ESTES FRANCESES QUE SÃO EMPURRADOS PARA O EXÍLIO , por STÉPHANE KOVACS

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Selecção e tradução de Júlio Marques Mota

mapa_francaEstes franceses que são empurrados para o exílio

 

Stéphane Kovacs, Ces Français qu’on pousse à l’exil

Figaro, 10 de Outubro de 2014

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Uma comissão parlamentar analisa um fenómeno que se tem vindo a ampliar

Os factos são teimosos: a tendência para a expatriação dos Franceses tem-se vindo a acentuar. Direita e esquerda estão de acordo mas divergem sobre a interpretação a dar. Será que se trata “de um exílio das forças vivas” como o repete sucessivamente o secretário geral de UMP Luc Chatel, que presidiu à comissão de inquérito parlamentar sobre este tema, ou será que se trata antes de uma “correcção no âmbito da mundialização”, como o sugere o seu relator, o socialista Yann Galut? “Dado que a maioria recusa dizer que o que toda a gente vê, sublinha Luc Chatel, os membros UMP e UDI da comissão de inquérito sobre o exílio das forças vivas francesas decidiram apresentar as suas próprias conclusões”. Facto raro nos anais da Assembleia nacional, um contra-relatório será, por conseguinte, anexado ao relatório de Yann Galut, adoptado na terça-feira. Porque para a oposição, que denuncia um texto “fora do tema em análise”, “há uma espécie de lei do silêncio sobre os Franceses exilados”.

“Desde o início, não se estava de acordo sobre o título desta comissão de inquérito, recorda-se Yann Galut, que se mostra irritado por não poder falar do seu relatório, devido a obrigações legais, antes da sua publicação a 14 de Outubro. É claro que o meu trabalho não satisfaz a UMP, que queria demonstrar que há um exílio massivo dos Franceses desde a eleição de François Hollande.” Em preâmbulo do contra-relatório reproduz-se o texto da canção Tout vai bem muito, Madame la Marquise … “Enquanto que o governo canta com indiferença por tudo, entendemos que os nossos concidadãos se sentem obrigados deixar a França por más razões, insiste Luc Chatel. A começar pela ideia de que  ser-se bem sucedido é aqui impossível. Devido à uma mentalidade contra o trabalho, a uma pressão fiscal absurda, ao desemprego persistente, à ausência de perspectivas de evolução, ao peso da dívida sobre as gerações próximas…”

Hoje, os Franceses partem sem saberem por quanto tempo e já não estão certos de regressarem

Entre 1,7 e 2,5 milhões de Franceses vivem hoje no estrangeiro, é a ideia que resulta de cerca de trinta audições efectuadas pela comissão. Com um aumento regular de 2 % a 4 % por ano nestes dez últimos anos. “Existe uma aceleração deste movimento desde 2011-2012”, sublinha o contra-relatório.

Nestes números há tanto muitos jovem diplomados – cerca de 80 % dos que dispõem de uma oferta em França e de uma oferta no estrangeiro privilegiam o estrangeiro, indica o gabinete Deloitte – como os reformados inquietos pelas suas poupanças – a proporção de sexagenários que têm saído para viver no estrangeiro entre 2011 e 2013 aumentou 10 %. Notam-se certos “picos recentes”: por exemplo, “entre 2012 e 2013, a comunidade francesa aumentou de 8 % na Austrália e de 5,9 % no Canadá”, de acordo com a Direcção dos Franceses no estrangeiro. Todas as categorias socio – profissionais estão representadas, o que não era o caso há dez anos. Hoje, os Franceses partem sem saber por quanto tempo e já não estão  com certezas quanto a  quererem regressar. “ Mais de 40 % dos jovens diplomados que partem dizem-nos que não pensam voltar ! ”, testemunha Jean-Marc Mickeler, DRH do gabinete Deloitte. Os contratos locais tornaram-se maioritários enquanto que há dez anos, os contratos de expatriação e de destacamento eram os prevaleciam.

As grandes fortunas não são únicas a abandonar a França

O exílio fiscal, considera o contra-relatório, “está a ter um crescimento muito importante desde 2010-2011”: 20 % dos passíveis de tributação do imposto suplementar sobre fortunas deixaram a França em 2012 e relativamente a 2011, enquanto o número de famílias que partiram para o estrangeiro e cujo rendimento fiscal excede 300.000 € quase duplicou. Mas este exílio já não se limita às grandes fortunas: “As profissões liberais agora também são referidas”, para patrimónios inferiores a 3 milhões de euros. Dois em cada dez expatriados são criadores de empresas, contra um sobre dez há dez anos: “ eles têm em conta o tempo que passam as gerir as questões administrativas: 20 % em média contra 7 % à Genebra…” “Pelas mesmas razões, as empresas internacionais fazem crescente a escolha de não se instalar na França”, prossegue a oposição. A França, que ocupava o 2.º lugar na Europa até 2008 em matéria de atracção de sedes sociais, está hoje colocada em 5º lugar.

São cada vez mais numerosos os que, deslocalizados, pedem aos seus filhos para que saiam de França para lhes poderem transmitir, exonerado de tributação, o seu património”, precisa Marc Bornhauser, do Instituto dos advogados e conselhos fiscais (IACF). “Em cada uma das minhas permanências no estrangeiro, encontro um compatriota desejoso de perder a sua nacionalidade!, preocupa-se Claudine Schmid, deputada UMP dos Franceses estabelecidos fora da França (Suíça-Liechtenstein). Na Suíça, as supressões por decreto das listas de emigrantes passaram de 4 em 2010 à 113 em 2013…” como “parar esta hemorragia”? , interrogam-se os deputados UMP e UDI. Ao lado de uma fiscalidade “atractiva” e “estável”, estes deputados preconizam “o gosto da excelência em vez da complacência para com a mediocridade, o reconhecimento do mérito em vez de da multiplicação das normas e dos constrangimentos.”. E dado que, tanto à direita como à esquerda, todos lamentam “a falta de números precisos, das partidas assim como dos regressos”, um organismo, precisa Claudine Schmid, poderia ser criado para esse efeito.

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Ver o original em:

http://www.lefigaro.fr/impots/2014/10/10/05003-20141010ARTFIG00008-ces-francais-qu-on-pousse-a-l-exil.php#auteur

 

About joaompmachado

Nome completo: João Manuel Pacheco Machado

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