Só o nome já diz tudo. Chamaram-lhe Carlos Moedas, quando nasceu. A família assinalou-o, assim, para vir a ser um dos poucos senhores milhões. O nome é de marca, não de ser humano. Tal como a marca CR7 que, aos 27 anos de idade, já nem sabe o que fazer a tantos milhões de euro, no meio de tantos milhões de pobres, pior, de empobrecidos. Porque os muitos milhões de euro de poucos, são a miséria de muitos milhões de habitantes do mesmo planeta, que deveria ser uma só família humana com muitos rostos e culturas, mas é cada vez mais um covil de ladrões. A injustiça é estrutural. Crime e pecado organizados. Cultura da morte, em vez de cultura da vida. Um vírus que mata muito mais do que o actual ébola da nossa pouca-vergonha, que prolifera preferencialmente nas inúmeras lixeiras populacionais e sociais da miséria e da falta de condições mínimas de higiene, criadas pela nossa crueldade, pelo nosso cinismo ocidental e cristão, católico romano ou protestante, que não olha a meios para obter fins inconfessáveis, inomináveis. Carlos Moedas volta a ser notícia, porque acaba de ser nomeado comissário para a pasta de Investigação, Ciência e Inovação da Comissão Europeia, em nome do Estado português, o mesmo que mantém a população sob a tortura do desemprego, da emigração forçada, da depressão em grande escala, das escolas sem valores. Tem uns 44 anos de idade e um percurso de vida sem nenhuns afectos, passado freneticamente em ambientes e cursos destinados a transformar seres humanos em robots. Já um robot com provas dadas, cabe-lhe, agora, gerir, durante os próximos 5 anos, 80 mil milhões de euro nesta Europa de consumidores compulsivos, cada qual no seu condomínio fechado. Insistam, então, em esperar sentados, entretidos com novelas e futebóis, e verão o que os espera. Porque só a política praticada pelas populações inverte este estado de coisas e transforma a Europa do euro na Europa dos povos, vasos comunicantes uns com os outros.
11 Setº 2014

