VEJO-ME GREGA por Luísa Lobão Moniz

olhem para  mim

Hoje, quinta -feira os meios de comunicação social encarregaram-se, e penso que com sucesso, de amedrontar as pessoas.

Quarta-feira passada, à noite, houve uma manifestação contra o acordo que a Grécia assinou. Dessa manifestação viram-se os conhecidos cocktail Molotof, focos de incêndio, polícias com escudos a baterem e a lançarem gás lacrimogéneo. Tudo isto se passava na emblemática Praça Sintagma.

Na quarta-feira, os telejornais passavam e tornavam a passar estas mesmas imagens, repetidas e repetidas vezes.

Quinta-feira, voltaram-se a ver as mesmas imagens, primeiro como notícia do dia, depois como notícia complementar. Quando o jornalista dizia que tudo estava agora calmo, mais de metade do écran reproduzia as imagens da violência. Para quê? Para dizer que temos que ter cuidado com as eleições? Que a Esquerda política o que “dá” ao povo é violência nas ruas, bancos fechados, controlo de capitais?

É um processo hábil de influenciar as pessoas.

Qualquer pessoa ou partido que fale no governo Grego com respeito e reconhecimento é confundido com a austeridade, com os distúrbios, com a bancarrota.

Como entendemos o povo grego?

Na antiga Grécia o poder estava baseado nas democracias diretas, nas quais todos os cidadãos (excepto os plebeus, as mulheres e os escravos) tinham direito de voto em todas as questões de interesse público.

Ora, assim se compreende, entre outras razões, como foi feito o referendo em tão pouco tempo e sem oposição; assim se compreende como estão a reagir os Gregos ao acordo assinado pelo Primeiro Ministro; assim se compreende que Alexis Tsipras tenha dito ao Povo que não acredita no acordo que assinou; assim se compreende que muitos dos deputados do Sirysa tenham votado no parlamento contra o acordo; assim se compreende como Yanis Varoufakis  tenha saído do Governo, mas não do Parlamento.

Os Gregos acreditam que têm alternativa para a austeridade.

A humilhação que este Povo tem sofrido nestas últimas semanas certamente que irá reger muitas das suas decisões. Não se humilha um Povo sem esperar subserviência e medo. Mas os Gregos já mostraram que não atemorizam com ameaças.

O mais forte, a Alemanha, está a exercer terrorismo de gabinete, mas como tem mais Poder exerce-o de uma forma pouco recomendável.

Como pode a União Europeia deixar um país em crise humanitária e dizer-lhe ou aceitas estas medidas de austeridade ou sais.

As medidas de austeridade são uma total ingerência na democracia grega; ou aceitas ou sais é uma atitude de exclusão que todas as democracias rejeitam.

A União Europeia foi alicerçada nos ideais da solidariedade, do respeito mútuo.

O que pretende a Alemanha com estes sinais de exclusão? É preocupante.

Porque será que quando se tem muita dificuldade em resolver algum problema dizemos “vi-me grego para chegar a casa”, ou quando não percebemos nada do que estamos a fazer dizemos “isto para mim é grego”.

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