NESTE DIA… NASCIA ANTÓNIO TABUCCHI

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Neste dia nasceu o escritor italiano Antonio Tabucchi, que teve nacionalidade portuguesa de 2004 até à sua morte em 2012.

Soube-se ontem que os seus arquivos pessoais foram doados pela sua mulher, Maria José de Lancastre, à Biblioteca Nacional Francesa.

É considerado como um dos maiores escritores italianos contemporâneos. Nasceu na província de Pisa, a 24 de setembro de 1943. Foi nos anos 60 que conheceu a obra de Fernando Pessoa. Foi amor à primeira vista. De Pessoa passou a amar Portugal. Vivendo aqui deu aulas de Português e traduziu o nosso escritor para a sua língua natal. Afirmava que sonhava em português.

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Foi autor de uma trintena de livros (romances, contos, ensaios, peças de teatro), traduzidos e admirados em várias línguas. Alguns deles foram adaptados ao palco ou ao grande ecrã. Entre outras obras, Antonio Tabucchi escreveu uma comédia teatral sobre Pessoa.

Recebeu vários prémios: Prémio Médicis, Prémio Campiello, Prémio da Associação Europeia de Jornalistas – Tabucchi foi ainda candidato ao Prémio Príncipe das Astúrias e estava sempre na lista de candidatos ao Nobel da Literatura.

“Pequenos equívocos sem importância”, “Une baule pieno di gente”, “Os últimos três dias de Fernando Pessoa”, “A cabeça perdida de Damasceno Monteiro” e “Está a fazer-se cada vez mais tarde” são outros títulos do autor.

Além de “O fio do Horizonte”, outras obras de Tabucchi foram adaptadas ao cinema, como “Nocturno Indiano” (1989) “Afirma Pereira” (1995), cujo protagonista foi Marcello Mastroianni, “Requiem” (1998) e “Dama de Porto Pim” (2001).

Em Portugal, não era um “estrangeiro”. Pelo contrário, tomou partido: Apoiou Mário Soares, foi candidato do Bloco de Esquerda nas eleições europeias. Teve muitos amigos entre os “grandes” da nossa cultura: Alexandre O’Neill, José Cardoso Pires, Fernando Lopes. Como italiano sempre criticou a governação de Silvio Berlusconi.

 Numa entrevista a Anabela Mota  Ribeiro, publicada no Diário de Notícias, em 2002, retirámos alguns dados mais pessoais:

 – Gostava de cozinhar – “A actividade em si é uma forma de distracção. Ter o rádio ligado e tentar fazer uma receita é uma maneira de passar um domingo”.

 – Escrevia à mão e não tocava no computador.

 –  Veio para Portugal mochila às costas, aos 20 anos, num Fiat 500 comprado em segunda mão e de bigode farfalhudo, depois de ter trabalhado em Paris a lavar pratos para amealhar dinheiro para o comprar.

 – Foi nessa altura que conheceu  Maria José Lancastre, com quem se casaria e viveria até ao fim dos seus dias.

 – Lembrando o inconsciente “descoberto” por Freud, disse: “Se calhar podemos dizer que no século XX, a vida imaginária, a vida virtual, a vida interior, é mais longa e mais importante que a vida exterior que se vive todos os dias”.

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