A NAVE ZARPA, por CARLOS LOURES
Estou ainda à mesa da locanda,
a vela derretendo-se diz-me que é tarde.
Soaram as completas, o pichel vazio –
eu dormito e a maldita vela arde:
“ó tiozinho, atão vossemecê nã desanda?”
O locandeiro quer fechar – faz frio.
Vou até ao tugúrio onde me abrigo
e deixo-me cair sobre o bailique.
O frio maldito é um feroz inimigo
do que me circula pelo alambique:
três ou quatro canadas de zurrapa…
Adormeço. Navego e guio-me pelo meu mapa.

