Pensei numa tranquilidade primaveril, para as eleições, mas não esqueci que as grandes mudanças provocam novas maneiras de estar na vida.
Hoje a nossa democracia respira ar fresco e não pode compadecer-se com Presidentes da República que ultrapassam as suas funções e não cumprem as que lhes competem, como temos assistido.
Os poderes do Presidente da República, são suficientes, e neles não existem nenhuns para interferir com outros órgãos de soberania, dar ordens ao Governo ou à Assembleia da República.
O P.R. pode, sim, dirigir mensagens ao Parlamento como o fez Jorge Sampaio, várias vezes, a propósito de temas muito sensíveis para a Democracia.
Para os vencedores anunciados, a luta não passa pelo íntimo do Direito a ser Feliz neste país, nem pela Alegria, parece estarmos fadados a determinismos históricos, que não os há.
Se se tiver que bater com o pé no chão, em prol da nossa Democracia, que se bata, não se vá ver se…
Há quem nesta campanha eleitoral tenha dado voz à defesa da Democracia, da Justiça e dos Direitos Humanos, que são hoje questões de grande relevância nas democracias, mas que estão em causa devido à importância do desmedido reconhecimento dado aos mercados e aos defícites nacionais.
Acredito que as palavras também fazem revoluções, porque são fruto de pensamentos livres e generosos feitos de empenho pelo bem público e pelas pessoas.
Se não optarmos pela tranquilidade primaveril olhemos em frente e, como sabemos, dentro do olho do furacão não há perigo, o aquecimento das suas paredes é que o torna perigoso, não ele.
As palavras das pessoas não obedientes, das que falam não por meias palavras, das que são ditas para não estarem bem com deus e com o diabo, são um caminho para a mudança, para uma mudança mais radical.
Que medo representa a palavra radical? Porque se pensa que radicalismo é a destruição e não a construção?
E porque para além de cidadã, sou professora, não posso deixar de ser sensível a quem diz que o Direito à Educação não pode contemplar escolas para ricos e escolas para pobres. a quem reconhece que a Escola Pública tem tido os melhores resultados, mesmo em momentos de crise e de ataques constantes, junto da opinião pública, no colocar em causa , sistematicamente, a competência do corpo docente deste país.
Esta Escola Pública é a que tem formado as inúmeras pessoas de valor profissional que se têm revelado, ultimamente, no nosso país e fora dele. Hoje temos a população mais leitora de sempre, a população mais qualificada de sempre.
Ainda há quem duvide?
As utopias tornam-se realidades e estas formam, sempre, novas utopias.
Há que lutar, com uma cruz apenas, pelo impossível, no dia 24.