SOBRE QUAL 25 DE ABRIL? uma crónica de JÚLIO MARQUES MOTA – I

júlio marques mota

Sobre qual 25 de Abril?

Pedem-me um texto sobre o 25 de Abril. Sobre o qual? Sobre o de 1974 ou sobre um outro 25 Abril de portas mil que a força do povo há-de abrir. Estou cansado de escrever todos os anos um texto sobre o tema. A imaginação vai-se, o cansaço vem e penso talvez seja melhor não escrever.

De repente, lembro-me de um amigo meu em Lisboa, relembro uma discussão sintetizada na apresentação de uma peça de Michael Pettis* sobre o dilema de qual dos males, ficar ou sair do euro. E relembro um detalhe que aí não é contado.

Estávamos no El Corte Inglês. Falámos sobre a Cova da Piedade, sobre os mini – mini centros comerciais, uma vergonha, que devem ter proliferado por esta zona mas bem antes da Lisnave fechar as suas portas, por efeito puro e simples da globalização. Tratava-se de centros com duas a três dezenas de lojas, todas elas de dimensões minúsculas, tão minúsculas mesmo que eu diria com uma ironia amarga, serem lojas onde não havia espaço físico para se ter o que se queria vender! Um absurdo que na minha opinião têm várias raízes:

i) A falta de empregos na região bem antes de a crise estalar e mesmo no tempo da Lisnave, da Triunfo, das fábricas de cortiça, hoje tudo fechado. Com estas fábricas criou-se um polo de características dominantes bem específicas e marcadas pela Lisnave, um polo industrial em que na maioria dos casos só havia trabalho para homens. Para as mulheres da aristocracia operária da zona, restava-lhes uma ou outra fabriqueta local de confeções para trabalhar como empregadas, e isso não seria significativo ou não era para elas, elas que eram as mulheres da aristocracia operária, (ganhava-se bem na Lisnave) ou então arranjavam uma loja num estabelecimento comercial. Garantiam assim emprego como trabalhadoras por conta própria.

ii) As aprovações pelas Câmaras deste tipo de centros, sem qualquer interesse comercial, só eram concedidas por razões de conveniência pecuniária, encher os respetivos cofres. A degradação do papel do Estado. Uma simples visita pela Cova da Piedade ilustra-nos bem isso.

iii) A revolução de Abril não fez mudar a estrutura produtiva que vinha dos tempos do fascismo e a globalização por seu lado acabou por se encarregar de destruir o que do fascismo restava. Foi tudo desfeito. Por amostra a fragata D. Fernando a mostrar o que foram outros tempos, mas parada.

Desses tempos, dos seus restos e das suas marcas, aqui vos deixo uma imagem, com o nome do proprietário gestor da paisagem agora transfigurada,  a Câmara Municipal de Almada:

25Abril2015 - I

A Lisnave de agora, com a ferrugem a comer-lhe o ferro e as entranhas também:

25Abril2015 - II

O que terá sido feito dessa gente? A maioria reformou-se, mas agora não é bem essa gente que me preocupa mas os últimos donos ou arrendatários. Símbolo dessa inversão, dessa enorme mudança e do enorme vazio entretanto criado, há na Rua Rosas do Pombal quase ao fundo uma loja que outrora era o delírio da minha filha e falo portanto de meados dos anos 80. Era a maior loja que eu conhecia de brinquedos Lego. Uma enorme loja de brinquedos caros na Cova da Piedade? A razão era simples, e foi isso que me chamou a atenção, esta era uma zona de aristocracia de classe operária, era um zona de muito dinheiro e a este nível as barreiras culturais eram muito fáceis de ultrapassar. Os brinquedos atravessam todas as idades, todas as classes, sobretudo para os mais pequenos onde a diferenciação de classes ainda não se fazia sentir. Bem mais lógico que haja brinquedos Lego na Cova da Piedade para crianças do que canetas Montblanc para a lapela de pijamas de adultos que nem sequer sabiam escrever, e isto na Beira Alta, na exploração de volfrâmio. Hoje, passo pela loja e sinto um aperto no coração. É uma loja de produtos de segunda mão, uma loja descaracterizada de tudo e de todos.

Efeitos da globalização, primeiro, e, depois, os efeitos da crise que se fizeram sentir nesta vila, esta terra é uma tristeza com lojas porta sim, porta não, encerradas. E as poucas que se atrevem a abrir, mudando de ramo, meses depois estão de novo fechadas. Depois  muitas delas passam depois a apresentar configurações como a que aqui se mostra:

25Abril2015 - III

Deixemos a Cova da Piedade. Estou com este meu amigo no El Corte Inglês, onde a minha neta de doze anos deixada de propósito à solta vive uns largos minutos num mundo de magia. Falámos também disto tudo, dos efeitos da globalização, da aposta necessária no ensino, falámos da capacidade de adaptação cada vez mais necessária onde o que é constante é apenas a mudança, falámos da saída ou da permanência no euro. E ele conta-me uma pequena história sobre as desgraças da crise de alguém que foi e é o seu merceeiro.

Conta-me então a pequena história resumível em poucas linhas. Ele a contar a história do seu merceeiro e eu a lembrar-me ao mesmo tempo da minha infância ou melhor da minha adolescência quando a partir dos doze anos fui marçano em mercearias de Lisboa. Deixei de o ouvir e mergulhei nas minhas memórias de há muito tempo. Tempos de fascismo de que falei em duas cartas abertas, uma aos deputados e a outra a um verdadeiro Leopardo, antigo líder associativo que tem como nome Mariano Gago. Estas cartas aqui valem nos excertos que aqui reproduzo pelos traços de antes de 25 de Abril de outrora, pelos traços que nos dão do fascismo, pelos traços que não queremos voltar a ver. Nunca mais.

  1. Da carta O menino pobre que eu fui – Carta aberta enviada aos deputados da AR

“ Carta aberta aos líderes parlamentares do nosso país, a propósito de um menino pobre que eu fui

O menino pobre que eu fui nasceu algures numa aldeia do interior beirão, no início dos anos quarenta, num país rural fechado sobre si mesmo e sob um regime de ditadura. Com pais pobres, deles histórias lidas não ouvia e contadas também não. As que ouvia, eram ouvidas e sentidas nas homilias, ao domingo. Mais tarde, aprendeu a ler, e depois a ler histórias, graças a uma senhora desde há muito desaparecida, que mão amiga, que lhe emprestava em formato de quase livro folhetins do jornal O Século. Foi assim num tempo de pobres que tomou o primeiro contacto com a leitura de histórias, com a “literatura”. Esse menino pobre que eu fui cresceu e quis ir estudar para o liceu da época e da sua região. Na altura, era preciso fazer o exame de admissão ao liceu, mas … foi impedido por um detalhe impensável: como para isso teria que ser proposto pela sua professora primária, esta por iniciativa pessoal exigia 1.500$00 quando um camponês ganhava 18$00 por dia e era quando tinha trabalho. Era então preciso dinheiro e este não havia. Dinheiro não o tinha, o exame de admissão, esse, não o podia pois fazer.

O menino pobre que eu fui fez o protesto possível do seu tempo, protesto quase impossível no mundo opressivo do fascismo a um qualquer adulto, protesto tornado viável apenas porque era criança: escreveu ao ministro da Educação de então e curiosamente a carta ter-lhe-á mesmo chegado às mãos. Um processo foi instaurado à professora! Era ilegal o que fazia, não podia levar dinheiro a alunos seus. O inquérito foi feito na sede do concelho, onde a autoridade local, o regedor senhor António Eduardo, o levou e trouxe de regresso. Tinha 11 anos. Quando esse menino pobre que eu fui regressou à aldeia acompanhado da autoridade foi recebido quase que em festa, com uma recepção dos pais dos meninos pobres de então. “Ganhámos!”, era a expressão que se ouviu. Nesse ano, todos os pais dos meninos que fizeram o exame de admissão e que ainda não tinham pago parte ou todo o dinheiro até esse dia recusaram-se então a pagar, excepto esse menino pobre que eu fui, porque não tendo feito o exame, nenhum pagamento tinha que recusar, porque nada havia a pagar. “Ganhámos!”, era a expressão que se ouviu, mas a vitória foi de curta duração. A professora passou a contornar a lei. A partir daí, só levava à admissão os alunos um ano depois de terem feito a quarta classe, quando já não eram seus alunos. Levar dinheiro, extorquir dinheiro, passou assim a ser legal. O menino pobre que eu fui aprendeu a sua primeira lição em política. Escreve ao ministro porque nessa idade acreditava no sistema, acreditava que o que estava errado era a posição da professora e não o sistema político, que era a árvore que estava estragada e não a floresta. Democracia era termo que nem sequer conhecia, nunca tinha ouvido falar. Termo proibido, como muitos outros, soube depois. Mas afinal descobriu que o problema estava também no regime fascista, pela sua própria natureza, descobriu que neste os pobres nunca poderiam ganhar.

O menino pobre que eu fui revoltado quis ir para a grande cidade, carregado com um saco de sonhos, talvez, e uns bolsos vazios de tudo, certamente. Aí cresceu como marçano, cansado na vida a subir e a descer escadas de caracol, as escadas de serviço dos prédios onde ia, a carregar com as encomendas que os clientes pediam. Mas aí também encontrou a literatura e muito mais. Clientes seus ofereciam-lhe livros, não lhos emprestavam, clientes seus convidavam-no a ler e, mais, a discutir depois os livros oferecidos e lidos, nas suas casas. Estava-se no final dos anos cinquenta, início dos anos sessenta, na rua e na praceta Afonso Lopes Vieira, em Lisboa, perto da Avenida do Brasil. Assim, dessa maneira, aprendeu o sentido da fraternidade que o livro permitia, aprendeu aí a ter o gosto de ter livros. Desse tempo, ainda se lembra dos primeiros livros de francês usados no Charles Lepierre e possivelmente na Alliance Française, de capa azul, que um neto de um Lucena pintor, carinhosamente lhe ofereceu, não lhos emprestou.

Esse menino pobre que eu fui continuou a crescer e continuou a ler. Depois, tornou-se operário fabril. Trabalhava de dia, estudava de noite algumas horas e dava gratuitamente explicações noutras a colegas seus, trabalhadores como ele, na cave do café Nova Iorque, ao fundo da Avenida dos Estados Unidos da América. O tempo não dava para tudo e adoeceu. Mais tarde, doente, na sua aldeia do interior da Beira preparou-se para os exames do sétimo ano de liceu. Uma dificuldade, duas dificuldades, na Matemática e o menino pobre que eu fui escreveu ao Palma Fernandes expondo a sua solução dos problemas que não batiam certo com a resposta, ou do livro de texto, a Álgebra Racional, ou do seu próprio caderno de exercícios, com que gerações sucessivas aprenderam a treinar-se na Matemática. Recebeu a resposta e o exercício do livro de Álgebra Racional, de um ponto de exame nacional dos anos quarenta pensa, não tinha solução (!) e quanto ao outro, ao do seu caderno, vinha uma carta a explicá-lo e a explicar onde estava o erro da sua solução. Mas vinha algo mais: vinha um pacote com livros oferecidos, não emprestados.

O menino pobre que eu fui, esse, habituou-se a ler para além dos manuais. Foi, como voluntário, fazer exame de Filosofia ao Liceu Pedro Nunes e foi à oral. Do que se lembra é de ter olhado para a prova de exame que estava cheia de sublinhados a vermelho. Lembra-se que nessa oral se falou de várias coisas que estavam na prova escrita entre as quais, talvez, de Jean Bernard e do Homem como totalidade, o que a esse nível de estudos seria uma novidade. Aí estava a marca de estudantes de Medicina, entre outros, estudantes da JUC, um ou outro preocupado com o tratado do Henri Ey, ou estudantes de linhas políticas mais à esquerda, como por exemplo Eurico de Figueiredo, mais tarde líder do movimento associativo da Universidade de Lisboa. Todos estes com forte componente humanista, como os seus trajectos pessoais o mostraram depois, todos eles com quem de vez em quando convivia no mesmo café em que à noite estudava. Do que se lembra ainda foi de que a oral correu bem, muito bem mesmo, e que no fim um membro do júri uma pergunta levantou talvez um pouco espantado: “Profissionalmente, o que faz”.

A resposta foi talvez, para eles, inesperada: “agora nada, sou operário fabril, estou com tuberculose a tratar-me em casa, na minha aldeia”. Os membros do júri levantaram-se e cada um deu-lhe uma lembrança do que tinham à mão, uma caneta, um livro, uma revista. Saiu e já fora da sala as pessoas que assistiram à oral felicitaram-no com um aperto de mão, uma ou outra com um abraço, um abraço dado a quem não conheciam, a quem tinha acabado de afirmar que estava com tuberculose e esta doença era a SIDA de então. Das ofertas dos professores às felicitações, era tudo já uma questão de livros, de memórias, de saberes adquiridos, de espaços roubados à ignorância, em suma, de humanidade, de alguma cultura, talvez. E havia livros oferecidos, não emprestados, ou com muita dificuldade comprados. Desse tempo recorda ainda encontros havidos, encontros tidos, encontros por outros sabidos com os olhos vigilantes nas noites escuras de Lisboa porque vigilantes do sistema, na casa de um casal que muito amava este país e a sua juventude, Augusto Costa Dias e a mulher Luísa Costa Dias, algures na Avenida de Roma. Eram escritores e ele dirigia a Editora Portugália, creio. De novo com livros oferecidos, livros lidos, livros discutidos. Aí aprendeu o gosto das tertúlias entre jovens que, com o carinho e a dedicação desse casal, animavam o Suplemento República Juvenil e, mais tarde, o Diário de Lisboa Juvenil, ligações entre jovens que o afastamento por doença fez perder. Aí ganhou uma outra noção: a da dádiva cultural, dada por todos aqueles actores em presença.

O menino pobre que eu fui, esse, cresceu assim. Mais tarde, chega à Universidade como estudante. Está-se no final dos anos sessenta. Vive na rua Gomes Freire. Pedagogias impostas pelas revoltas estudantis da época estimulavam trabalhar em grupo. Em Maio de 72, precisamente num grupo de trabalho, há uma discussão entre colegas sobre um problema teórico. Afirma: “não se ralem. Isso está explicado no livro do Celso Furtado, p. 128”, livro que tinha lido em Outubro do ano anterior. Todos o olharam, e um deles, hoje alto quadro do IAPMEI, propõe-lhe uma aposta a um almoço. Apostas de estudantes sem dinheiro. Aceita e faz uma contraproposta: quem quer apostar que está na quinta linha a partir de baixo? Todos apostaram, pensaram que a probabilidade de ganhar era grande e, por ironia da crise do momento presente, será que somos todos especuladores em potência? Todos eles perderam! Como? Havia um detalhe: o texto referido estava sublinhado, o livro era dele. Sem que o soubesse objectivamente, o seu cérebro teria fotografado o texto citado ao ter parado de ler para o sublinhar cuidadosamente. Não é por acaso que livro técnico lido por ele e que não seja seu é apenas livro técnico conhecido, livro seu, é todo ele um livro sublinhado, é livro, pelo menos até agora, nunca esquecido nos seus sublinhados. E assim se moldou com livros oferecidos, livros tidos, livros comprados, livros sublinhados. Desses livros, dos lidos e dos desejados, encontrou de novo a expressão de dádiva cultural num dos seus professores, um alto funcionário do Banco de Portugal. Quem diria! Tratava-se do Dr. Ramos Pereira. À noite, em grupo, ia para a sua casa, bombardeavam-no com perguntas, queriam aprender a questionar o mundo, queriam saber economia e, nesse tempo, muita dela como conhecimento estaria fora dos manuais utilizados, dos manuais estilizados. E muitos desses livros que nessas noites tocaram, que desejavam muitas vezes ler, vieram, muitos anos depois, parar à Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, graças a uma figura de relevo na nossa Universidade, o Professor Romero de Magalhães, e também à viúva para quem esta Faculdade seria o local onde o marido mais desejaria que os livros ficassem. Chegou por esta altura à Universidade como professor. Sou professor universitário há trinta e sete anos.

Esse menino pobre que eu fui e que já não sou, bem mais tarde, leu um artigo de Bertrand Poirot-Delpech, da Académie Française, em que se relatava as mudanças havidas nos tempos de Mitterrand no processo de admissão a Sciences Po, uma das mais importantes instituições universitárias de França. Com essa mudança, uma pergunta passou a seleccionar a admissão dos alunos àquela escola: fale-nos de um livro de que tenha gostado tanto que ache indispensável que os seus amigos o leiam, frase que aqui cito de memória. No mesmo artigo, o autor relembrava que o livro era o amigo que espera sempre por nós, o amigo que está sempre disponível na nossa biblioteca para estar connosco. No mesmo artigo, o autor confirmava assim o que tinha sido a minha vida de estudante, um autor que pertencia a uma instituição de referência, a Academie Française.”

Nesta fase um detalhe naquela carta não contado e que se passava quando trabalhei na última mercearia como marçano, na Rua Afonso Lopes Vieira, já quase junto à Avenida do Brasil. Como marçano teria um salário do tipo 100 escudos por mês, cama, mesa e roupa lavada. Escusado será dizer, não comia bem. Tinha a sorte de ter clientes que olhavam por mim, talvez quase com o mesmo carinho com que olham pelos seus filhos ou sobrinhos. Lembro aqui, entre vários, a família Lucena, na praceta Afonso Lopes Vieira, lembro aqui o seu filho que me ensinou francês pelos livros de capa azul da Alliance Française e que no final do ano aceitou algumas explicações de matemática do marçano que era eu. A sugestão que me era dada era de que sempre que eu não gostasse da comida do meu patrão ao almoço ou mesmo ao jantar não comesse pois que na casa deles haveria sempre comida para mim. Era ir até lá. Lembro ainda uma outra cliente, no nº 1 ou nº 3 da mesma praceta, de que a sua filha mais tarde foi hospedeira da TAP e o marido tinha uma oficina de automóveis especializada numa grande marca, mas na altura de marcas o marçano pobre que era eu nada sabia. Ou ainda as freiras de um lar de estudantes. Tinha muitas portas sempre disponíveis. Em suma, pelas leis do Destino invertidas, não comia nada mal.

(continua)

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*Ver a introdução a este texto de Michael Pettis, por Júlio Marques Mota, em:

SOBRE A CRISE, SOBRE O EURO, DIÁLOGO COM UM GRANDE AMIGO MEU – a propósito do envio de um texto de MICHAEL PETTIS, “A ESPANHA EM SOFRIMENTO: PORQUE É QUE DEIXAR O EURO É O MENOR DE DOIS MALES” – por JÚLIO MARQUES MOTA

A parte I do texto de Michael Pettis em:

A ESPANHA EM SOFRIMENTO: PORQUE É QUE DEIXAR O EURO É O MENOR DE DOIS MALES – por MICHAEL PETTIS – I

A parte II:

A ESPANHA EM SOFRIMENTO: PORQUE É QUE DEIXAR O EURO É O MENOR DE DOIS MALES – por MICHAEL PETTIS – II

A parte III, final:

A ESPANHA EM SOFRIMENTO: PORQUE É QUE DEIXAR O EURO É O MENOR DE DOIS MALES – por MICHAEL PETTIS – III

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