ESTAMOS NOVAMENTE NO FINAL DE MAIS UM ANO LECTIVO por Luísa Lobão Moniz

olhem para  mim

 Estamos novamente no final de mais um ano lectivo.

Durante todo este ano indignamo-nos, escrevemos, dissemos, alertamos para a mudança que se adivinhava sobre a Escola Pública.

Não quero repetir-me, mas escrever sobre algo que está esquecido no Sistema Educativo Português.

A Educação deve fazer com que todos os estudantes desenvolvam a capacidade  de responder, de criar, de inovar e de desafiar.

São vários os pensadores que sustentam esta posição e outros tantos que a rejeitam. E porquê? Por uma questão ideológica.

O que se aprende, hoje na Escola,  não é para responder, para criar, para inovar nem para desafiar, é para se ser conformista, socialmente egoísta, e ser bem sucedido profissionalmente…

O que se pretende é formar pessoas que vistam todas “pronto a vestir” com o mesmo número e de preferência a falarem a uma só voz.

A Escola é a ante-câmara do empreendedorismo, da gestão, da economia.

Mas a Escola não está sozinha neste mundo de empreendedorismo.

Os pais querem ver os seus filhos sempre entretidos com actividades educativas originais e únicas.

E os profissionais do entretenimento desenvolvem o seu trabalho com sucesso partindo do princípio de que a criança não precisa do seu tempo, precisa de estar só. O Direito à privacidade e à intimidade não está a ser cumprido.

Os pais vão às compras descansados porque os filhos ficam entregues a animadores que levam a criança a passear pelo mundo dos adultos: podem ser cozinheiros (que está na moda), podem ser empregados bancários, podem ser cabeleireiros, podem ser tudo o que um adulto pode ser, em termos profissionais. Os animadores transmitem à criança que ela quando for grande pode “fazer” o seu próprio “trabalho”.

O mundo que as rodeia é o da brincadeira sempre com a finalidade de, no futuro, serem trabalhadores não interventivos, serem trabalhadores para quem as greves dos outros são prejudiciais para todos, patrões, trabalhadores, e para a população em geral.

Os pais e os professores aproveitam para descansar ou passear no Centro Comercial, e ….assim se vive um dia de ensino/aprendizagem, de vida.

Os professores estão a chegar ao fim do ano lectivo com elevados índices de stresse, de ansiedade, chegam cansados com a multiplicidade de reuniões e de burocracia.

Entram e saem das salas carregados de dossiês, têm ainda que meter os dados das avaliações no moodle, têm acções de formação para fazerem, na mira de uma possível subida de escalão.

Viveram sozinhos o desânimo dos fracassos dos seus alunos, viveram sozinhos casos de indisciplina dentro da sala de aula, ouviram sozinhos pais exaltados que os ofenderam.

Mas mesmo assim não deixaram de cumprir o seu papel de professor, já bastante difícil de o desempenhar.

Lá vai indo o tempo em que os professores eram o amparo uns dos outros nos momentos mais difíceis, na partilha e no convívio que a própria escola facultava.

Muito do sofrimento dos professores é vivido a sós e muitas vezes não é ultrapassado.

Será que ser professor é chegar ao fim do ano lectivo com problemas vocais, com antidepressivos ou ansiolíticos? Com certeza que não!

Mas quem olha para os professores com olhos não persecutórios? O fracasso dos filhos deve-se ao professor, a indisciplina, as micro-violências existem porque os professores “não têm mão neles”.

Será que os pais são capazes de os “controlar”, será que a sociedade se demitiu do seu dever de cidadania?

Será que o MEC quer excluir os que são diferentes? A escola já não é para todos? Já não se dá mais a quem tem menos?

Como se está a destruir uma escola feita com tanto ideal de mudança, de porta aberta para todos…

A Escola pós 25 de Abril de 1974 sonhou, e em alguns casos concretizou, com uma nova sociedade regida por princípios democráticos, com uma sociedade interveniente, sabedora dos seus direitos e deveres.

A Escola em 2015 é uma escola elitista, não inclusiva. É uma Escola que se transformou em assistencialista, fazendo os Encarregados de Educação dependentes do pequeno almoço, do almoço e do lanche dados pela Escola. Não, não são dados pela Escola, mas sim por todos nós. Eu quero que as crianças e as suas famílias tenham tudo a que têm Direito e que vivam com conforto, mas depender do assistencialismo não é um Direito, é uma submissão criada pela organização política e social.

Nada é inocente…

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