O COMISSÁRIO [POLÍTICO] MOSCOVICI EM CAMPANHA PELA AUSTERIDADE. A GRÉCIA NÃO QUER MAIS!, por MICHEL LHOMME – I

Falareconomia1

Selecção e tradução por Júlio Marques Mota

mapagrecia

O Comissário [político] Moscovici em campanha pela austeridade. A Grécia não quer!

Michel Lhomme, MOSCOVICI EN CAMPAGNE POUR L’AUSTÉRITÉ. La Grèce n’en veut pas !

Metamag, 19 de Dezembro de 2014  

moscovici - I

Desde há alguns dias, a Grécia está outra vez nos grandes títulos dos media. Já quase que se tinham esquecido da Grécia atingida no entanto pelos planos de austeridade europeus. O temor da instabilidade por conseguinte voltou de novo. Com surpresa geral mas na sequência de manifestações muito violentas em Atenas a 8 de Dezembro de 2014, o governo anunciou que se iria realizar a eleição presidencial, inicialmente prevista para Fevereiro, mas adiada para o dia 17 de Dezembro. É a prova que nos Gregos, o pânico está ainda à bordo. Os mercados europeus imediatamente tremeram. A 9 de Dezembro, a Bolsa de Atenas caiu de 12,78%, uma queda inédita desde 1987. A perspectiva de eleições legislativas antecipadas dá suores frios aos investidores que temem a chegada da extrema-esquerda ao poder. A recordação dos acontecimentos de 2008 perturba fortemente toda a cidade.

Atenas em fogo pelo São Nicolau

Em 6 de Dezembro de 2008, houve um motim em Atenas, no dia do São Nicolau, e foi uma das primeiras grandes manifestações contra o início da austeridade que começou então realmente a atingir a Grécia. Um jovem rapaz de 15 anos encontrava-se na manifestação, Alexandros Grigoropoulos e de acordo com os testemunhos, os polícias teriam disparado deliberadamente sobre ele. De facto, foi o que o julgamento confirmou em 2010, condenando um dos polícias a prisão a prisão perpétua, o segundo a dez anos de prisão.

moscovici - II

A história da Grécia moderna é, de facto, terrível. Desde que obteve a sua autonomia lutando contra a dominação otomana, caiu sob a dependência organizada das nações ocidentais (França, Grã-Bretanha, Prússia e Rússia) que fizeram dela deliberadamente um muralha contra a potência turca e muçulmana, e um laboratório político e social. Os Gregos suportaram os piores tormentos políticos incluindo a guerra civil, à saída da Segunda Guerra mundial. O escritor grego Aris Fakinos testemunhava que esta guerra civil foi tão atroz quanto a guerra civil de Espanha. Laboratório para os interesses financeiros, a Grécia permaneceu-o para a modernidade liberal. Hoje a miséria excedeu todo e qualquer limite e a maneira como a austeridade foi organizada assemelha-se ao genocídio programado de um povo. Suicídios, hospitais sem medicamentos, pacientes abandonados sem cuidados de saúde são o lote diário dos Gregos. Prefigura-se aqui o futuro da Europa?

moscovici - III

Longe das luzes imediatas da actualidade, o drama grego não cessou de se desenrolar com a sua austeridade extrema,  e aparecer como um naufrágio social inconcebível, como um impasse político total. O malogro flagrante da Grécia recorda contudo à Europa que a receita da austeridade extrema que foi imposta aos países fortemente endividados é uma via sem saída. A tentativa do governo de Samaras de pôr a Troika perante um facto consumado indo aos mercados financeiros para se libertar da sua tutela que asfixia, falhou lamentavelmente. Com uma ingenuidade e um amadorismo de notável de província, o Primeiro-ministro pôs às costas os seus próprios aliados: o governo alemão, a Comissão europeia, o FMI. A partir daqui os credores não lhe fazem mais nenhum presente.

É assim que as suas exigências ainda endureceram mais neste mês de Dezembro. Mais do que uma saída “do Memorando”, a tutela directa do país praticada pela Troika, os credores propõem uma prolongação da permanência desta para além do seu prazo estabelecido oficialmente, para além de 2014, portanto. Mas para isso e para desembolsar os milhares de milhões do empréstimo prometido que impeça a falência, eles pedem sempre mais e mais rapidamente: novos aumentos do IVA, aumento suplementar da idade de passagem à reforma, congelamento das pensões até 2017, diminuição dos salários dos funcionários públicos, cortes adicionais no orçamento do Estado. É o socialista francês Pierre Moscovici que se fez o porta-voz de que é necessário destruir como na Grécia em que o tecido social e económico do país está já decomposição.

(continua)

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Ver o original em:

http://metamag.fr/metamag-2536-MOSCOVICI-EN-CAMPAGNE-POUR-L-AUSTÉRITÉ–La-Grece-n-en-veut-pas–.html

 

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