DE BRUXELAS, ONDE REINAM A IGNORÂNCIA E A MALDADE, À REALIDADE DOS PAÍSES EM IMPLOSÃO – 9. HOLLANDE, RENZI e DENG XIAOPING – FACE A BRUXELAS, UMA SÓ SOLUÇÃO, A REVOLUÇÃO – por MARC COHEN

Falareconomia1

Selecção e tradução de Júlio Marques Mota

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9.Hollande, Renzi e Deng Xiaoping

Face a Bruxelas , uma só solução, a revolução !

Marc Cohen,  Hollande, Renzi et Deng Xiaoping-Face à Bruxelles, une seule solution, la révolution!

Le Causeur,  publicado em 24 de Outubro de 2014, em Monde Politique

Renzi - XV

A diferença essencial entre a economia e astrologia é que que os videntes nem sempre estão errados.  Dos  comunistas dos ruidosos anos 20 aos fedorentos fridmanianos dos anos 80, passando pelos keynesianos de todos os tempos e de todos os quadrantes, nenhuma escola manteve as suas promessas de um  mundo melhor. E todas as capelas gastaram uma parte não negligenciável da sua actividade a explicar porque é que os abomináveis constrangimentos externos demoliram os seus castelos de cartas  puros e perfeitos.

Como não nos refizéssemos, mantenho-me  contudo impregnado de fundamentais marxistas,  tipo acumulação primitiva, mais-valia, ou lei do valor, mas como eu não me considero de todo um estúpido , não me escapou  que, encostado à parede, digamos que com  o choque do concreto, estamos perante um fracasso em tudo isto.  Com uma certa distância, o meu mestre e  conselheiro é pois  Deng Xiaoping e a sua fórmula mágica: “gato  preto, gato branco, o bom gato é o que apanha os ratos “. Parece também que trinta anos depois de se ter começado a implantar  esta linha pragmato-pragmática esta não terá sido mal  sucedida na China.

Como nos devemos situar no tema acima expresso, eis pois a relação  de Deng Xiaoping com Hollande , Valls e outros neo-socialistes que proclamam ser amigáveis  para com as gentes dos  negócios. Renzi é um seguidor de Deng e não eles. Matteo é um seguidor de Deng em economia quando ele defende em conjunto soluções liberais e estatistas para tentar tirar  o  seu país da crise, enquanto os nossos dirigentes andam baralhados a procurar as suas soluções milagres em lotes de livros da vulgata  económica ortodoxa. Mas Renzi também é um seguidor de Deng na política: para ele, na conquista da opinião pública, tudo o que se faz entrar algum proveito é porque está a resultar.  Ele,  cujos genes são ferozmente federalistas (ao contrário da maioria dos líderes dos partidos democratas, não é de origem pós-comunista  mas centrista), não hesitou em utilizar  os piores argumentos populistas (logo os  mais agradáveis) no seu confronto com a Comissão Europeia.

Sabe-se, os eurocratas de Bruxelas estão furiosos com os  orçamentos da França e da Itália para 2015. Perante estas críticas muito violentas e expressas, por escrito, além disso, os dirigentes franceses assumem um perfil de   cabeça baixa , tentando acreditar que não há nenhum grande desacordo: “Eu recebi uma carta muito banal, de acordo com o procedimento,” explica calmamente Hollande.

Renzi, este, não come destes gressinos: com ele será que  Bruxelas só terá conflitos ? Primeiro, este justifica-se, explica-se, na forma, na substância : “As circunstâncias actuais, etc, etc”, e a Comissão Europeia deveria sobretudo concentrar-se no   seu próprio orçamento: “Vamos publicar os dados sobre tudo o que é gasto por estes palácios. Vamos ver que é bem divertido”. Mais  populista, e  mais  matreiro  também não há. Ele, europeista convencido soube trabalhar as suas certezas porque soube perceber a exasperação dos seus concidadãos. Ele procedeu a este aggiornamento com clareza, violência e humor. Renzi  ao mesmo tempo está a encantar os seus concidadãos e a atemorizar  os  seus adversários que não entendem nada mais que não seja a força. Todas as coisas que não estão prestes a serem vistas em Paris.

Manuel Valls  tem razão , os socialistas franceses devem acabar  com o dogmatismo. Mas não é no que se pensa …

*Photo : Luca Bruno/AP/SIPA. AP21639541_000001

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Marc Cohen, Hollande, Renzi et Deng Xiaoping-Face à Bruxelles, une seule solution, la révolution!, Revista Causeur, 24 de Outubro de 2014. Texto disponível em:

http://www.causeur.fr/hollande-renzi-et-deng-xiaoping-29880.html

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