“A SOMBRA DO CONDOR” – PELAS MÃOS DE UM JOVEM, RECORDAR AS DITADURAS por clara castilho

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Pelas mãos do fotógrafo português João Pina que durante 25 semanas documentou a memória da “Operação Condor” na América Latina, podemos ver em livro, na internet e em exposições, a dureza desta época. Retrata a acção conjunta de repressão a opositores das ditaduras instaladas na Argentina, Bolívia, no Brasil, Uruguai, Paraguai e Chile, na década de 1970, no auge da Guerra Fria.

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O projecto concretizou-se por meio de doações feitas pela internet, em projetos de financiamento coletivo conhecidos como crowdfunding. Com apoio de cerca de 200 pessoas, de mais de 20 países, o fotógrafo reuniu cerca de 30 mil dólares. O fotógrafo afirmou que esta verba serviu para conseguir trabalhar 25 semanas sem perder dinheiro.

Todos os agora fotografados viveram sob o regime da ditadura militar de extrema-direita que os tentou fazer calar, calar pelas palavras e pelos actos, por os criticarem, sendo visto como uma “ameaça comunista” e “subversão”. Contam histórias de prisão, de tortura, viram outros serem assassinados. Falam de outos que continuam “desaparecidos”.

No museu da Universidade de São Paulo expôs o seu trabalho em Setembro deste ano. O livro “Condor” (em Portugal editado pela Tinta da China) pode testemunhar este empenho.

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Já anteriormente João Pina se tinha interessado pelos ex-presos políticos portugueses. Fotografou 25, em 2005 – Por Teu Livre Pensamento, editado pela Assírio e Alvim, em 2007, com texto escrito por Rui Daniel Galiza. Este trabalho recebeu, entre outro, o Prémio “ Leão de Ouro” do Festival of Criatividade de Cannes em 2011.

João Pina começou a trabalhar em fotografia com 18 anos, exposto por todo o lado e vivido a última década da sua vida na América Latina. Pode espreitar o seu trabalho em: www.joao-pina.com/

Fiz mais de 50 entrevistas. Gravei-as em áudio para ter mais contacto visual com as pessoas. Depois das entrevistas, decidia onde fotografar, mediante o que era possível. Mas tentei sempre fotografá-las em lugares de alguma maneira relacionados com as suas histórias. A fotografia dos espaços foi um pouco mais aleatória. Dependia das autorizações e, sobretudo, de alguém que me explicasse aquilo que estava a ver. Tentei reunir o máximo de informação sobre as coisas que queria fotografar para compreender o que estava a ver.

É possível que este trabalho vá provocar alguma investigação nos países onde isso ainda não aconteceu. Por exemplo, no Chile, Presidente Michelle Bachelet anunciou que vai apresentar uma proposta de lei às câmaras para anular as leis de amnistia aos militares. Já no Brasil, tem havido fortes bloqueios, acabando por as forças militares, recentemente, reconhecerem que tinham cometido abusos, torturas e mortes.

Em entrevista ao “Público”, João Pina, disse acreditar que a fotografia pode ter alguma virtude reparadora e que “o facto de os testemunhos das vítimas poderem ser divulgados textual e fotograficamente é reparador. Digo-o porque muitas das vítimas retratadas dizem-no a mim. Entendem este trabalho como um contributo para o reconhecimento do seu estatuto de vítima”.

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