A propósito da homenagem que aqui prestámos, em 22 de Agosto passado, ao Professor Germano Sacarrão, referimos a publicação do livro– «O HOMEM Origem e Evolução», que inclui um excelente texto de Sacarrão – Determinismo biológico e flexibilidade humana – (além de uma valiosa série de artigos de outros reputados cientistas de que falaremos em futuros artigos. Aliás, não é este o território habitual deste tipo de reflexões, mas nós temos uma norma – não sermos escravos de normas). Nesse texto, o Professor faz uma afirmação simples, óbvia, mas que, na sua simplicidade, explica muito do que hoje somos, do que fomos e, de certo modo, do que iremos ser – a de que o homem é um ser biologicamente cultural. Nunca, enquanto a espécie existir, o conhecimento será dado como definitivo.
Por isso, a presunção da fé religiosa é arrogante e ridícula – sem esforço científico, sem investigação, as religiões explicam tudo e, à medida que a Ciência vai demolindo dogmas, superstições e tautologias, a «crença» encontra «explicações» atabalhoadas que permitam manter o negócio. As religiões sobrevivem à custa do que não sabemos e a ideia de Deus é a forma de desculpar o que se ignora.
O facto de termos uma biologia que nos impele a saber, levou-nos a inventar a palavra e essa foi a invenção crucial, a grande conquista, a que está na base de toda a evolução social. O passo seguinte seria todos os seres humanos falarem o mesmo idioma, A experiência do esperanto não resultou -pode ser que um dia esse desiderato seja alcançado. Obrigar todos a falar inglês é uma violência inaudita. Mas substituí-lo, usando o mandarim como língua franca é um disparate ainda maior.