Hoje, quinta -feira os meios de comunicação social encarregaram-se, e penso que com sucesso, de amedrontar as pessoas.
Quarta-feira passada, à noite, houve uma manifestação contra o acordo que a Grécia assinou. Dessa manifestação viram-se os conhecidos cocktail Molotof, focos de incêndio, polícias com escudos a baterem e a lançarem gás lacrimogéneo. Tudo isto se passava na emblemática Praça Sintagma.
Na quarta-feira, os telejornais passavam e tornavam a passar estas mesmas imagens, repetidas e repetidas vezes.
Quinta-feira, voltaram-se a ver as mesmas imagens, primeiro como notícia do dia, depois como notícia complementar. Quando o jornalista dizia que tudo estava agora calmo, mais de metade do écran reproduzia as imagens da violência. Para quê? Para dizer que temos que ter cuidado com as eleições? Que a Esquerda política o que “dá” ao povo é violência nas ruas, bancos fechados, controlo de capitais?
É um processo hábil de influenciar as pessoas.
Qualquer pessoa ou partido que fale no governo Grego com respeito e reconhecimento é confundido com a austeridade, com os distúrbios, com a bancarrota.
Como entendemos o povo grego?
Na antiga Grécia o poder estava baseado nas democracias diretas, nas quais todos os cidadãos (excepto os plebeus, as mulheres e os escravos) tinham direito de voto em todas as questões de interesse público.
Ora, assim se compreende, entre outras razões, como foi feito o referendo em tão pouco tempo e sem oposição; assim se compreende como estão a reagir os Gregos ao acordo assinado pelo Primeiro Ministro; assim se compreende que Alexis Tsipras tenha dito ao Povo que não acredita no acordo que assinou; assim se compreende que muitos dos deputados do Sirysa tenham votado no parlamento contra o acordo; assim se compreende como Yanis Varoufakis tenha saído do Governo, mas não do Parlamento.
Os Gregos acreditam que têm alternativa para a austeridade.
A humilhação que este Povo tem sofrido nestas últimas semanas certamente que irá reger muitas das suas decisões. Não se humilha um Povo sem esperar subserviência e medo. Mas os Gregos já mostraram que não atemorizam com ameaças.
O mais forte, a Alemanha, está a exercer terrorismo de gabinete, mas como tem mais Poder exerce-o de uma forma pouco recomendável.
Como pode a União Europeia deixar um país em crise humanitária e dizer-lhe ou aceitas estas medidas de austeridade ou sais.
As medidas de austeridade são uma total ingerência na democracia grega; ou aceitas ou sais é uma atitude de exclusão que todas as democracias rejeitam.
A União Europeia foi alicerçada nos ideais da solidariedade, do respeito mútuo.
O que pretende a Alemanha com estes sinais de exclusão? É preocupante.
Porque será que quando se tem muita dificuldade em resolver algum problema dizemos “vi-me grego para chegar a casa”, ou quando não percebemos nada do que estamos a fazer dizemos “isto para mim é grego”.