REFLEXÕES À VOLTA DAS DECLARAÇÕES DE DURÃO BARROSO NO ESTORIL – por JÚLIO MARQUES MOTA

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Reflexões à volta das declarações de Durão Barroso no Estoril

júlio marques mota

Júlio Marques Mota

Fiz um texto  em que mostrava que à  Grécia estava a ser imposto uma situação típica da Grécia antiga, de séculos antes de Cristo, a de ser sacrificada em nome dos restantes membros da zona euro. O texto ainda não foi publicado e eis que  ouço as declarações de Durão Barroso sobre este mesmo país. Inacreditável. A partir das suas declarações, conclui-se que a Grécia estava já a sair da crise, quando, de repente,  tudo andou para trás. O diabo  foi que votou mal, votou Syriza e aqui  o discurso é exactamente o mesmo que o de Schauble..

Mas… a sair da crise? Durão Barroso consegue mesmo ultrapassar Passos Coelho nas suas mentiras, na sua falta de carácter. Olhemos para os gráficos abaixo  e quem quer que seja que nos diga, então, como   é possível  ver neles uma saída da crise, ali, ali mesmo, ao virar da esquina!  O erro então foi do povo grego em votar e a ser assim é melhor acabar com a Democracia. Votar para quê, sugere-nos Schauble se  nada vai mudar. Bom, chegados aqui estamos a falar não de Durão Barroso mas de Schäuble. Ou seja, o mesquinho Durão Barroso colado ao monstro que dá pelo nome de Schäuble, a  vender e a defender as ideias deste, quando afirma[1]:

“A Grécia, infelizmente, por razões políticas próprias não conseguiu ainda recuperar a confiança nem parceiros nem dos mercados. Por isso é que a situação grega é trágica, porque depois de todos os sacrifícios que o povo grego fez, quando estava praticamente a sair da crise, volta o problema. Ou seja, pode morrer na praia o esforço grego.”

Mas  contra esta posição de Durão Barroso podemos aqui colocar aqui  alguns gráficos, agora directamente criados  pelo  FMI na sua sétima avaliação à Grécia publicada em Junho de 2014, a ver se alguém descobre que se estava à beira de sair da crise ou se, ao contrário, se se está a confundir leves sinais de menor degradação com uma retoma da economia, sabendo também nós que de Junho para cá situação nada mudou na Grécia:

  1. Desemprego:

durão - I

  1. Evolução das remunerações brutas:

durão - II

Tudo em queda na Grécia.

durão - III

Sofrendo no presente, desfazendo no futuro:

durão - IV

Ouvimos  Durão Barroso no Estoril,  e já agora com tanta austeridade quanto é que terá vindo ganhar, quanto  é que o Estado português não recebe em impostos para ele ser pago principescamentes, se o foi  (?). Ouvimo-lo e lembrámo-nos imediatamente destes gráficos, ou de outros,  o que me deu  uma sensação de vómito,   de uma  profunda  raiva face a políticos deste gabarito.  Mas será Durão Barroso um Homem, na verdadeira acepção da palavra ou não será antes  um político imbuído apenas  do espírito púnico, para utilizar a classificação de Vitor Hugo, disposto a tudo e que há já  muito tempo disse adeus à Democracia? Sobre Durão Barroso, sobre Juncker, eis o que nos diz um analista político[2] quando os equipara aos Thénardier, personagens sinistros de Os Miseráveis de Victor Hugo:

“Pierre Gripari (Critique et autocritique. L’Age d’Homme, 1981) presta  uma  homenagem à esta criação literária  [Os Miseráveis, os Thénardier] como se  segue: “ o que  torna os Thénardier propriamente aterradores é precisamente a sua banalidade, a sua inconsistência”. Esta é também uma perfeita descrição da Comissão Europeia, sob a direcção  de Manuel Barroso ontem e, hoje,  de Jean-Claude Juncker. São pessoas sem estrutura, aptas a realizar seja o que for . Assim mentem sem vergonha  a propósito do tratado transatlântico e vendem a Europa a umas  poucas empresas  anglo-saxónicas. É monstruoso.

O aspecto molusco destes pequenos funcionários do horror estoira também quando decidem fazer colonizar a Europa pela África, com o mais  profundo desprezo   por uns e pelos outros. São amibas sem cérebro, o que explica porque é que o  crânio deles deixa  tudo passar , tal como o mar, tal como o vazio.

Em qualquer momento, pode-se sempre apresentar uma qualquer infâmia nas areias movediças  da assembleia dos Thénardier. Sabe-se que traíram a Europa no passado, em prol das associações de financeiros que querem a manteiga e o dinheiro da manteiga, sem nunca estarem a oferecer o quer que seja  à comunidade. Querem vender tudo  aos sovietes da finança e a outras congregações multinacionais para receberem  as suas  comissões. Estão de acordo em praticar o genocídio sobre os Europeus, em troca de alguns apartamentos em cidades fortificadas às sete chaves, como o descrevia  o divino marquês (Gilbert LÉLY: Sade. Gallimard. Coll.idées.1967). E que farão estas  espécies de amibas, estes dirigentes, sem seguida, se não os impedirem de continuarem a fazer o mal ? “

Ora os Thénardier são hoje os Durão Barroso, os Juncker, os Schauble, os Draghi e tantos outros que activa ou passivamente se empenharam e empenham nesta obra de destruição em curso da Europa, onde que a Grécia seja o primeiro país a cair, conforme explicámos no texto acima citado, ainda  a publicar

Mas repare-se, o discurso de Barroso, pessoal ou impessoal, cola-se ao de Schauble. Esta convergência levou a  que, na prática seja imposto  à  Grécia, pela aplicação de  políticas de estrangulamento do seu povo,  que assuma  a figura do Pharmakos. Por outras palavras exige-se-lhe  que assuma o papel de  bode expiatório da crise.   E tudo isto em nome da Europa!

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[1] Rádio Renascença.  Texto disponível em:

http://rr.sapo.pt/informacao_detalhe.aspx?fid=24&did=188124

[2] Auran Derien,   JEAN-CLAUDE JUNKER ET DONALD TUSK -L’Europe des Thénardier, Revista Metamag. Texto disponível em :

http://www.metamag.fr/metamag-2918-JEAN-CLAUDE-JUNKER-ET-DONALD-TUSK.html

3 Comments

  1. Enfim é tudo gente incapaz de pensar com deve ser, todo os dirigentes dos paises. Todos não, existe um governo, apenas um que pensa como deve ser. A UE está condenada a desgraça; mas não todos há um povo que vai beneficiar dum governo capaz: o grego!!

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