OS PRISIONEIROS DAS FÁBRICAS, por ALESSANDRO LEOGRANDE, FABIO ZAYED e MAILA IACOVELLI – III

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Selecção e tradução por Júlio Marques Mota

mapa itáliaOs prisioneiros das fábricas

Obrigado a:

Alessandro Leogrande, Fabio Zayed e Maila Iacovelli,  I prigionieri delle fabbriche

Internazionale, 27 de Outubro de 2014

Nota de Júlio Marques Mota

Fotos de Fabio Zayed e de Maila Iacovelli, texto de  Alessandro Leogrande para a  Internazionale,  a que acrescentei excertos de jornais e de outros sites, geralmente assinalados no texto.

Os prisioneiros das fábricas

(continuação)

Espionagem e degredo, na história da grande indústria italiana, parecem ter andado sempre a par e passo. No entanto, este facto de andarem a par não são o produto repentino de um golpe de maldade ou da crueldade parafantozziana de um qualquer dirigente. Não se trata pura e simplesmente de casos isolados de pressão psicológica no trabalho. Muito pelo contrário, parecem ser o fruto de operações construídas até aos mínimos detalhes e aplicadas em grande escala e ao longo do tempo.

De um outro site retiramos um excerto sobre a história da Fiat

Uma curta análise da história da Fiat e das relações de trabalho nesta empresa

Fiat, no decorrer dos anos, ficou tristemente famosa não somente por ser um enorme absorvedor dos dinheiros públicos como nenhuma outro, mas também pelo seu comportamento face às lutas desencadeadas pelos sindicatos em especial no decorrer dos anos 70. Em 1971, o juiz de instância Raffaele Guariniello na sequência de uma busca, descobriu uma atividade colossal de espionagem interna posta em acção pela FIAT : no gabinete dos “serviços Gerais” estavam guardada ilegalmente 354.000 pastas e dossiers sobre trabalhadores, sindicalistas, jornalistas, professores, cidadãos comuns. Foram até encontrados maços de notas destinadas ao suborno destinados dos carabinieri e serviços secretos italianos infiltrados entre os trabalhadores, como foi confirmado sucessivamente pelo próprio Romiti (cerca de 100 agentes para mil milhões de liras ao ano).

O caso foi, deve-se dizê-lo, foi limpo a jactos de areia. Se as lutas sindicais de final dos anos 60 levarem a grandes sucessos, como a renovação do contrato dos trabalhadores das indústrias metalo-mecânicas e o reconhecimento do Estatuto dos trabalhadores. Com o início dos anos 70 a direcção da Fiat preparava o campo para a repressão. Entre as medidas para desintegrar o poder sindical, foram utilizados pela direcção da Fiat até mesmo meios não onvencionais, como a loja maçónica do Grande Oriente do Mestre Lino Salvini

Apesar do acontecimento nunca ter sido definitivamente esclarecido permanece sem margem para dúvidas que a principal finalidade era o de querer impedir a unificação dos sindicatos e controlar alguns quadros do patronato. Com tal intenção em 1975 Carlo de Benedetti foi regularizo com a patente nº.21272 ao mesmo tempo que assumia o cargo de administrador delegado de Fiat (Ansa, 5 de Novembro de 1993). O mesmo Agnelli admitiu o financiamento de Salvini, enquanto prosseguia o inquérito sobre o golpe Borghese pelo assassinato do juiz Occorsio e pelo massacre do comboio Italicus.

Com os anos 80 continua a repressão, testemunhada por mais de 20.000 trabalhadores que, em 1980, foram postos no desemprego técnico de um momento para o outro; entre eles estavam numerosos delegados sindicais da fábrica que permanecerão fora da FIAT até 1987, em violação de todo e qualquer acordo; ao serem readmitidos, foram postos na situação de desemprego técnico remunerado “reparti confino” ( o que já tinha sido experimentado no pós-guerra com o chamado “ Oficina Estrela Vermelha”). Cento e cinquenta destes trabalhadores dar-se-ão à morte [4]. Durante os anos 80 e 90, entretanto, empresa de automóveis de Turim abre diferentes unidades fabris ao Sul, seja para beneficiar de estímulos financeiros pagos pelo Estado, seja para se aproveitar de uma classe operária mais maleável.

As relações conflituosas com os empregados continua ainda hoje – mesmo através da Inova Service, sociedades de serviços onde foram recolocados numerosos empregados da Fiat da unidade fabril de Arese unicamente com a finalidade de os despedir (como foi declarado no Tribunal de Recurso de Milão em 2013). Angela Di Marzo, a administradora da sociedade é inquirida para instigação à divulgação de segredos da empresa: no decorrer de 2009, a Digos encontrou-se na posse de um documento reservado do Núcleo informativo dos carabineiros relativo a Corrado Delle Tratamento, delegado Slai Cobas despedidos 11 veze e 10 vezes re-integrado pela magistratura. A mesma administradora, di Marzio, foi também acusada de ter escondido um micro no gabinete de Giuseppe Sala, ex Diretor Geral da Comuna de Milão, hoje administrador delegado de Exposição spa.

DE : FIAT, LA STORIA NON DETTA, texto disponível em : http://www.morasta.it/fiat-la-storia-non-detta/

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

(continua)

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Para ler a parte II de Os Prisioneiros das Fábricas, publicada ontem em A Viagem dos Argonautas, vá a:

OS PRISIONEIROS DAS FÁBRICAS, por ALESSANDRO LEOGRANDE, FABIO ZAYED e MAILA IACOVELLI – II

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