NESTE DIA… Em 16 de Abril nasceu Charlot

 

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Imagem1Charles Spencer Chaplin Jr., conhecido em Portugal como Charlot, nasceu em Londres em 1889. Os seus pais Charles e Hannah Harriette Hill, eram ambos artistas de music-hall – Chaplin viveu num ambiente teatral desde o berço.  Em 1903 , tinha 14 anos, teve o seu primeiro trabalho regular, o de Billy, o ardina, em Sherlock Holmes. E nunca mais parou, nunca tendo outra profissão senão a de actor. Foi para os Estados Unidos em 1912 com a companhia de Karno. Em 1919, fundou a United Artists com Mary Pickford, Douglas Fairbanks e D. W. Griffith. Apesar de o sonoro ter surgido em 1927, Chaplin só o usou em 1930, em Tempos Modernos. Numa das cenas finais, canta num restaurante uma canção em mímica, onde os versos não significavam nada pois a personagem não sabia a letra. Uma cena inesquecível. O Grande Ditador (The Great Dictator, 1940), seu primeiro filme com diálogos, foi uma sátira a Adolf Hitler e ao nazismo. Chaplin fazia dois papéis, o de Adenoid Hynkel, clara alusão ao nome de Hitler, e o de um barbeiro judeu. Quando tomou conhecimento do Holocausto, lamentou ter feito humor com o regime nazi, pois o horror não se aborda com humor. Chaplin tinha uma posição de esquerda e alguns dos seus filmes demonstram-no claramente, sobretudo Tempos Modernos (Modern Times, 1936), onde, através da sátira, se crítica a situação da classe operária. Durante o período da «caça às bruxas», Chaplin foi incluído na chamada «Lista Negra» de Hollywood. Quando fez uma viagem a Inglaterra, em 1952, foi ameaçado pelo governo americano da confiscação de todos os seus bens – desdenhosamente, Chaplin respondeu que poderiam ficar com tudo. Quando regressou aos EUA foi proibido de entrar devido a acusações de “actividades anti-americanas”, na época do macarthismo, num processo pessoalmente conduzido por J. Edgar Hoover. Charlie ficou a residir na Suíça.A sua primeira nomeação para o Oscar fora logo em 1929, no primeiro ano em que a Academia de Hollywood estabeleceu esses prémios. Chaplin havia sido nomeado como melhor director de comédia e melhor actor em The Circus (este texto abre com um hilariante momento deste filme), mas a Academia decidiu afrontá-lo e atribuir-lhe um prémio especial pela “versatilidade e excelência na actuação, guião, direcção e produção”. Chaplin manifestou o seu desprezo por este presente envenenado e, em sua casa, para gáudio das visitas usava ostensivamente a estatueta entre uma porta e a ombreira, para não a deixar fechar.

Quando isto se tornou público, a ira da Academia de Hollywood foi enorme.  Se houvesse uma votação, entre os cinéfilos de todo o mundo, sobre qual a figura mais carismática de toda a história do cinema, Charles Chaplin, actor, realizador, compositor, guionista, teria muitas possibilidades de ficar em primeiro lugar. E nunca ganhou um Oscar, o que demonstra o valor que aqueles prémios têm. A Academia ganharia prestígio premiando Chaplin.  Não o fazendo desacreditou-se e retirou valor às suas opções. Chaplin, com ou sem Oscar, foi considerado um dos maiores actores cinematográficos de sempre.

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