REFLEXÕES EM TORNO DO MASSACRE DE PARIS, EM TORNO DO CINISMO DA POLÍTICA OCIDENTAL – [ESCÂNDALO] “ O EX-CHEFE DA DST: VALLS RECUSOU RECEBER A LISTA DOS JIADHISTAS FRANCESES POR MOTIVOS IDEOLÓGICOS ” – por OLIVIER BERRUYER – III

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Selecção, tradução, notas e montagem por Júlio Marques Mota

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[Escândalo] “ O ex-chefe da DST:  Valls  recusou receber a lista dos jiadhistas franceses por motivos ideológicos ”

Olivier Berruyer,  [Scandale] “L’ex-chef de la DST : M. Valls a refusé la liste des djihadistes français pour des raisons idéologiques

Les-Crises.fr, 19 de Novembro de 2015

(CONCLUSÃO)

Enfim, se falam de Valls, eu imagino a porteira da kamikaze ou da sua infância …

Valls - XI

Valls - XII

Senti como que um murro no estômago ao  ver até onde vão “os cães de guarda”. Não me venham falar de união nacional durante uma situação de  Estado de emergência, esta clique de pilotos irresponsáveis que esmagou o nosso avião, 130 passageiros morreram, mas pede-se-nos, a nós sobreviventes, de subirmos para um avião com os mesmos pilotos em nome da união nacional com a companhia aérea em questão, não obrigado!

Acessoriamente, a embaixada da França não é reaberta em Damasco, e assim  nós não cooperamos absolutamente nada com Assad. Por  conseguinte, nunca chegaremos a ter esta lista  que contem talvez a identidade de  kamikazes actualmente escondidos na sombra. Talvez, pessoalmente não sei nada. Mas é possível. Quem questiona este problema junto do executivo? Quem é que lhe pede contas? Poderiam e com  urgência  oferecer uma estada na França a Bob Woodward e Carl Bernstein, de maneira que pelo menos DOIS jornalistas corajosos pudessem questionar  o executivo, fazendo o seu verdadeiro papel de  4º poder – estou de acordo para contribuir…

Recordo por conseguinte que este sítio não tem vocação de  substituir toda a imprensa francesa para informar o país sobre as acções irresponsáveis do executivo (Hollande  como Sarkozy, responsável do caos Líbio e dos primeiros delírios na  Síria –  e “Ouvir Bernard-Henri Lévy prejudicar  gravemente a saúde dos nossos concidadãos ”). É pois  necessário que a Imprensa e os Cidadãos reajam  (divulguem estes  artigos, redijam  comentários sobre os meios de comunicação social mainstream, etc.).

Se não reagirmos, isto irá  terminar como no  11 de Setembro nos Estados Unidos: uma política dedicada ao malogro e amplificando os problemas, e NENHUM responsável sancionado  – e, no caso francês, com  novos atentados…

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Quarcini: “ Manuel  Valls recusou a lista dos jihadistas franceses por razões ideológicas”

Valls - XIII

Director central da informação interna de 2008 à 2012, o antigo prefeito debruça-se   sobre o estado actual da ameaça terrorista. Para ele, depois dos atentados devem ser tomadas decisões imediatas.

Afirmações recolhidas por  Louis de Raguenel, Valeurs Actuelles, 19/11/2015

Os serviços de informações franceses estavam prontos?

Claramente, sim. Estava  previsto desde os atentados de Bombay, em 2008, que tais acções coordenadas e determinadas se façam  também  sobre o território francês e que a ameaça se instala  no tempo longo.   Sabíamos que íamos ter de aumentar a nossa capacidade de resposta para fazer face à este tipo de atentado. Não houve nenhuma surpresa. Em contrapartida, os serviços franceses pagam as consequências de certas decisões políticas. Como   Hollande trata  Bachar al-Assad com todos os adjectivos, os serviços sírios já não querem mais cooperar com os serviços franceses.

Como trabalham os nossos serviços, então?

Somos obrigados a recorrer a  parceiros estrangeiros que nos eles desejam. Sem estas recusas  ideológicas, talvez pudéssemos evitar  que dramas se  produzam.

Propôs ao vosso antigo serviço há dois anos atrás transmitir-lhe uma lista dos Franceses que combatem na Síria. Porque acha que recusaram?

Há já dois anos, os serviços sírios tinham-me proposto efectivamente uma lista dos Franceses que combatem na Síria. Eu tinha  falado ao meu antigo serviço que  disso deu conta a  Manuel Valls. A condição dos Sírios era que a França aceite cooperar de novo com os seus serviços de informações.  Deparei-me com  uma recusa por razões ideológicas. É pena, porque a proposta era um  bom anúncio para renovar as nossas relações e sobretudo  para conhecer, identificar e supervisionar todos os Franceses que transitam entre o nosso país e a Síria. Resultado: não se sabe nada deles e perde-se muito tempo pedindo informações às agências alemãs, que nunca se deslocam a lado nenhum  mas também aos  jordanos, russos, americanos e turcos. Não se está mais,  de modo nenhum,  no plano  do concreto..

Considera que estamos a  pagar as consequências?

Consciente destes erros políticos e diplomáticos, os  islamitas de Dae’ch cometeram um atentado notável. Porque se passa em  Paris, numa região ultra protegida, exactamente antes da Cop21, com alvos trabalhados e por ocasião do concerto de um grupo americano que acaba  justamente de chegar de Israel. Os jihadistas atingiram toda a gente. Em face de  tais ataques e tendo em conta as tomadas de posição do governo, é difícil que os serviços de informações antecipem  de maneira precisa a passagem à acção.  Os atentados deram-se. Mas quem sabe se os comanditários desejavam  verdadeiramente passar à acção ?

Aquando dos atentados de Paris, não houve disfuncionamentos entre a DGSI e a DGSE?? 

O inquérito revela que se trata seguramente da pista de uma fileira franco-belga, ligada à  Síria que atingiu metodicamente a França. Para a DGSI, que conheço efectivamente por ter sido o seu director central, sei que entre as agências de informações internas francesas e belgas, as relações são estreitas. Mas interrogo-me: qual foi  o trabalho da DGSE sobre as fileiras sírias compostas de Franceses na  Europa?

Certos atores franceses dos serviços de informações ainda não o compreenderam: já não há mais diferenças hoje entre a ameaça interna e à que vem do exterior. É necessário imperativamente que haja  cooperação reforçada  entre estes dois serviços. Há vários meses, tínhamos identificado o formador de Mohamed Merah que tinha  residido na Bélgica. Sabíamos que formava todos os comandos europeus e tínhamos solicitado à  DGSE “que o neutralizasse” mas não se fez nada… felizmente, ele finalmente tinha sido “dronado” pelos Americanos, mas bem depois.

Diz-nos  que a Bélgica é “uma plataforma do terrorismo”…

Efectivamente,  este país é a base de retaguarda do terrorismo na Europa. Os terroristas marcam encontros pela Internet para partirem e ir fazer a  Djihad e encontram-se na Bélgica para passar  à acção. É necessário efectivamente compreender que o Estado belga não tem o mesmo estado de estabilidade que nós temos em  França, ainda que os seus serviços de informações  internas  trabalhem  muito bem  connosco.

Acusa a  imprensa de escrever sobre não se sabem o quê, sobre  as fichas S…

Sim, é necessário partir novamente de zero: uma ficha “S” é um levantamento de dúvidas, atribuída  a  um indivíduo quando está sob os ecrãs radares e que não fez nada de repreensível para o interpelarem. As fichas permitem observar este indivíduo durante vários meses e identificar se este apresenta  uma perigosidade específica, pelo seu modo de vida, pelas suas companhias  e pelas suas  viagens, e se deve ser alvo de meios de  meios operacionais mais pesados em termos de vigilância. A ficha está vocacionada para  ser actualizada pelos serviços do Estado que intervêm diariamente  (passagens de fronteira, controlos rodoviários) e que cruzam este indivíduo. A ficha pode enriquecer-se mas também empobrecer-se para finalmente ser suprimida. As fichas S vivem.

Não há um melhor meio para controlar estas pessoas perigosas?

Em face destas pessoas, é necessário aplicar medidas administrativas firmes. Como não nos podemos ocupar de toda a gente  não se deve hesitar a colocar  sob o controlo de um juiz administrativo e determinar a situação de  residência vigiada ou até de  impor a aplicação da  bracelete electrónica, a de retirar os passaportes, a de colocar em centros de  des-radicalização, ou a de  expulsar. Isto permite saber uma coisa:  saber onde são e o que fazem para evitar que passem à acção.

Desde há três anos que o senhor censura o governo de andar a perder tempo  …

É incompreensível: entre o ataque de Mohamed Merah e o trabalho muito completo efectuado pelas comissões de inquérito parlamentares, e o crime  contra Charlie Hebdo, pôs-se em relevo as necessidades necessárias para a acção dos serviços de  informações  mas perdeu-se um tempo louco para reagir dado que estas medidas têm sido postas  em prática apenas a partir de Janeiro de 2015! Nos serviços, um mês perdido provoca um ano de perda de tempo! Entretanto, o inimigo prepara-se e atinge-nos. on a mis en

Que é necessário fazer para evitar um novo atentado?

É necessário acelerar os modos de recrutamento no domínio dos analistas. Sobretudo, parar de andar a fazer divulgação. Os bombardeamentos  anunciados na noite de domingo passado são importantes mas não significativos em relação às pessoas operacionais que ameaçam directamente a Europa e a França. Além disso, nas suas declarações, Manuel Valls não anunciou nada de novo. A panóplia de medidas de que ele fala existe desde há anos. Em 1994, eram já aplicadas contra o GIA, o terrorismo islamita argelino! Deixemos de andar a falar, coloquemo-los no seu lugar !

Em matéria de política europeia, é necessário criar um ficheiro dos passageiros aéreos, um serviço  reclamado desde há  vários anos. É necessário imperativamente restabelecer os controlos nas  fronteiras de maneira duradoura e colocar meios para bloquear a circulação das armas que vêm do norte e do leste do continente. Para colocar o terrorismo de  joelhos, devemos reflectir ao restabelecimento do serviço militar obrigatório, porque a polícia, os serviços da guarda e o exército estão sobre mobilizados por toda a parte. Sobre a questão  do fundamentalismo, a polícia deve controlar melhor os imams e não mais  hesitar, sob o controlo da justiça, em mandar parar e  expulsar aqueles  que pregam o ódio. Além disso, os responsáveis muçulmanos devem dizer alto e bom som quais são as suas  posições, assinalar todos os indivíduos  desviantes e não manter  a mínima ambiguidade com o Islão radical.

O período da pós-guerra frio acabou.  Estamos agora no terror e no terrorismo de massa. É o guerrilha que chega à  França. Mas sejamos  realistas, a solução não é apenas policial; é igualmente política e diplomática, em ligação com os nossos tradicionais aliados, a Europa bem como com os países árabes.

Propos recueillis par Louis de Raguenel, Valeurs Actuelles, 19/11/2015

Uma montagem de diferentes textos, de diferentes fontes mass em que os elementos centrais foram obtidos em  www.les-crises.fr/  e sobretudo o trabalho disponível em:

http://www.les-crises.fr/scandale-lex-chef-de-la-dst-m-valls-a-refuse-la-liste-des-djihadistes-francais-pour-des-raisons-ideologiques/

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Ver a Parte II deste trabalho de Olivier Berruyer e de Júlio Marques Mota, publicada ontem em A Viagem dos Argonautas, em:

REFLEXÕES EM TORNO DO MASSACRE DE PARIS, EM TORNO DO CINISMO DA POLÍTICA OCIDENTAL – [ESCÂNDALO] “ O EX-CHEFE DA DST: VALLS RECUSOU RECEBER A LISTA DOS JIADHISTAS FRANCESES POR MOTIVOS IDEOLÓGICOS ” – por OLIVIER BERRUYER – II

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