EDITORIAL –  PORTUGAL, A EUROPA E A NATO

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Na actual situação portuguesa, a influência das instituições europeias tem sem sido, sem sombra para dúvida, muito grande, para não dizer decisiva. Ainda esta semana deram nas vistas, deliberadamente, as várias declarações feitas em Madrid na reunião do PPE – Partido Popular Europeu, com destaque para as de Angela Merkel e de Mariano Rajoy. Também houve declarações do lado dos socialistas de vários pontos da europa, é verdade, não alinhadas com os chefes da direita, pelo menos até este momento. Entretanto, os comentadores afectos à direita carregam constantemente na tecla do antieuropeísmo e da saída da NATO, que, segundo eles, resultam das posições defendidas pelos partidos de esquerda que apoiam o PS.

Não vamos aqui enveredar pela análise dos programas dos partidos políticos em questão, nem tecer juízos de valor. Há contudo um aspecto importante que é importante focar: na propaganda e nos comentários são frequentemente confundidas a pertença à União Europeia (UE) e a inclusão na NATO. Claro que para isso contribui decisivamente o reconhecer-se que, na génese daquilo que é hoje a UE, esteve o conflito leste-oeste. Embora a maior parte das vezes se fuja a admitir abertamente este facto, essa explicação é fundamental para se compreender a associação constante entre os tais sentimentos antieuropeístas e a reivindicação da saída da NATO.

A reunificação da Alemanha foi historicamente associada ao desabar da União Soviética. A preponderância alemã na Europa, que teve grande impulso a partir de 1989, deve muito a essa associação. Na verdade, é extremamente discutível confundir os interesses europeus com a importância da NATO. Esta confusão está intimamente ligada aos interesses geoestratégicos do imperialismo norte-americano. Não só no Próximo e Médio Oriente como noutras partes do mundo. O único estadista a admiti-lo abertamente terá sido o General De Gaulle, ao fim e ao cabo um homem de direita.

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