UMA CARTA DO PORTO – Por José Magalhães (89)

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UMA ÁRVORE EM CADA RUA

Individualmente, em alamedas ou em maciços, as árvores trazem-nos cores, cheiros, um pouco de humidade fresca, e inundam-nos e preenchem-nos de sensações por vezes inimagináveis.
Algumas, pelas suas características peculiares (idade, porte, estrutura, raridade, história ou factos culturais) distinguem-se das demais, e justificam que lhes seja dado o estatuto de Interesse Público, o que lhes confere um elevado valor patrimonial, ecológico, paisagístico, cultural e histórico, cuja valor monetário assume, muitas vezes, milhares de euros. Quando essa classificação acontece, para além do reconhecimento do seu elevado valor, confere-se ao exemplar distinguido, protecção legal – tutelado pelo Instituto da Conservação da Natureza e Florestas (ICNF) – o que, de uma forma geral é do desconhecimento da população.

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Também é do desconhecimento geral que qualquer pessoa pode requerer que um determinado exemplar seja classificado, cabendo ao ICNF a decisão final sobre a classificação.
No Porto há 237 árvores, maciços e alamedas classificadas (mais um dos motivos do enorme orgulho que temos pela nossa cidade), distribuídas por 7 espécies, sendo que 181 se situam no Porto Ocidental , no Passeio Alegre e na Avenida de Montevideu (Foz do Douro e Nevogilde).
No entanto, ao contrário dos edifícios históricos ou arquitectonicamente marcantes, as árvores ou jardins raramente são objecto de protecção especial.

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Uma árvore, acaba por vir a ser com o passar dos tempos, uma excelente contadora de histórias, mas é sempre uma produtora de sombra que nos acalma nos dias estivais, e uma suavizadora do nosso olhar.
Mas nem só de árvores classificadas vive a nossa cidade. Temos milhares de árvores que, não sendo classificadas nos dão uma melhoria do nível quotidiano de vida.
Estando o Porto ao mesmo nível das restantes cidades europeias no que diz respeito à massa arbórea por metro quadrado e habitante, ainda temos imensas zonas onde se não vislumbra nem uma.
Existindo um projecto em execução para “100 mil árvores para uma floresta Portuguesa” porque não um outro projecto, complementar a esse, “Uma árvore em cada rua”.
Coloquemos cada cantinho com uma árvore de pequeno porte e espaços maiores com castanheiros, carvalhos, sobreiros, azinheiras e pinheiros. Distribuamos japoneiras em cada esquina que o permita (façamos ver a quem nos visita que somos realmente a cidade das camélias) e coloquemos relva nos bocadinhos onde antes se cimentava. Incentivemos a população a criar os seus pequeninos jardins, nas janelas, nas varandas, à porta das casas.
Alegremos ainda mais a cidade.
O Porto merece!

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7 Comments

  1. Interessante. Plantar uma árvore, escrever um livro e fazer um filho – uma trilogia importante! As árvores da
    minha vida – a sombra do meu passado – uma árvore em cada rua…a ecologia e o meio ambiente
    agradecem! Parabéns!

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