SOBRE OS LEOPARDOS QUE QUEREM BEM SERVIR BRUXELAS – DA FRANÇA, FALEMOS ENTÃO DA POLÍTICA DE HOLLANDE – A ESQUERDA PODE MORRER – MONTAGEM DE TEXTOS DE JÚLIO MARQUES MOTA

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Selecção, tradução e montagem de Júlio Marques Mota

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5. A esquerda pode morrer

Leopardo - XIIIA esquerda pode morrer

Fonte: diversos jornais franceses

 

O Primeiro- ministro considera que “o risco ver Marine Le Pen na segunda volta da eleição presidencial de 2017 existe

Manuel Valls afirmou, sábado, 14 de Junho, que “o risco de ver Marine Le Pen na segunda volta da eleição presidencial” de 2017 existe, no Conselho Nacional do partido socialista, considerando que “a esquerda pode morrer”.

O nosso país pode desfazer-se e entregar-se a Marine Le Pen”, acrescentou o Primeiro ministro num texto distribuído à imprensa.

Avisando que “sim, a esquerda pode morrer” e que não existe “nenhuma alternativa à esquerda”, o falhanço eleitoral do PS não reforçaria “a esquerda da esquerda”, Manuel Valls considerou: “Sentimos efectivamente que estamos a chegar ao fim de qualquer coisa, que poderemos mesmo estar a chegar ao fim de um ciclo histórico para o nosso partido.”

De acordo com Valls, “poderíamos virarmo-nos e cair […] numa era em que o risco de ver Marine Le Pen à segunda volta da eleição presidencial existe. Uma era na qual uma dos grandes partidos republicanos e esta vez sem que isso seja uma surpresa… pode estar ausente deste grande encontro eleitoral. E se não se fizer nada, pode ser a direita, podemos ser nós, por conseguinte uma era na qual a esquerda pode pois desaparecer”

A esquerda nunca esteve tão fraca como agora ao longo da história da Vª República”, disse Valls .

Face a esta constatação o chefe do Estado julgou que “a esquerda deve ser capaz de se exceder ”. “Nós devemos ser capazes de nos reinventar. E de nos reinventarmos num contexto específico: o exercício do poder, uma vez que não o teremos feito na oposição. ” afirmou.

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O aviso de Valls no PS : « sim, a esquerda pode morrer» AFP 14 JUIN 2014 À 13:08

O Primeiro ministro, que se exprime no Conselho Nacional, também avisou que “o risco de ver Marine Le Pen na segunda volta das presidenciais existe”

Uma advertência lançada “no Parlamento” do partido socialista. Diante do Conselho Nacional, este sábado de manhã, Manuel Valls avisou solenemente quanto ao risco de ver “a esquerda morrer”, apelando à maioria a apertar as fileiras em redor do único “caminho” possível: “o reformismo” que representa o pacto de responsabilidade.

Para o seu primeiro discurso diante do Conselho Nacional como o residente de Matignon, o Primeiro ministro quis-se alarmista: “O risco de ver Marine Le Pen na segunda volta da eleição presidencial” de 2017 “existe” e “sim, a esquerda pode morrer”, lançou em frente dos seus camaradas reunidos na Casa da Química à Paris, três semanas depois da nova confusão eleitoral criada pelas eleições europeias. “Sentimos efectivamente que estamos a chegar ao fim de qualquer coisa , que poderemos mesmo estar a chegar ao fim de um ciclo histórico para o nosso partido”, disse, sublinhando também o facto de que “a esquerda nunca não esteve fraca ao longo da história da Vª República”.

«É necessário firmeza para governar a França »

Face a esta constatação, “devemos reinventarmo-nos, exortou ele , e “mantermo-nos firmes ao longo do tempo” sobre “as reformas” e “sobre as escolhas económicas que são as nossas”. “Com o presidente da República, consideramos que é o rumo que é necessário manter.” A escolha da política da oferta? “Assumo-a” e “tenho apenas uma certeza: tomar um outro caminho conduzir-nos -ia ao malogro”, afirmou. Não há pois lugar , por conseguinte, para os aventureiros. “É necessário […]firmeza, autoridade para governar a França”, acrescentou .

Daí um apelo aos recalcitrantes sobre a necessidade de votar nas semanas que se seguem os dois textos que traduzem o pacto de responsabilidade e de solidariedade, nomeadamente o projecto de lei de finanças rectificativo e o projecto de lei de financiamento rectificativo da Segurança Social. Uma parte dos deputados PS opõe-se aos 50 mil milhões de euros de reduções nas despesas públicas, chamas agora de economias, decididas no âmbito deste pacto proposto por François Hollande.

A tradição “de reparlamentarização em excesso das instituições não é suportável”, porque seria “a via aberta para a multiplicação de iniciativas minoritárias que fariam explodir o bloco central da maioria”, afirmou Valls, que não deseja nenhuma “guerrilha parlamentar”.

” ROCARDISMO DESENFREADO”

O Primeiro- ministro encarou igualmente as baixas de impostos para as famílias “e nomeadamente (ele) para as classes médias” uma vez a despesa pública reduzida. Retomando o seu refrão sobre “o combate dos valores” da República, louvou a herança da esquerda, desde a Frente Popular, “a esquerda plural de Lionel Jospin” e “os compromisso de François Hollande”.

Interrogado sobre o conflito da SNCF, apelou de novo a que se ponha fim à greve, assegurando que “a porta do governo está aberta”.

Um dos deputados “do grupo dos revoltados”, Laurent Baumel, animador “da Esquerda Popular”, lamentou “um discurso intransigente sobre o fundo”, afirmando assistir “ao regresso de um rocardismo desenfreado”.

A questão de uma eventual primária em 2016 para separar os candidatos às presidenciais de 2017, lançado há várias semanas por Julien Dray, também entrou de novo nos debates no início do encontro. Certos responsáveis da ala esquerda do PS, como Emmanuel Maurel são favoráveis, argumentando que nos Estados Unidos por exemplo, elas são sistemáticas, mas reconhecendo contudo que “não é um problema urgente ”. Para Laurent Baumel, “a orientação política não cabe apenas ao presidente da República, a sua família política deve poder discuti-la. Da mesma maneira, a sua eventual candidatura às eleições presidenciais não lhe cabe apenas a ele. ”. “Veremos no momento oportuno o que decidirão os socialistas”, declarou o secretário-geral do partido, Jean-Christophe Cambadélis, enquanto que para Claude Bartolone, presidente da Assembleia nacional, “a questão não se levanta ”. “Quando se tem um presidente da República em funções, a menor das coisas, é esperar para ver quais são as suas intenções”, afirmou.

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100 deputados do PS escrevem a Valls para denunciar um plano  « economicamente perigoso »

Hélène Bekmezian, Le Monde. 17 de Abril de 2014

Eles não desarmam. Menos de duas semanas após terem enviado um primeiro correio à Manuel Valls para lhe comunicarem o seu desacordo e reclamar “um novo contrato” com a maioria, e no dia seguinte aos anúncios do primeiro-ministro sobre o plano de economias de 50 mil milhões de euros, uma centena de deputados socialistas decidiu voltar a pegar na caneta , quinta-feira 17 de Abril, para “precisar as escolhas que [desejam] defender”.

 “Consideramos este plano de 50 mil milhões de economias sobre o período 2015-2017 como sendo economicamente perigoso, porque conduz a asfixiar a retoma e o emprego e é contrário aos compromisso tomados face aos nossos eleitores. Para além dos 35 mil milhões, acreditamos que  os retrocessos sociais e a colocação dos serviços públicos em situações de dificuldade serão inegáveis”, dizem os eleitos que “se opõem ao congelar das prestações sociais, que atingiria milhões de famílias modestas”

Enquanto que o primeiro-ministro promete apenas “um pequeno empurrão” em Junho para os mais modestos, os signatários pedem “um esforço suplementar de 5 mil milhões de euros para o poder de compra, levando à 10 mil milhões o esforço global, e este esforço a partir de 2015”.

Também não é questão “de congelar os investimentos” nas colectividades locais mas sim de  lançar “um apelo a projectos de investimentos de 5 mil milhões de euros” bem como o desbloqueamento de 1 mil milhões de euros para 50.000 empregos de futuro suplementares.

«FAZER MELHOR COM MENOS»

Para financiar estas medidas, os deputados socialistas propõem “abrir margens de manobra novas”, nomeadamente ao nível europeu apresentando para isso “uma trajectória mais credível de redução dos défices” no pacto de estabilidade que os deputados terão de votar a 30 de Abril e que será apresentado em Bruxelas por volta de 6 de maio.

“Este objectivo de passar sob a barra dos 3% poderia ser mantido mas deslocado no tempo”, escrevem. Por último, no que respeita ao pacto de responsabilidade que prevê uma baixa dos encargos para as empresas, propõem “fazer melhor com menos”, “obtendo contrapartidas sérias e precisas em matéria de investimento e condicionando as ajudas para evitar qualquer desvio do esforço público para com os dividendos, as elevadas remunerações ou a finança”.

Ainda aqui, esta contestação, que atinge um terço do grupo, não se limita à estrita ala esquerda do Partido socialista dado que aqui se reencontram, no final do texto e “em nome do Apelo dos Cem” , as assinaturas de deputados próximas de Martine Aubry, como Christian Paul (Nièvre), Arnaud Montebourg, como Arnaud Leroux (Francês do estrangeiro ) ou mesmo na mesma linha de François Hollande como o vice-presidente da Commission des finances, Pierre-Alain Muet (Rhône). O vice-présidente da Assembleia, Laurence Dumont (Calvados), Laurent Baumel (Indre-et-Loire), Fanélie Carrey-Conte (Paris), Pouria Amirshahi (Francês do estrangeiro), Jean-Marc Germain (Hauts-de-Seine), Daniel Goldberg (Seine-Saint-Denis), Marie-Lou Marcel (Aveyron) e Philippe Nogues (Morbihan) completam especialmente a lista.

As vozes discordantes vão aumentando em número e no tom  e, logicamente, isto irrita cada vez mais os socialistas que aprovam as medidas anunciadas, e recusam estarem-se a ver como minoritários. “Reformista em 2012 para se fazer eleger e revolucionário em 2014 para não assumir escolhas difíceis mas necessárias, não! ” criticou, por exemplo, sobre Twitter o deputado do Norte, Bernard Roman.

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