A GALIZA COMO TAREFA – Português, Portugal na campanha eleitoral galega – Ernesto V. Souza

urna-electoralImperceptivelmente, mas nem tanto, a aprovação unânime pelo Parlamento da Galiza da Lei Paz Andrade, foi provocando pequenas mudanças no discurso dos principais partidos políticos galegos, até o ponto que o ensino da língua portuguesa e as relações com Portugal e a lusofonia, figura em vários dos programas e mesmo ganhou momentos de interesse durante a renhida campanha que termina este 25 de setembro com as eleições ao Parlamento da Galiza.

Começou o mesmíssimo Presidente, Alberto Nuñez Feijó, quem no debate em prime time da TVG, o dia 13 deste mês, destacou a importância da Lei Paz Andrade, do relacionamento com Portugal e o reconhecimento ao seu papel por parte do Governo Português [o político galego fora condecorado o 10 de junho de 2015 com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique]. Palavras, que se bem criticadas pelo excessivo auto-protagonismo do Candidato do PP, foram secundadas pelos candidatos dos principais partidos.

A lusofonia, o ensino do Português, as relações com Portugal, ocuparam um espaço na Campanha. De facto, cinco partidos políticos (BNG, CxG, En Marea, PPdeG e PSdeG) apresentavam propostas lusófilas no seu programa eleitoral. Pela vez primeira na história, todas as formações com possibilidades de atingirem representação parlamentar apresentam iniciativas que colocam em valor os vínculos da Galiza com o resto da Lusofonia, inclusive com menção explícita à Lei Paz-Andrade. [Para conhecer em detalhe as propostas de cada um dos partidos, pode-se visitar o Blogue de Gerardo Uz.]

Em 15 de setembro, vários médios portugueses destacavam  que “Socialistas galegos defendem entrada na CPLP“, tal e como titulava o diário Público. Do mesmo jeito entrou também a carreira eleitoral galega na agenda lusa a raiz do encontro que o militante do PSdeG e integrante das listas do partido, David Balsa, manteve nesses dias com o primeiro ministro português, António Costa, para trasladar a proposta de que a Galiza fosse incluída na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

Também desde o dia 10 de Setembro, a popular Associação Galega da Língua (AGAL) desenvolveu a través das redes sociais e com contatos com representantes das organizações políticas uma bem sucedida campanha informativa de 10 Propostas para o aproveitamento dos vínculos naturais com a Lusofonia.

A campanha da AGAL, pelas redes sociais divulgou por meio de vídeos cada um dos pontos através do youtube. E o decálogo foi apresentado a todos os partidos políticos que se apresentam às eleições por meio de reuniões entre representantes da Associação e dos Partidos.

Tendo em conta as posições tradicionais de BNG, a aposta agora clara do PSdeG, e do novo En Marea, mesmo com uma hipotética (e desejável) mudança de governo na Galiza não parece que este achegamento e virada da Galiza ao mundo lusófono esteja mais que a começar. Ganhar no domingo quem ganhar, o reintegracionismo galego já ganhou.

Nota:

A Lei nº 1/2014, do 24 de marzo, para o aproveitamento da lingua portuguesa e vínculos coa lusofonía, mais conhecida como Lei Valentín Paz-Andrade, é um instrumento normativo que visa estreitar os laços da Galiza e da variedade galega da língua portuguesa com o resto de variedades da língua portuguesa e os países em que ela é oficial.

Nasceu da Iniciativa Legislativa Popular Valentín Paz-Andrade, especialmente apoiada por setores reintegracionistas da sociedade, tem seu nome em homenagem ao economista, jurista e escritor galego Valentín Paz-Andrade, ilustre defensor da reaproximação entre a norma escrita galega e portuguesa. Ao ser enviada ao Parlamento, em 2012, a iniciativa contava com 17.000 assinaturas e foi aprovada por unanimidade em 2014.

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