São os piores cancros da sociedade. Vêm ao mundo só para roubar, matar, destruir. Populações e planeta. São os profissionais da mentira. Do crime organizado e insstitucional, o pai de todos os outros crimes menores. Assassinos institucionais. De fato e gravata, bacteriologicamente limpos. Sabem-se temidos/odiados e, por isso, vivem rodeados de seguranças. Visíveis, umas. Invisíveis, a maioria, e muito mais eficazes. São os causadores das piores doenças das populações – a mediocridade, a banalidade, a desmobilização política, a incultura. Por isso, vestem de benfeitores. Ostentam títulos grandiloquentes. Ministros e banqueiros. Bispos dom-fulano-de-tal e cardeais. Sacerdotes e pastores. Ocupam grandes palácios que mais parecem mausoléus. Com inúmeras secretárias, a fazer lembrar os haréns de outros tempos, quando ainda não havia o cristianismo, com toda a sua hipocrisia moralista. Montes de motoristas e carros topo de gama. Assessores às mãos cheias, que lhes cuidam da imagem e escrevem os discursos. Das suas mãos, nada sai de útil e de bom. As suas mentes são povoadas de esterco e daqueles sons com que o poder financeiro comunica com todos os cancros como eles. Que os há em todas as nações. As populações ouvem-nos grunhir, não entendem o que dizem e têm-nos na conta de seres superiores. Sentem-se orgulhosas, quando eles vão de visita às suas aldeias e vilas. É o senhor ministro. É o senhor primeio-ministro. É o senhor presidente da república. É o senhor bispo. É o senhor papa. É o senhor doutor. É o novo pároco. Mantêm-se distantes, por nada saberem de protocolos. Batem palmas à chegada, à saída e durante as cerimónias a que eles presidem, sempre como deuses inacessíveis. Por agora, ainda se não vislumbra o dia em que as populações os vejam como cancros. Lhes resistam. Os dispensem. Terão, primeiro, de crescer de dentro para fora, como as árvores. Mas como crescer assim, se estes cancros as condenam a viver em permanente estado terminal? Já damos um grande passo qualitativo em frente, quando conseguirmos ver que são todos estes figurões, e uns quantos CR7 mais, que nos adoecem. E matam.