VIOLÊNCIA DOMÉSTICA por Luísa Lobão Moniz

olhem para  mim

Segundo a Agência Lusa (28 de Março) a violência doméstica aumentou 2,4%  e deu origem a 40 homicídios conjugais, em 2013, de acordo com os dados  do Relatório Anual de Segurança Interna (RASI), no mesmo relatório é referido que morreram vítimas de violência doméstica 30 mulheres e 10 homens,

Registaram-se mais participações de violência doméstica contra cônjuges, idosos e crianças.

Podemos concluir que a violência doméstica é transversal a todos os estratos sociais e a todas as regiões do país, sendo Lisboa, Porto e Setúbal as regiões mais afectadas.

A violência doméstica é o crime que mais aumentou em 2013.

Quando se fala de violência doméstica fala-se de muitas violências: a física, a psicológica, a emocional, a verbal, a sexual…

A dependência emocional, mais do que a económica, faz a mulher suportar as agressões de que são vítimas, algumas delas vêm de famílias onde a violência e os castigos físicos faziam parte do seu dia a dia e portanto acham que é natural que assim seja.

A mulher pensa que a primeira vez foi porque ele estava bêbado e isso não volta a acontecer, a segunda porque o chatearam no trabalho e ele descontrolou-se, a terceira e seguintes é porque tem medo, não tem poder, é um dos elos mais fracos da família, e começa a ter medo de que ele maltrate os filhos.

Os filhos sofrem, muitas vezes calados porque gostam dos dois, porque têm medo, porque têm vergonha, porque se julgam os culpados.

São agredidos, vêem a violência entre os pais, com os mais velhos…e vêem sempre o pai sair vitorioso, nada lhe acontece, bate porque pode.

É muito difícil fazer uma educação para a não violência dentro da família. A família é muitas vezes cúmplice no silêncio sobre a violência familiar.

O agressor só agride porque se sente com poder para o fazer,porque sabe que ou não existe castigo ou este é demasiado brando.

Um elemento comum na maioria destas mulheres é o medo de não ter condição financeira para se manter a ela e aos filhos e das retaliações do companheiro que muitas vezes continua a importunar, a ameaçar e a humilhar a ex-mulher.

Como se chegou a esta situação em que há mulheres assassinadas pelos homens, em que há mães que matam os seus filhos e que se suicidam, em que há filhos que matam as mães?

A violência não nasce do nada, a não ser nos casos que são explicados pela psiquiatria.

Violentos somos todos nós, uns activos, outros espectadores e opinadores.

Olhemos bem como se está a educar nesta sociedade em que o ter vale mais do que o ser.

Nos jogos para os computadores mata-se o inimigo e o jogador ganha pontos, os filmes transpiram violência, os anúncios incitam às violências. As palavras são agressivas, as notícias de corrupção ficam sem resposta, os infractores saem-se bem, são absolvidos.

A violência doméstica, ou melhor as violências domésticas são comportamentos multidimencionais que devem ser estudadas pelas diferentes áreas do conhecimento no sentido de se perceber como começar a actuar. tendo em conta que é na família que há mais violência.

Como se posiciona o poder político relativamente às violências domésticas?

bia maus tratos

3 Comments

  1. A independência econômica pode não ser suficiente, mas é absolutamente necessária para que as mulheres sintam-se fortes o bastante para reagir, denunciar e libertar-se dos seus agressores domésticos.
    abraço solidário,
    Rachel Gutiérrez

  2. *O poder político mantém-se impávido porque entraria em conflito com muita gente da !high society ” -prefere fazer de conta que a violência doméstica apenas faz parte da classe do povão e vai dando uma no cravo outra na ferradura .-Maria *

  3. É desafiante pensar que hoje em dia é preciso afrontar os modelos da família: aceitar que a família se tornou um lugar de desconforto e pouco seguro…como contrariar a quase certeza de que aquela família é a melhor se não se conheceu outra???

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