EDITORIAL – A EUROPA PERANTE A JIHAD

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Nestes últimos dias a sucessão de notícias e o desfilar de opiniões sobre o que representam os atentados ocorridos, com destaque para o que teve como alvo o  Charlie Hebdo, e as atitudes a tomar, ascendem a número considerável e são diversas as opiniões. Há a assinalar que um número crescente de pessoas concorda em que estamos perante uma ameaça considerável. Acredita-se que os ataques a alvos europeus vão aumentar, num número cada vez maior de países.

Obviamente que os países europeus, tal como os de outros continentes, têm de reforçar as medidas de segurança e defender os seus cidadãos. Mas não se podem limitar às medidas de defesa. Terão de cada vez mais procurar entender os conflitos que vão estalando por esse mundo fora. E não se contentarem em seguir acriticamente as políticas norte-americanas, como tem acontecido até à data. Deverão procurar novas alianças, que lhes  permitam enfrentar os conflitos em melhores posições. As chamadas ameaças islamitas não os devem fazer desistir de procurar prosseguir políticas adequadas, como é o caso de um apoio reforçado à causa palestiniana. E pôr fim a intervenções descabeladas,  como as que se têm andado a fazer na Síria e na Líbia, que só agravaram os problemas já existentes naqueles países, provocaram uma revolta ainda maior nos povos da região, e contribuíram decisivamente para a instabilidade actual.

Mais ainda, terão de resolver as suas próprias questões internas de um modo diferente do que até à data. As políticas de austeridade cavaram um fosso considerável entre os povos que habitam os países integrados na União Europeia. Num dado momento, pode parecer que há uma aceitação por parte da maioria das pessoas das políticas ditadas pela burocracia de Bruxelas. Por um lado, essa aparente aceitação não é mais do que uma resignação, que só durará até se sentir que são possíveis alternativas. As opções a tomar na escolha dessas alternativas deverão ter em conta que o sacrifício da liberdade, da democracia e dos valores civilizacionais em geral, favorecerá as ameaças, internas e externas, e não contrário. Têm sido estes valores que têm estado na base do progresso (reduzido e com tantos retrocessos, é verdade!) que se tem conseguido nos dois últimos séculos. Renunciar a eles significará inapelavelmente o retorno à barbárie.

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