CONTOS & CRÓNICAS – OS PAIS DE JESUS – por CARLOS REIS

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Ainda a propósito da infeliz criação do Bloco de Esquerda dos dois pretensos pais de Jesus Cristo (às vezes  parece que não vivem em Portugal, mas noutro qualquer sistema solar) cheguei a brilhantes conclusões histórico-bíblicas: afinal há três pais.

  1. Deus – é o autêntico, o da Bayer, digam lá o que disserem os outros intervenientes.

  2. A pomba, a tal pomba, cujo papel é por demais difuso, pouco explícito e mal assumido. Consta que vivia de expedientes, antes se dedicar a desviar virgens para estábulos à meia luz.

  3. E finalmente o carpinteiro, que ainda hoje está para perceber qual o seu papel no meio desta treta toda.

Carlos

 

A parte séria

A Esquerda Portuguesa (nada de PCs ou de PSs, é à outra que me refiro) aquela em que me reconheço ou em quem normalmente voto – é também estúpida. Mais do que seria desejável. Não basta aquela pequena hipocrisia dos citados Partidos laicos, que sempre acenam (pior ou melhor, mais feliz ou mais infelizmente) ao beatismo português. Uma hipocrisiazinha que temos de aceitar e de gerir, ele há que ter paciência – afinal somos um país de pobres e campesinos beatos, como toda a gente sabe, mesmo que poucos o aceitem ou reconheçam e alguns até finjam que é mentira – pois sem algum cuidado e sem alguma discrição religiosa estamos feitos. Nós, Esquerda. A pesada e poderosa mão da Igreja cai-nos em cima, com o povoléu atrás, desaustinado e de mãos postas e estaremos fodidos (talvez fecundados seja melhor) e mal pagos em pouco tempo. A Direita e o seu piedoso CDS já estão em campo, encantados.

Ora esta Esquerda – maioritariamente feita de um tecido urbano, jovem, prafentex, ateu, culto e bem vestido – não compreende estas coisas. Uns são jovens, não pensam. E os outros, os menos jovens, ainda vivem em 1970 e tal. Acreditam, como sempre (ou fingem acreditar) que o povo unido jamais será vencido, aquelas coisas do costume.

Só se for na sacristia. Ou em Fátima.

Porque aparecer com este imbecil cartaz, numa época de Páscoa e quaresmices, com o Sr. a ressuscitar-se e a aspergir-se a torto e a direito, revela uma total imbecilidade e um desconhecimento profundo das realidades – que não são, de facto, as deles, infelizmente, já se vê.

E como exemplo de tudo isto, uma jovem do Bloco de Esquerda, giraça e com aquele ar de intelectual dos filmes franceses de uma certa época, aparece nas tvs, descontraída, despenteada e bem vestida, a explicar, encantada, que não senhor, que não pretendemos ofender ninguém, que isto é tudo uma brincadeira, uma reinação inconsequente, tudo para o bem estar da humanidade, tá’a ver?

Jesus

Tenho pena. Que esta Esquerda, que tão bem lançada vai, não perceba, não compreenda a realidade portuga. Bem como o cuidado a ter com a sua razoável, porém periclitante ascensão, quando toca a estas perigosas coisas, a estes perigosos assuntos, como seja a adopção, nos moldes em que foi votada e aceite e coisas no género.

Jesus - II

Pois não seria melhor uma ambiguidade de um clássico cartaz como este, que o Povo até compreende ou finge compreender?

Muito melhor!

Carlos

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