A Liberdade, a cultura, a democracia e a justiça social são as nossas paixões.
Pois é verdade, Jean-Luc Godard nasceu em Paris no dia 3 de Dezembro de 1930 – faz hoje 84 anos – uma criança quando comparado com o nosso Manoel de Oliveira! Sem ele, o cinema vanguardista europeu não seria o que é, pois muita da gramática típica da Nouvelle Vague foi criada por Godard – uma linguagem directa, ágil e, por vezes, violenta como um soco no estômago. A sua infância e adolescência decorreram na Suíça, indo depois para Paris cursar etnologia na Sorbonne. Com 22 anos começou a colaborar nos Cahiers du Cinéma e da primeira metade da década de 50 datam as suas primeiras curtas-metragens . A sua primeira longa-metragem, realizada em 1959, constituiu desde logo um marco na cinematografia de vanguarda, sendo hoje um filme de culto – À bout de souffle (O Acossado), com guião de Godard baseado numa história de François Truffaut, interpretado por Jean-Paul Belmondo e Jean Seberg, um policial do género negro, valeu-lhe logo nesse ano em Berlim um Urso de Prata para o melhor realizador – nada mau para um estreante! Os filmes que vieram depois provaram que ele era um dos realizadores mais emblemáticos e proficuos da “nova vaga”: Vivre sa vie (1962), Alphaville (1965), Pierrot le fou (1965; ), Deux ou trois choses que je sais d’elle (1966), Week-end (1968)… Uma filmografia consistente. Viria depois um cinema de tese, voltado para as questões políticas e filosóficas. Exemplo dessa fase é Je vous salue Marie, realizado em 1984 e que provocou polémica no mundo do catolicismo.