VAMOS BEBER UM CAFÉ? – 1 – por José Brandão

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 A lenda dos séculos

café - I

A lenda conta que foi Kaldi, um pastor da Abissínia, quem primeiro descobriu o café.

Aconteceu há mais de mil anos, quando reparou que as suas cabras dançavam após comer umas bagas vermelhas que cresciam em árvores carregadas com flores que cheiravam a jasmim. Kaidi quis experimentá-las também e de repente sentiu-se encher de energia e perder o sono. Resolveu levá-las a um sábio que imediatamente disse que eram diabólicas e as atirou para a fogueira, onde o fogo revelou o seu aroma. Os grãos torrados foram retirados, moídos e dissolvidos em água, dando assim origem à primeira chávena de café da história.

A lenda é esta. A realidade não está muito longe dela. Os guerreiros da Etiópia usavam os grãos do café para confecionar as suas rações de combate, porque conheciam o efeito energético do café. Algures no primeiro milénio da nossa era, mercadores árabes trouxeram o café para as suas terras e inventaram duas bebidas, conhecidas sob o nome genérico de «kahwah».

Assim, apesar da planta do café não ser originária do Médio Oriente, esta planta ficou conhecida como sendo dessas paragens. E, muito cedo, ganhou reputação como a bebida que «fortifica os membros, limpa a pele, seca as humidades que estão por baixo dela, e dá um cheiro excelente a todo o corpo».

Como era próprio dessa época, surgiram lendas acerca do local exato onde os grãos e a bebida foram descobertos. A mais poética das histórias sobre a origem do café é a do Xeque Ornar que, conduzido pelo espírito do seu falecido guia, Abdul Hassan Schadheli, chegou ao porto de Mocha, onde se tornou num santo recluso, vivendo junto a uma nascente rodeada de arbustos verdes. As bagas desses arbustos sustentavam-no e ele acabou por usá-las para curar uma epidemia que assolou a cidade. Foi assim que, graças ao café, Ornar conseguiu ser reconhecido como um grande sábio, um curador e um santo homem.

Por volta do século XVI, o café já tinha a função de juntar as pessoas. Os habitantes das cidades do Médio Oriente tinham o hábito de se juntar para jogar xadrez, trocar informações e bisbilhotices, e bebericar café. Um hábito que, pela primeira vez, era considerado perigoso por alguns. As casas onde o café era vendido e bebido serviam também de sede para a difusão das opiniões. Em 1511, o governador corrupto da Meca, Khair Beg, tentou proibir a bebida, por recear que a bebida justificava as reuniões públicas onde o seu governo era contestado. E, por causa disso, levou o café a tribunal, e conseguiu que sábios de todas as áreas testemunhassem contra ele.

Obteve uma condenação. Mas por causa disso perdeu a cabeça. Literalmente.

O sultão do Egipto, superior de Khair Beg, amava o café. E, portanto, revogou a sua proibição na cidade da Meca, descobriu os desmandos do seu governador e mandou-o decapitar.

Como todos os segredos demasiado protegidos, o café – cuja exportação chegou a ser severamente punida – acabou por chegar ao conhecimento de outros povos.

 

A seguir – Poção mágica

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