CRÓNICAS DO QUOTIDIANO – DO PODER À FECUNDIDADE. DO CRISTO A JESUS – por Mário de Oliveira

quotidiano1

 

O poder sempre tem estado ao comando da sociedade, do mundo. Tem de ceder o lugar à fecundidade. Nunca seremos plena e integralmente humanos, constitutivamente afectos, colos, ombros, uns dos outros, uns para os outros, enquanto o poder permanecer ao comando da sociedade, do mundo. No princípio, é a Ruah, Sopro maiêutico. A fecundidade. O feminino. Todas, todos nascemos de mulher. Somos filhas, filhos de mulher. É um absurdo passar, depois, a filhas, filhos do poder. Um absurdo e um crime de lesa-vida. É o feminino que nos faz mulheres, homens. Somos humanos, na medida em que somos fecundidade. Femininos. O poder, independentemente, de quem o exerce, é sempre o inimigo maior da vida, quando a vida se torna vida humana, consciência afectiva, vasos comunicantes. Os afectos, não o poder, é que têm de conduzir o que há de racional em nós. Sem os afectos a conduzi-lo, o racional torna-se progressivamente descriador, porque poder. Porventura, muito ilustrado, erudito, até científico, mas descriador. Somos tanto mais mulheres, homens, quanto mais os afectos conduzem o racional que há em nós. De outra forma, tornamo-nos nos mais perigosos dos seres vivos. Os mais ferozes. Até agora, demos insensatamente toda a prioridade ao poder, ao racional. Deveríamos tê-la dado aos afectos, à fecundidade. Como não demos, criamos sistemas que nos tornaram espantosamente eficazes, mas temos perdido progressivamente a alma. A sua eficácia é, hoje, tanta, que até já lhes perdemos o controlo. Somos seus reféns. Sem autonomia. Sem liberdade. O pior dos sistemas que criamos, dá pelo nome de cristianismo, precedido pelo judaísmo, prosseguido pelo islamismo. A mais completa consagração do poder, do racional. Em detrimento da fecundidade, dos afectos. Com o cristianismo, desaparece progressivamente o Humano que nos faz mulheres, homens, maieuticamente religados. Urge regressarmos a Jesus, o único ser humano plena e integralmente feminino/masculino que recusa ser o Cristo/poder, sacrificador de mulheres, homens.

7 Março 2015

 

 

1 Comment

  1. ” Urge regressarmos a Jesus, o único ser humano plena e integralmente feminino/masculino que recusa ser o Cristo/poder, sacrificador de mulheres, homens.

    Genial -adorei -Maria

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