A CANETA MÁGICA – OS PORTUGUESES SÃO ESPANHÓIS? 5- por Carlos Loures

caneta1Vou tentar neste quinto artigo, explicar por que razão entendo que a designação de lusitanos é errada como gentílico  pátrio dos cidadãos do Estado português. Erro que me parece grave por figurar, sob forma reduzida e alatinada de expressões compostas, tais como Tratado luso-britânico de Windsor, literatura luso-brasileira, etc,ou seja, a designação total ou abreviada da nossa condição «lusa», figura em documentos oficiais, nomeadamente em convénios internacionais.

Vamos então hoje seguir as pisadas da administração romana na Península a que os fenícios terão chamado Costa dos Coelhos – a que não devemos atribuir significados políticos.pois o Costa não segue os passos dos coelhos. Luso, na mitologia romana, era, salvo erro, sobrinho de Baco, o deus que na Grécia se chamava Dionísio; Baco, deus depravado e inventor do vinho, que deu nome a festas promiscuas e mal afamadas – as bacanais, espécie de celebrações carnavalescas  que os irmãos brasileiros (e não só) acham bacanas, como o Carnaval do Rio. Logo aí, tivemos azar e fica explicada a nossa natureza melancólica expressa na dolência do fado – os romanos podiam ter criado a Bacânia  em vez de escolher nome provindo do pacato sobrinho que, ainda por cima, tem nome de água mineral.

Caneta Mágica - I

Esta abertura humorística ou, pelo menos, bem humorada, tem um objectivo – sublinhar que os dramas peninsulares não residem nestes erros que, partindo de liberdades poéticas e de  basófias de políticos, historiadores consagrados deixam passar em claro. Mas ajudam a branquear crimes e a converter mentiras em verdades.  Sem referir nomes, fico sempre desagradavelmente surpreendido e irritado,  quando, lendo textos de consagrados historiadores portugueses, deparo com um erro clássico – designar por Espanha o território formado pelos reinos de Castela, Leão e Aragão, ajudando a legitimar a mentira criada pelos «reis católicos». E as mentiras passam a ser «verdades»- Não me canso de denunciar uma entrevista vergonhosa que Saramago deu, defendendo a integração de Portugal em Espanha, com um estatuto de autonomia semelhante ao das regiões do Estado espanhol. Muitas pessoas acusam o nosso Nobel de felonias políticas cometidas durante o PREC – eu, leitor devoto das suas obras, sinto a mágua de ter lido essa entrevista que configura um acto de traição.

Voltemos à romanização- Lembremos alguns factos. Acima, vemos um mapa com a primeira divisão provincial feita pelos romanos na Hispânia, em 197 A. C.  Veja.se como as tribos de lusitanos se situavam  no Sul, ocupando parte do Alentejo, do Algarve e da Extremadura. Belicosos, não aceitaram a ocupação e só 47 anos depois em 150 A.C., o pretor Sérvio Galba conseguiu tentar  negociar um acordo de paz com os Lusitanos. Acordo que não se concretizou, pois a condição imposta pelos romanos era a de que os Lusitanos entregassem as suas armas. Desarmados, sofreram várias chacinas. O furor lusitano foi terrível e nos oito anos que se seguiram à cobarde acção imperial, os romanos sofreram pesadas baixas em emboscadas que permitiram aos lusitanos rearmar-se e provocar sucessivas derrotas aos ocupantes.

Leave a Reply