Há uma advertência de Jesus Nazaré, dirigida a quem o tinha acabado de convidar para um banquete. “Quando deres um banquete ou um jantar, não convides os teus amigos, nem os teus irmãos, nem os teus parentes, nem os teus vizinhos ricos, não vão eles também convidar-te por sua vez, e assim retribuir-te. Quando deres um banquete, convida os pobres, os aleijados, os coxos, os cegos.” (Lucas 14, 12-13). Apetece parafrasear esta advertência de Jesus e dizer: Quando promoveres um debate sobre Deus, não convides os filósofos, nem os teólogos, nem os cientistas, nem os chefes das religiões, nem os crentes/ateus confessos. A menos que seja para debater o Deus-que-se-vê, criação dos agentes do poder sacerdotal/religioso, financeiro, político. Porque se for para debater/testemunhar Deus que nunca ninguém viu, convida seres humanos fecundamente femininos, pobres por opção, sábios, maieuticamente religados às vítimas que o Deus-que-se-vê produz, eles próprios suas vítimas também. E ficarás surpreendida, surpreendido, porque estes só falam das inúmeras vítimas que as religiões/igrejas cristãs, os governos das nações, os banqueiros, as multinacionais produzem de forma científica, sem que isso chegue a tirar o sono às elites que estão à frente das monstruosas fábricas que as produzem, entre as quais se incluem os filósofos, teólogos, cientistas, artistas, poetas, escritores que comem à mesma mesa dos privilégios. Ou não tivessem todas elas por pai o Deus Dinheiro, o único que-se-vê e nunca é referido em programas como o Prós e Contras da RTP 1. Nem em colóquios com convidados de elite, todos estéreis, racionalistas, vazios de afectos/ reciprocidade, sem sopro maiêutico, assexuados, nada eróticos, que concebem/proferem conferências, editadas depois em livro, de venda garantida no grande Mercado, que inclui todas as igrejas cristãs/religiões. Já de Deus que nunca ninguém viu, só mesmo vidas Comensalidade, ao modo dos vasos comunicantes, dão pela sua fecunda e gratuita presença. E a prova é que são vidas maieuticamente doadas aos demais, nenhuma Caridadezinha.
9 Dezº 2014


A Mário de Oliveira, gostaria de lhe dizer que talvez o seu texto seja o que mais se aproxime do que possa ser Deus.
Grato pela partilha!