 pessoas e eram maioritariamente constituídas por “casal com filhos”. As famílias monoparentais, que detinham um peso de cerca de 6%, tinham essencialmente origem em situações de viuvez ou de emigração e não em rutura conjugal. As famílias complexas, constituídas por outros familiares, fora do núcleo familiar casal/monoparental, representavam cerca de 15%.

Em 2011, 57,6% das mulheres em idade ativa (15-64 anos) encontrava-se empregada. O número de filhos por mulher atingiu níveis mínimos (1,35 filhos).

A maior parte dos casamentos deixou de realizar-se catolicamente e as uniões de facto registaram um crescimento muito significativo. Neste processo de mudança, as famílias tornaram-se progressivamente mais pequenas situando-se, em média, em 2,6 pessoas. Os casais com filhos perderam importância para dar lugar a novas formas de organização familiar: aumentaram os casais sem filhos, os núcleos familiares monoparentais e as pessoas vivendo sós. Aumentaram também, de forma expressiva, os casais reconstituídos.

Em 2011 apenas 2,0% das famílias eram constituídas por mais de 5 pessoas. Em 1960 as famílias com essa dimensão representavam 17,1%. Entre 1960 e 2011 a população residente em Portugal a viver em famílias clássicas aumentou 15,9%, passando de

8 777 167 para 10 436 516 1. No mesmo período o número de famílias clássicas aumentou 71,6%, o que conduziu a uma redução da sua dimensão média. De facto, em 50 anos, o número de pessoas por família passou de 3,8, em 1960, para 2,6, em 2011.

Em 1960 as famílias com mais de 5 pessoas representavam 17,1% do total, tendo este peso diminuído continuamente e atingido 2,0% em 2011. A diminuição da taxa de fecundidade, o aumento da esperança média de vida, a alteração dos padrões de vida

doméstica (que reforçaram a privatização da vida conjugal e o crescimento da autonomia residencial dos indivíduos) e a existência de mais pessoas vivendo sós em diferentes idades e fases da vida (solteiros, divorciados e viúvos) são alguns

dos fatores explicativos das mudanças verificadas. Em 1960 as famílias unipessoais representavam 11,5% do total de famílias em Portugal mas em 2011 este valor ascende a 21,4%..

Em cada dois núcleos familiares um correspondia a casal com filhos

Os casais com filhos, apesar de continuarem a ser a forma de organização familiar mais comum, viram a sua importância relativa diminuir. Em 2011, os núcleos de casal com filhos já só representavam 50% do total de núcleos familiares, quando em 1991 a sua importância era de 61,5%.

A par do decréscimo do número de casais com filhos, diminuiu também o número de filhos por casal. Aumentaram os casais com apenas 1 filho no núcleo e diminuíram os casais com 3 ou mais filhos. Em 2011, 54,7% dos casais residia com 1 filho face a 43,8% em 1991. Os casais com 3 ou mais filhos no núcleo, tinham, no início da década de 90, um peso de 17,3%, passando a representar apenas 7,8%, em 2011.

Por outro lado, nos últimos anos aumentou o número de casais sem filhos. Se em 1991 representavam 32,2% do total de casais, em 2011 atingiam 41,2%.

Aumentaram os casais em união de facto

Nos últimos 20 anos, o peso dos casais em união de facto quase quadruplicou, passando de 3,9% em 1991 para 13,3% em 2011. Está-se perante uma tendência crescente e regular ao longo do tempo, na medida em que o número de casais «de facto» praticamente duplicou em cada uma das últimas duas décadas:+93,6% entre 1991 e 2001 e +95,7% entre 2001 e 2011, perfazendo uma variação global de 278,8% no decurso dos últimos 20 anos.

Cresceram os núcleos familiares reconstituídos: em 78% dos casos os filhos não comuns são da mulher

Os núcleos de casais reconstituídos ou recompostos2 representavam, em 2011, 6,6% do total de casais com filhos; dez anos antes o seu peso era de 2,7%. Na última década, a importância deste tipo de arranjo familiar mais do que duplicou (+126,1%), o que evidencia que a recomposição familiar após um divórcio ou separação se tornou uma

prática mais comum nas famílias portuguesas.

Em regra, nos núcleos de casais reconstituídos é mais frequente a situação dos filhos não comuns ao casal serem apenas filhos da mulher; 78,0% em 2011. Contudo, aumentou ligeiramente a importância das situações em que os filhos não comuns ao casal são filhos apenas do homem (16,5% em 2001 para 17,3% em 2011). Os núcleos reconstituídos em que há filhos não comuns de ambos os cônjuges representavam, em 2011, 4,7% do total.

Aumentaram os núcleos monoparentais: em 87% das situações é a mãe que vive com os filhos

Em 2011, os núcleos monoparentais femininos representavam 86,7% enquanto os masculinos se situavam nos 13,3%. Esta diferença é ainda mais vincada nos núcleos monoparentais com filhos menores de 18 anos, em que a proporção de núcleos de mães sós era de 89,2% face a 10,8% de pais sós.

Entre 1991 e 2011, a monoparentalidade por rutura conjugal passou de 21,9% para 43,4%, tendo por referência a percentagem de núcleos familiares monoparentais de pai ou mãe divorciados. Em contrapartida, a monoparentalidade por viuvez diminuiu, passando de 30,1% em 1991 para 7,7% em 2011.

Em 2011 a percentagem de núcleos monoparentais com filhos menores de 18 anos em situação de desemprego era de 15,1%, existindo mais mães do que pais sós nesta situação. Este resultado indicia a existência de um perfil de vulnerabilidade social e económica na monoparentalidade.

Famílias numerosas continuaram a perder importância: em 2011 apenas 7,4% tinham três ou mais filhos

Os núcleos familiares com três ou mais filhos, que integram o conceito de “famílias numerosas”, decresceram significativamente nas últimas décadas. Em 2011 representavam 7,4% do total de núcleos familiares com filhos, quando em 1991 o seu peso era de 16,8%. Em 2011, 81,0% das famílias numerosas tinham 3 filhos; com 4 ou 5 filhos eram 17,7% e com 6 ou mais filhos apenas 1,3%. Em 1991 esses valores eram de 63,7%, 29,5% e 6,8%, respetivamente.

 

 

 

 

 

1 Comment

  1. Muito interessante, mas é preciso cruzar estes dados com outros, como os rendimentos, desemprego e qualificação académica e profissional,,, Aí sim ficamos a perceber como o empobrecimento das pessoas é intencionalmente implementado pelas decisões políticas… Houvesse coragem para tanto! lol

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