EDITORIAL –  EXISTIRÁ EUROPA DEPOIS DO TAFTA?

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Nos livros de escola a Europa aparece classificada como um continente. Contudo quem olha para um mapa-múndi  fica com a sensação de o continente ser apenas um prolongamento, um cabo da Ásia. Impressão agravada quando se percebe que cerca de metade da Europa pertence à Rússia, oficialmente designada por Federação Russa, um país com mais de 17 000 000 de quilómetros quadrados, o maior do planeta. A maior parte do território da Federação Russa fica na Ásia. Isto, um quarto de século depois da implosão da URSS.

Contudo, quem estude a história dos últimos séculos sem a poder aprofundar devidamente, seja permitido falar assim, arrisca-se a ficar com a sensação de que os principais países do mundo se situam na Europa. Apesar dos acontecimentos a partir da Segunda Guerra Mundial, ainda terá a sensação de estar perante países de um grande peso na vida mundial, com maiores riqueza e bem-estar do que outros países de maiores população e território. Assim se explicam muitos fenómenos, como o da grande massa de emigrantes que, desafiando riscos de toda a ordem, continua a procurar a Europa. Ou a insistência dos Estados Unidos em celebrarem um acordo de livre comércio com a União Europeia, o TAFTA (Transatlantic Free Trade Agreement) para os que o contestam, TTIP (Transatlantic Trade and Investment Partnership) para os que com ele concordam, conforme diz Le Monde, talvez com algum humor (ver segundo link abaixo).

Este tratado é obviamente do interesse das grandes empresas, que são quem dita a política, quer na União Europeia, quer nos Estados Unidos. O secretismo de que se rodeia explica-se por isso. Os seus mentores sabem que a opinião pública, mesmo desinformada, se virará com muita facilidade contra eles. Embora se saiba que estão a decorrer negociações, procura-se ocultar os termos que estão a ser negociados e fazer crer que são inofensivos. Trata-se de um processo semelhante ao utilizado para os tratados europeus, mas numa escala ainda maior.

Os Estados Unidos são extraordinariamente ricos, mas continuam a ter as maiores desigualdades sociais ao nível mundial. A União Europeia é uma construção extraordinariamente frágil e mal dirigida, dominada por um estado forte, mas também ele, como o norte-americano, dominado pela ideologia neoliberal, que, na prática, consiste na defesa de interesses oligárquicos, e nada tem a ver com um eventual sistema de competição entre pessoas ou entidades em situação de igualdade de oportunidades. Por isso, não é excessivo prever que o TAFTA/TTIP nos vai encaminhar inexoravelmente para o nível de vida da África e da Ásia, ou pior ainda. E para um mundo cada vez mais de poucos (cada vez menos) ricos e muitos muito pobres.

http://www.publico.pt/politica/noticia/governo-recua-na-polemica-clausula-de-proteccao-do-investimento-no-acordo-ueeua-1674852

http://transatlantique.blog.lemonde.fr/2014/11/03/pourquoi-il-faut-sinteresser-au-traite-transatlantique/

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Nome completo: João Manuel Pacheco Machado

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