CRÓNICA DE DOMINGO – Contra quem usa deus para matar – por Carlos de Matos Gomes

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BISCATES – Islamófobo e o mais que seja

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Não tem o nosso blogue uma linha ideológica definida – os argonautas estão unidos, não por uma ideologia comum, mas por um comum respeito pelos valores da democracia, do respeito pela liberdade de expressão, pelo dever de solidariedade entre os povos. Carlos de Matos Gomes defende neste artigo, publicado na sua secção BISCATES em Outubro passado, uma firme condenação do integrismo que, de certo modo, consubstancia o que nós todos pensamos. Por isso, repetimos a publicação desse artigo nesta crónica dominical. E quem já leu nada perde em reler.

Esta declaração não tem nada a ver com as patetices do doutor Machete sobre os jiadistas portugueses arrependidos, ou que regressam para descansar das suas comissões como assassinos na Síria. Tem a ver com o medo da irracionalidade e com a brutalidade. Tem a ver com os degoladores do ISIS, com os clérigos que enforcam mulheres que se defendem dos violadores no Irão, com os talibans, com os guardas revolucionários que atiram ácido ao rosto das jovens. Tem a ver com a bestialidade sob a forma de religião.

Sou agnóstico em geral e islamófobo em particular. Fobia quer dizer medo. Tenho medo do islão como tenho medo do que me ultrapassa, de forças contra as quais não disponho de armas capazes de me defender, a não ser expondo a sua monstruosidade. Sei que as outras religiões de deus único se baseiam, tal como o islão, na crença da existência de uma entidade metafísica (o que não seria incomodativo), mas que é humanamente omnipotente, e é aqui que a porca (salvo seja) torce o rabo. Essa alta entidade, que poderia ter-se limitado a criar o universo, entendeu, segundo os seus súbditos terrenos, impor uma moral a uma das espécies que criou, logo por acaso àquela a que pertenço, aos humanos, enquanto deixou as outras entregues aos seus instintos. Perante os deuses dessas religiões só o homem não pode viver livre.

De facto, todas as religiões partem do princípio de que deus, a tal entidade omnipotente, nos quer salvar a toda a força, mas eu só sou islamófobo, só tenho medo do islão porque as outras religiões aqui à volta deixaram de matar homens como eu, que não acreditam nas promessas de salvação do todo-poderoso. No meu caso pessoal porque penso que se a sua suprema finalidade fosse salvar-nos, o lógico seria nem nos ter criado, evitando assim colocar-nos a nós em perigo e a ele em trabalhos. Não creio num todo-poderoso com tiques de bombeiro que ateia fogos para depois os ir apagar, mas não entendo que esta minha humilde crítica seja motivo de pena de morte por parte de um deus que me quer salvar.

Sou, como se percebe, um homem mais de indiferenças do que de dúvidas e tive a sorte de nascer num tempo e num lugar em que a religião dominante estabeleceu com os homens como eu um contrato aceitável, isto após muitos séculos de crimes religiosos: Eu não acredito na salvação e o cristianismo não me aceita no seu paraíso depois de morrer. Os como eu estabelecemos com os deuses da nossa gente uma paz de cansaço: eles já crucificaram, queimaram, despedaçaram anteriormente quanto basta para aceitarem que agora só se vingam de nós depois de estarmos mortos. Pelo nosso lado, o lado dos incréus por indiferença, admitimos um todo-poderoso que aceita pagamentos posmortem. Pelo contrário, o todo-poderoso do islão cobra o meu desprezo por ele à cabeça e leva-me a cabeça em vida, literalmente. Com o islão, se não acredito na misericórdia do Alá, os seus crentes cortam-me o pescoço. Esta é a primeira razão porque sou islamófobo: o amor que tenho ao meu pescoço e à vida é superior à fé na misericórdia de Alá e dos seus magarefes. Mas tenho mais razões.

Sou contra a concepção de vida e de história do islão. Sou contra uma doutrina e os seus sequazes que me tratam como um irracional. Isto é, repugna-me uma concepção do mundo que trata os homens como calhaus sujeitos a uma força exterior. Sou contra uma concepção do mundo em que uns homens se arrogam o direito de falar por uma entidade que me impõe um destino e um comportamento absurdo. Sou contra o islão como sou – continuo a ser – contra a inquisição católica, como sou contra o judaísmo que arrasa cidades palestinianas. Acredito que os palestinianos sejam judaicofobos. No lugar deles eu seria.

Sou contra o islão pelo mesmo princípio que me faz ser contra alguém que me obriga a ser salvo de um perigo que eu não sinto, nem temo: um inferno! Não tenho pena da minha alma e espero que ela não tenha pena de mim. Deixem-me ser uma alma penada, mas não me apedrejem o corpo, nem me crucifiquem, nem me degolem, nem violem as mulheres, nem lhes cortem o nariz, nem o clitóris! É por estas e por outras que eu sou mais contra o islão do que contra outras religiões que só me prometem fazer mal depois de morto. Com essas posso eu bem. Com o islão não.

Sou contra o islão porque sou contra a ideia de me imporem regras absurdas para alcançar um paraíso para onde não desejo ir. Sou contra o islão, como sou contra qualquer religião em que homens como eu, saídos do mesmo modo que eu das barrigas das suas mães, após uma relação sexual com um macho como o meu pai, me impõem uma divindade só deles conhecida para me obrigarem a fazer o que querem e entendem que eu devo fazer. Sou contra o islão porque sou contra os clérigos prepotentes, os aiatolas pesporrentes, os mulás convencidos da verdade absoluta, os salvadores e, em geral todos os vigaristas, especialmente os que se ornamentam com lustrosos paramentos, deixam crescer as barbas e falam a cantar pelo nariz.

Sou contra o islão e, de um modo geral, contra todas as religiões, porque não preciso de intermediários para distinguir o bem do mal, assim como não preciso de sacerdotes para me proibirem as febras de porco, os torresmos, o vinho, a carne de animais sem serem degolados. Ou, já agora, de ver os joelhos das mulheres, o rego dos seios, os ombros nus. Sou radicalmente contra o islão porque no islão o pecado mata e tortura. Eu não me importo de morrer em pecado. O que eu contesto é ter de morrer por aquilo que o islão considera pecado. Morram os seus crentes pelos seus pecados. Deixem os infiéis como eu em paz. Pagaremos na eternidade. Vinguem-se de mim depois de morto, mas deixem-me viver à minha maneira, sem as vossas orações e as vossas facas de degolar.

Não preciso nem do Alcorão (nem do catecismo, nem da Tora) para saber que devo lavar as mãos antes de comer e de limpar o cu depois de defecar. Não preciso do Alá (nem do Jeová, nem da Santíssima Trindade) e dos seus sacerdotes para me dizerem se devo ou não devo cortar a barba ou deixá-la crescer. No caso dos ulemas, imanes e maulvis não lhes reconheço graça viril para fazerem anúncios contra a Gillette. Quero fazer a barba e cortar o cabelo quando me apetecer e gosto da sensação do after-shave na pele. Mereço o inferno, é claro. Para o islão a navalha não é para a barba, é para o pescoço.

Sou contra o Islão e contra qualquer religião que me prometa as delícias da vida eterna e seja incapaz de me proporcionar uma decente vida terrena durante o limitado período em que aqui estou. Sou modesto. Exijo pouco. O islão oferece-me mais do que necessito e, se calhar, mereço. Obrigado Alá, obrigado Maomé, mas dispensem-me das vossas ofertas. Não quero ir para o céu e, muito menos para o vosso! Dou o meu lugar. Posso? Já tenho anunciantes que chegue a azucrinar-me os ouvidos com os meninos e as meninas dos callcenter a oferecerem-me as maravilhas do mundo.

Também sou absolutamente contra o islão porque o islão está contra metade da humanidade. Por acaso uma metade que muito aprecio e tenho em boa conta: as mulheres! Pois é. Sou contra o islão porque os homens do islão são tarados sexuais, frustrados sexuais. Os homens do islão têm medo das mulheres, têm medo que os outros homens os encornem, lhes levem as suas mulheres. Por isso, os homens do islão tapam, escondem, velam, emburcam as suas mulheres. Eles duvidam de si. Eles têm medo de que as suas mulheres, vendo e conhecendo outros homens os larguem, os desprezem. Eles lá sabem o que são na intimidade e eu não quero ser como eles! Sou contra o islão porque o islão é uma religião de complexados sexuais, de violadores encapotados, de homens incapazes de se colocarem em pé de igualdade com as mulheres. Sou contra o islão porque os homens no islão têm vergonha das suas mães, têm medo das suas irmãs e desprezam aquelas a quem fazem filhos.

Sou contra o islão porque no islão um homem não pode brindar com champanhe antes de ir para a cama fazer amor com a mulher de quem gosta. Sou contra o islão porque gosto de champanhe e de mulheres! Sou contra o islão porque, gostando de champanhe e de mulheres, jamais me passaria pela cabeça, como aos homens do islão, apedrejar uma mulher porque ela bebeu champanhe com um homem. Sou contra o islão porque os homens no islão tratam as mulheres piores do que as cabras, à pedrada! Sou contra o islão porque gosto de andar com uma mulher ao lado, de a tocar e não de andar com um espantalho embiocado atrás de mim. Também gosto de ver os movimentos das ancas e das pernas de uma mulher a dançar à minha frente. Imagens terríficas para um homem do Islão! Sou contra o Islão porque os homens do Islão têm direito a 72 mil virgens no paraíso, o que significa que os homens do Islão não fazem ideia do que é a virgindade de uma mulher, nem do paraíso, nem, já agora, do que é a resistência da cabeça do prepúcio! Os homens do islão são uns gabarolas, uns aldrabões. Além de confundirem o que têm entre as pernas com um Black&Decker do feitio de um boneco das Caldas.

Sou contra o islão porque nunca percebi como o islão conjuga aquilo que é essencial na vida dos homens: o bem com a felicidade. O que é o bem para o Islão? Do que recolhi de vozes autorizadas é converter os infiéis ou matar os que não aceitem converter-se. Belo programa, hein! O que é a felicidade no islão? É seguir as normas do Alcorão, isto é, obrigar os fiéis a seguirem o islão ou matar os que não o fizeram! O islão é uma religião ou um matadouro?

Sou contra o islão porque o deus que os homens do islão inventaram é, em suma, um cardeal Torquemada que fala árabe. Um Hitler de barba e camisa de dormir. Aqui pela Europa sabemos que islamitas são esses, conhecemos a salvação das fogueiras e das câmaras de gás. Sou radicalmente contra. Se aparecer outra religião tão desumana quanto o islão actual serei igualmente contra.

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