Carta de Évora – 2 – por Joaquim Palminha Silva


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Aos desprevenidos leitores pode parecer exagero, falar de Évora enquanto cidade misteriosa e esotérica. Pois bem, antes que o tempo e a incúria humana apaguem uma prova do que afirmo, se vierem a Évora, procurem visitar o templo que a seguir indico…

A igreja jesuíta do Espírito Santo, junto à Universidade, sagrada no dia 22 de Março de 1574, conserva na sua «sacristia nova», mandada executar por dois professores doutores jesuítas, um conjunto de pinturas a fresco no seu tecto.

Da forma mais inesperada, o visitante ficará surpreendido com o recorte das pinturas. De planta rectangular, o tecto apresenta doze painéis com episódios marcantes da vida de Santo Inácio de Loiola, fundador da Companhia de Jesus. Divididos de forma geométrica, aparecem-nos pequenos painéis intervalares, entre e um e outro episódio da vida do santo, com ornamentos e figuras de um conteúdo simbólico inusitado, mesmo num templo de fábrica jesuíta.

Este conjunto de pinturas de teorias singulares ou enigmáticas, que são um autêntico desafio à decifração, exigem uma peritagem, um estudo na especialidade que até hoje (que saibamos) não foi feito.

Até sua futura decifração, o visitante pode apreciar as pinturas a fresco, pelo menos enquanto os efeitos do tempo, da humidade e da incúria humana não se fizerem sentir de forma irremediável.

 

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O número fundador do Colégio do Espírito Santo (Universidade de Évora) é o 4!

Veja-se como se apresentam coincidências raras, a não terem sido intencionadamente orquestradas. Num códice existente na Biblioteca Pública de Évora, menciona-se o Cardeal-Infante D. Henrique e a determinado passo se diz «Cardeal do título dos S.tos 4 coroados», adiante se afirma que fundou o colégio «Com autoridade do S. Padre Paulo 4». O número 4 vai seguir a construção do edifício e vida académica. Num documento datado de 1574 ficamos a saber que o Cardeal tinha intenção de fundar 4 colégios em Évora. A Universidade conseguiu a sua cédula de maioridade através de provisão real da rainha-regente, D. Catarina. A data deste documento? – 4 de Abril de 1562!

E a existência do número 4 prossegue, invadindo ”áreas” insuspeitas: – O carismático padre jesuíta espanhol, S. Francisco de Borja, que tinha especial apreço pela Universidade de Évora, aqui foi visita e hóspede por 4 vezes. De resto, a primeira pedra da igreja do Espírito Santo, lançada pelo arcebispo D. João de Melo, teve lugar a 4 de Maio de 1556… A primeira licença para se imprimirem obras da Universidade, tinha como período de autorização «quatro anos somente». Enfim, o número 4 manifesta-se na sua evidência física no corpus do edifício.

O claustro do Colégio do Espírito Santo tem 4 galerias até às salas de aula. Numa das salas do 1º piso (a 122) podem ver-se cilhares de azulejos com as imagens alegóricas dos 4 continentes (América, Europa, Ásia e África), das 4 estações do ano (Outono, Inverno, Primavera, Verão) e dos 4 elementos (Água, Terra, Ar e Fogo).

Se o número 4 não é simbólico, intencionalmente inscrito na Universidade, as coincidências são tais e tantas que dão que pensar. Só por si, do conjunto surpreendente de monumentos e memórias que a cidade guarda, igreja e Universidade merecem uma visita guiada única, exclusiva. Porém, ninguém aqui faz essa visita guiada, porque não sabe como proceder ou porque desconhece o que apontamos…

 

 

1 Comment

  1. *Muito interessante -pena é nas visitas não expliquem a presença constante do nº4.*

    *Postei no meu face pelo valor dado ao nº 4-obrigada .*

    *Maria *

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