Selecção, tradução e adaptação por Júlio Marques Mota
Sobre os leopardos que querem bem servir Bruxelas – da Itália, falemos então de um bom exemplar
Texto nº 1- se Renzi escutasse as corujas
Enquanto está a proceder e avançar com as reformas que perturbam a nossa estrutura institucional, a situação do país não pode ser mais alarmante, mas quem o afirma é então denunciado como uma “Coruja”. O crescimento esperado já foi colocado a ZERO e não haverá nenhum crescimento com estas políticas. Só resta uma alternativa.
Um artigo de Carlo Clericetti
site Blogging in the wind
Parte II
(continuação)
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Deixem-me colocar aqui um longo excerto do texto de Fassina:
“É hora de encarar a realidade. Recuperar a autonomia cultural e política de análise e de acção. O governo, tal como o actual presidente da União Europeia, deve abrir uma discussão honesta. Continuar a subscrever documentos que celebram a recuperação em curso, o sucesso da política económica posta em prática e descarregar as responsabilidades dos atrasos verificados nas metas exigidas a alguns países sobretudo na aplicação das reformas estruturais, quer dizer que se está a condenar a zona euro e a Itália. São necessárias reformas estruturais. Todos que nós temos que as fazer. Mas elas não são suficientes. O governo deve dizer que a política económica da zona euro leva o Titanic Europa a esbarrar e a destruir-se contra o iceberg dos movimentos regressivos e dos partidos nacionalistas. O governo deve insistir que os governos da União, em particular o governo de Merkel, ultrapassem a visão autodestrutiva do interesse nacional e, juntamente com a Comissão, reconhecerem a realidade antes que seja tarde demais.
É insustentável a dimensão da Lei da Estabilidade prevista para Outubro. Impossível, tanto quanto irrealista, o objectivo flexibilizado do pacto fiscal. Tentar alcançá-lo, com base nas recomendações da Comissão Europeia confirmado pelo governo Renzi seria um tratamento terapêutico altamente doloroso para o país. Agravaria as condições de trabalho, o desenvolvimento da actividade económica, aumentaria a dívida pública. Insistir sobre a privatização das nossas principais empresas públicas para satisfazer necessidades urgentes de caixa iria minar ainda mais o nosso tecido produtivo sem produzir efeitos sobre a evolução da nossa dívida nacional. Devemos, em vez disso, colocar sobre a mesa de Berlim, Bruxelas e Frankfurt a insustentabilidade para nós e para os outros países da dívida públicas e da moeda única no âmbito da política económica imutável centrada nos interesse imediatos da Alemanha.
Uma via alternativa sobre o papel para o desenvolvimento sustentável, para o trabalho e para a redução das dívidas públicas, esta, existe:
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Aumentar a prevista injecção de liquidez por parte do BCE para levar rapidamente a inflação para além dos 2%;
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Financiar através dos euro-bonds os programas de investimento, sobretudo nas pequenas obras.
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Aumentar as remunerações sempre ligadas à produtividade nos países com excedente comercial excessivo como a Alemanha, para apoiar a sua procura interna;
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Construir uma União Bancária eficaz, depois do acordo à baixa alcançado na primavera passada, para libertar os principais bancos europeus do lastro restante dos créditos de cobrança não exigíveis que continua inalterado;
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Introduzir uma solução cooperativa na zona euro para gerir as dívidas públicas agora insustentáveis
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Parar com a opaca negociação para a criação de uma zona de “livre” troca transatlântica (Ttip) e abrir a discussão nos Parlamentos nacionais. Mas a via teoricamente alternativa está bloqueada pelas relações de força actuais predominantes seja a nível politico seja a nível económico e pela ideologia neoliberal que já não é hegemónica mas que ainda é dominante.
A efectiva alternativa face à zona euro não é hoje a opção de escolher entre, por um lado, um longo, doloroso e ordenado caminho para a retoma e para a redução da dívida e o incumprimento caótico da dívida pública e, por outro lado, a ruptura da moeda única. Não. Infelizmente, dadas as relações de força políticas e económicas dominantes na Europa, a alternativa está entre um incumprimento caótico das dívidas públicas e da ruptura da moeda única ou então uma possível mas difícil desintegração governada. Certamente, uma vez mais, iremos ver que seremos apelidados e colocados entre “as corujas”. Paciência. O verdadeiro perigo hoje são as avestruzes que continuam a manter a cabeça debaixo da areia .”
Face a um tal cenário de estremecer, Renzi ocupa-se mais que ninguém em quebrar a base institucional e prepara o famoso jobs-act que – agora já se sabe – insistirá na receita da flexibilidade do trabalho, como se não tenham sido dadas mais que suficientes provas que isso é completamente inútil quer seja do ponto de vista do aumento do emprego quer seja para o relançamento da economia e do crescimento.
Assim se dirá, mas o que é que se poderia fazer ? Temos que trilhar pelo caminho estreito imposto pela Europa… Bem, talvez pela primeira vez pudéssemos tomar o exemplo de Mariano Rajoy, o líder conservador espanhol. Que, apesar duma relação défice/PIB sideralmente longe dos objectivos europeus (7,2% no ano passado, 5,5 prevista para este ano, mas longe de isto vir a estar certo) anunciou sonantes cortes de impostos, tanto para pessoas físicas e para as empresas como sobre as actividades financeiras, igualmente. Cortes que têm uma cobertura? Não, todos em défices . Rajoy fá-lo porque está a preparar a sua eleição e enfrentou a probabilidade de as perder se continuasse a estar muito respeitador das decisões emanadas da Europa. Rajoy mostrou assim uma verdadeira indiferença pelas recomendações de Bruxelas.
(continua)
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