Selecção, tradução e montagem por Júlio Marques Mota
MANOLIS GLEZOS: o que Alemanha não chegou a fazer pelas armas, fá-lo agora através do euro
Numa entrevista ao jornal cipriota “SIMERINI”, Manolis Glezos critica o modelo da Europa «Alemã»
10 Março de 2015
Manolis Glezos (source iefimerida.gr)
Para Manolis Glezos, a moeda comum e a política económica comum foram os instrumentos que, com o apoio da NATO e dos EUA, levaram à hegemonia europeia actual.
“Isso parece diferente mas sê-lo-á na verdade? O que e a Alemanha não chegou a fazer na época pelas armas, ou seja, criar uma Europa alemã, está a fazê-lo hoje em dia com o poder económico e a ajuda dos EUA e dos outros vencedores da 2ª guerra mundial – com a exclusão dos soviéticos, naturalmente. Isto é mais que evidente. A guerra fria deu aos EUA e à sua criação, a NATO, a possibilidade de impor a sua vontade à Europa. E o fruto desta vontade, é a Alemanha actual”
Falando de reparações de guerra, o quadro histórico da Esquerda considera que o Parlamento europeu e as relações de força não são favoráveis para que iniciativas neste sentido se saldem por um sucesso.
Pensa, no entanto, que a Alemanha de facto será levada a discutir com a Grécia sobre este assunto:
“o governo alemão, “mal-educado” até agora, devido aos outros europeus que lhes cedem constantemente, não poderá recusar ad vitam aeternam passar a discutir este assunto com a Grécia. De resto, Prokopis Pavlopoulos, o novo Presidente da República grega, domina perfeitamente, como jurista igualmente, a questão das dívidas da Alemanha para com o nosso país. Finalmente, será claro até que ponto aos argumentos dos alemães faltam fundamentos, se ousarem proceder à assinatura de um tratado de paz com a Grécia, em vez de se manterem no quadro do regime pouco claro “da situação não-em-guerra “que está actualmente em vigor. Então, serão forçados a pagar.”
Nota de tradução: Num artigo de há anos MANOLIS GLEZOS e que em breve publicaremos, escrevia:A questão das reparações não é uma simples questão de dinheiro. Isto reveste também uma dimensão política e moral. A Itália, por exemplo, pagou todas as suas obrigações de reparações de guerra para com a Grécia. O mesmo aconteceu com a Bulgária, que ocupou a Grécia conjuntamente com a Alemanha e a Itália de 1941 à 1944, e que teve que reparar o mal provocado pelas suas tropas ao povo grego. Porque é que a Alemanha deveria ser exonerada das suas obrigações? Durante a Segunda guerra mundial, os ocupantes nazis infligiram à nação grega a escravidão mais sangrenta e a mais asfixiante que ela alguma vez terá conhecido em três mil anos de uma história agitada. Estando convencida ao mesmo tempo que o povo alemão não tem hoje nada em comum com o nacional-socialismo, acredito contudo que se deve enfrentar o problema da ocupação alemão na Grécia e por fim assumir as reparações daí decorrentes. A Grécia nada mais está a fazer senão exigir o que se lhe é devido . O nosso povo não procura vingar-se. Também não pedirá também à Alemanha que pague as suas obrigações de uma só vez.Existem meios para pagar as reparações sem estar a prejudicar a economia alemã: bolsas atribuídas a estudantes e jovens investigadores gregos (em prioridade aos descendentes das vítimas do nazismo) para estudarem na Alemanha; transferência de “knowhow” alemão; assumirem os encargos financeiros pelo Estado alemão de projectos de infra-estruturas realizadas em Grécia por firmas alemãs; ajuda financeira directa. Uma comissão económica comum poderia estabelecer as modalidades exactas e uma agenda concreta.”Uma imagem daqueles tempos:
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Je suis completement d’acord. Les allemads ont gagnet le domain d’Europe poue la vie economique, sans armes!!!